O conceito de homúnculo talvez
seja muito hermético, mas basta lembrar-se daquelas criaturas extremamente
desproporcionais, cujas deformidades chamam a atenção, principalmente em um
mundo onde a aparência anda tão alinhada e restringida. Talvez essas imagens
nos orientem através dos três volumes de EP’s
lançados pelo Odradek. Tive a oportunidade
de ver uma apresentação desses caros, ano passado em Araçoiaba da Serra, e fiquei
de boca aberta. Lá eles já davam a cara com a variação rítmica, sensibilidade autêntica
e diversidade de timbres. As referências aqui também apontam algo; é impressionante
como em apenas três canções fica a sensação de que não há repetição, entre as
melodias vocais contradizendo com o instrumental feroz, a progressão sonora
estimula novas formulações cada vez que há uma troca de tempo, por exemplo.
Talvez esses surgimentos inesperados justifiquem o título.
O contraste entre o instrumental
evidentemente progressivo e os vocais melódicos, as letras inteligentes ( I accept the challenge/ Little did I know/
That satan flirts with shaved legs/ High heels, painted nails and nasty offers)
e a interação entre os instrumentos mantém uma dinâmica que não se desgasta. Ao
contrário, cada momento é valioso em Homúnculo Vol. 3 e direciona conexões
improváveis que ao se estabelecer desafiam noções “comuns” de música. Ao
decorrer das faixas, percebemos que eles não se assentam nas mesmas engrenagens
e que cada canção surge como um surto para surpreender o ouvinte. A bussola do Odradek não tem vergonha nenhuma de
mudar abruptamente, - norte ou sul, a mudança de caminho é como se fosse a
única “pré-exigência” da banda. Eu pensei, na primeira escutada, que as faixas,
apesar de boas, soavam incompletas. Depois de algumas outras, fica claro que a mutabilidade
de cada canção torna o processo de ouvir o disco repetidamente obrigatório-
pelo menos se você desejar aproveitá-lo em seu máximo; os grooves surpreendentes, as viradas na bateria.
A diversidade é realmente o ponto
forte do Odradek, e mais do que isso,
como as transformações sônicas do disco se passam de modo que não invalidam a
construção anterior e ainda assim tira o ouvinte de sua zona de conforto. Pense
bem, essa dinâmica de mudanças constantes pode muito bem dar errado e soar ruim
se não há uma vontade coletiva dos membros da banda.
Parte também da alquimia é a
troca entre o idioma das letras, de inglês a português. Esses eventos que preenchem
o universo de Homúnculo não servem apenas para mera contemplação dos ouvintes,
mas muitas vezes essas inversões forçam uma ruptura entre o “esperado” e o que “surge”.
A banda claramente está “dando forma” a um produto que parece muito longe do
seu fim. Tenho a impressão de que, embora obviamente muito ensaiado, esse EP
não surgiu de contornos pré-estabelecidos, mas sua modulação foi se
transformando e ganhando corpo a muito custo, muitas ideias desperdiçadas e
outras tanto aproveitadas.
O Odradek tem a moral de não “repetir” mesmos seus instantes áureos porque
sabe que a construção que eles optaram é sempre de uma novidade surpreendente.
Homúnculo traz acima de tudo uma tensão e tudo que pode envolver ambientes
tensos- a guitarra fritando, o cinismo de alguma das letras, as jams que progridem e transmutam de forma
implacável, as viradas loucas da bateria. Tocando o que esses rapazes tocam,
eles podiam cair no limbo do mero “exibicionismo”, mas a construção desse EP
implica em um não ostracismo evidente. Falei da tensão, mas a tensão de Homúnculo
é aquele de que “sempre algo vai acontecer” e isso devido ao mérito da banda
adicionar mudanças constantes em uma dinâmica estrutural que surge sempre algo “novo”.
Novidade que nem sempre é tão aceita num mundo que todos ouvem “apenas o que
gostam”, mas é um desafio que merece ser encarado.
Não há controle possível quando
tudo parece perdido. A casa fica mais vazia, sair do quarto parece impossível e
nós ficamos horas e horas lembrando tudo. Parece que nada vai ser bom
novamente. Então, (quando a gente cria força o suficiente) ficamos andando a
toa por aí. Esse EP é para acompanhar essas caminhadas. É um companheiro de
travessia. Quando não nos reconhecemos mais em signos externos, todos
desintegrados. Canções abertas para a dor, para recolher os resquícios. E o Jovem Werther tenciona seus elementos
com uma carga dramática crua. Se você teve alguma experiência similar que a
banda aborda em suas canções (eu, com certeza, tive) vai haver um
reconhecimento instantâneo, alguma amizade para reconhecer na escuridão.
Escuridão essa que não é um
“mundo perdido” ou qualquer bizarrice do tipo. Eles tratam de um terreno em que
a insegurança somada com a saudade, coordena uma sensação de não pertecimento-
o fim está próximo. É como se esse EP existisse para revelar o subentendido, ou
estimular sensações que as letras sugerem. São lembranças destroçadas pela
memória e que teimam em surgir como assombrações, numa espécie de
“desentendimento contínuo” com o passado e a forma bizarra que sua sucessão
instiga em nossos comportamentos, em nossas andanças. Podemos concluir que essa
soma de frustrações como os gritos, os acordes (mesmo que numa produção mais
‘lo-fi’) designam um terreno obtuso, difícil.
E, abordando esses discursos
íntimos bem pesados e auto conflitantes, eles fazem um EP que não envergonharia
um I Hate Myself. Há as partes mais
“oníricas”, endossadas pelas guitarras distorcidas em uma “fragmentação” de
texturas e as partes totalmente cruas, onde a discórdia dá o tom e se imprime
na contradição entre “andamentos bonitos x letras e vocais sufocados”. É
amplificada nesse sistema, então, a sensação de inospitalidade. Veja bem, não é
que a banda não soe como uma “unidade”, mas os atritos que as músicas sugerem
apontam para o embate inevitável de quem não se sente confortável nessa terra e
é “perseguido” pelo passado, pelas confusões mentais. Como se a certeza de
unidade fosse, ela própria, desafiada pela vida real- não a toa que o termo
“desespero” caiba muito bem para esse EP. Em algum ponto, o vocal afirma, “não
que eu esteja mal/ nem que seja o fim do mundo”, mas percebemos que ele está se
enganando, percebemos sua confusão. É o fim do mundo! Aqui, o que “está dito”
subentende o “revelado no dito”. Eles não querem ampliar uma “diversidade
sonora” nessa transição de influências que se pode perceber; eles agrupam instantes
claustrofóbicos em signos onde esse terror possa se expressar. Trata-se de
confusão mesmo, perdição pura e que parece muito difícil de encontrar um
caminho de “retorno”. O que se fazer quando tudo bom “ruiu”?
Esse EP é sobre períodos
difíceis, sobre tentativas fracassadas, sobre derrotas. Períodos da existência
que todos passam (alguns sofrem mais, outros menos). Essa gravação inclui
muitas perguntas e poucas certezas, um tempo de questionamento e volta
constante do que “já se passou” e como esses momentos continuam a nos caçar,
troçando e esmagando qualquer possibilidade de expectativa futura. “Último Farol” sugere um fim bem complicado e
doloroso, um adeus a vida cujo único “paraíso” é a possibilidade de não se
viver mais. Ninguém quer forçar respostas ou algo parecido, mas todos esses
momentos que nos caçam foram impressos em uma história e caracterizam uma vida.
“Último Farol” então pode ser vista como uma possibilidade, daquelas que
pensamos quando tudo parece tão frágil. O curioso é que tudo é sim,
demasiadamente frágil, ainda assim algumas coisas são tão amplas e abstraem a ponto
de recorrermos a elas quase sempre; daí os “parques do bairro” representam uma
história e também uma tormenta. Tudo junto, sem dicotomia simples. Porque nada
é simples, os momentos se reproduzem e se dissipam, ainda assim, de alguma
forma, estão lá. E vamos voltar a eles, querendo ou não.
“Você acha que eu conto os dias? Há apenas um dia restante, sempre
começando de novo: ele é dado para nós na madrugada e levado para longe de nós
ao anoitecer.”
― Jean-Paul Sartre
Não há dúvidas de que a realidade
é confusa e obscura. Às vezes, parece que há apenas uma reinante anarquia de
acontecimentos sem sentido, impulsionados por forças tão abstratas quando um
suposto “si - mesmo”. A construção sonora de Viver-só causa deslocamento perante essas disparidades tão obtusas
e cruéis. O absurdo apaga o ser, fica a sensação de estar suspenso. Esse tipo
de arte, para alguns, pode ser vista como um reconhecimento de ecos (muito
gritados!) nessa espécie de limbo. Desde Mersault,
a primeira música, a banda apresenta o ambiente conturbado que deseja
sinalizar. Ficamos saturados em velocidade, agressão. Nós (os ouvintes) também
temos que nos dedicar e tentar recolher as referências, reconhecer o terreno
árido e (aparentemente) pouco convidativo.
Todos os sons que se entrecruzam
num turbilhão que honra a tradição das melhores bandas de screamo (Orchid, Pg. 99,
etc) se integram nessa totalidade disforme. Mas também acusam e apontam contra
essa loucura! É como se o álbum, ao mesmo tempo em que representasse o transe
psicótico da humanidade, dinamitasse (ou ao menos tentasse) as armadilhas da
existência. Não é muito difícil, se você já caminhou pela rua numa dessas
noites querendo sumir, reconhecer-se nos sentimentos de “auto-exílio” que as
letras expõem. Sentimos o absurdo. Estamos inseridos nele! A realidade
enlouquece. Não compreendemos muito bem o que sentimos, mas essas sensações
primárias têm que, de algum modo, ficar registradas. Pelo menos eu trago tudo
isso quando ouço Concreto Morto.
A concentração da desmotivação do
Concreto Morto também mira em alvos
e falácias capitalistas, como a ocupação urbana, por exemplo. Enquanto as
músicas do disco são muitas vezes locomovidas pela mera sensação de “não
pertencimento”, as revoltas sociais talvez indiquem um ponto de encontro com
outros não pertencentes, mesmo que seja na sarjeta. A banda fala sobre os
excluídos, claramente. Apagados do sistema pelos fatos confusos e ordens
reinantes, Viver-só irrompe como um
grito contra toda a opressão da besta que é a Vida, assim como seu sistema e
meios de produção que desintegram qualquer esboço de humanidade. Mais do que
“análises” políticas ou psicológicas, os gritos surgem como experimentados,
dilacerados pelas instituições, em uma crise de ordem pessoal/social que parece
não ter fim, conforme o tempo vai avançando. Fica a dúvida: existe alguma
brecha para uma integração real entre pessoas reais? A diversidade de elementos dentro de um subgênero
específico, as mudanças abruptas de tempo, em conjunto com uma bateria que não
nos deixa respirar- são elementos que se revoltam e buscam por uma integração
inaugural. A sinfonia do desolamento moderno. Um relato explícito das
desigualdades, dirigido especificamente aos indivíduos “párias” da humanidade.
Viver-só é construído sob esses complexos. Porque a sensação de
“estrangeiro” persiste onde nós percorremos, nos trabalhos idiotas que
suportamos, aturando as conversas fiadas, quase como autômatos- nós
personificamos Mersault, fazemos jus
a criação de Camus e seu absurdo. A guitarra irrompe dilacerante, conduzindo
uma avalanche de despejos, depois há uma recaída para pequenos momentos de
pausa, curtíssimos interlúdios para o ressurgimento da pancadaria. A
concentração da raiva se justifica nas letras, numa troca implorativa, que
atenua sensações como aprisionamento, tormentas, destruição, desmoronamento e
queda- como a torre na página 7 (do excelente trabalho de arte que acompanha o
disco). Resultando no surgimento de impressões perceptivas pela lógica concreta-
uma espécie de “leitura” de signos que antecipam um desastre imensurável
conhecido como humano- que se ergue contra o estabelecido. Estamos ouvindo
nossa ausência, nossa errância. Uma ruptura no enredo tecido de nossas
seguranças. Alguém que sempre residiu ali, com um medo monstruoso de se
manifestar. Por que o contexto que vivemos não tinha evidenciado ainda essa
criatura? O álbum incita nossas partes quebradas e transtornadas a se expor.
Em Viver-só, ouço essas partes ocultas. Aqueles componentes de nós que
ainda não é integrada ao todo arredio- por isso, mesmo com as claras
referências à literatura e academicistas, o vocal irrompe em algum momento,
“jogue fora seus livros!”. É por uma transformação de consciência, também- a
vida cruel está aguardando lá fora e em algum momento vamos ter que sair para o
embate. As citações podem sim nos estimular muito, mas nossas ações concretas
que vão realmente dizer algo.
Fica a sensação de tempo
suspenso, em contraponto à velocidade incessante das músicas. Por mais “estrangeira”
que a banda afirma ser, há ecos e ressonância. Não há mais hora para comodismo.
Não me refiro a um egoísmo apenas panfletário e ideológico, mas a certo modo de
viver e encarar as situações cotidianas. Há uma espécie invisível de “mística
urbana” (com as convicções instituídas) que nos oprime, como O Processo de
Kafka.
Viver-só é um registro contra esse ciclo infinito. A expressão da
desmotivação e descrença nos modelos de sistema vigente. A cada momento, nossa
liberdade parece ser mais cerceada, sendo renegados a meros seres obedientes.
Vivendo sob desígnios improváveis- deus, trabalho, livre mercado- a face humana
fica coberta e impossível de ser revelada.
Um jogo de sofrimento cínico e bastante cruel. Viver-só revela o futuro sombrio que nos aguarda, mas vamos
simplesmente desistir? Mesmo com as centenas de coisas à nossa volta que tiram
nossa vontade, se ficarmos estancados e indiferentes, aí sim, realmente, nada
vai acontecer e a vida vai ser um período de espera eterno. Viver-só me desperta todas essas
sensações, e é sem dúvida um levante contra a passividade. A realidade não se apresenta
compatível com a vida que desejamos. Queremos “viver, e não só existir”. Por
isso é importante o “dizer” do exílio. De quem não consegue “revelar” sua verdadeira
forma para os outros, carregando a pressão de ser esmagado pela falta de “identidade”.
Parece que tomaram nossa intimidade mais profunda. Por isso o tempo passado e
futuro se bifurcam e tudo é confuso demais. O horror de não pertencer.
A demo do God Demise começa com uma guitarra suja distorcida que anuncia um
pouco do que teremos em formas mais violentas. São sonoridades impregnadas das
demonstrações mais agressivas da sensação de niilismo e desesperança. É nessa
fonte de mundo desolado que vamos emergir nos próximos dez minutos.
Embora o som percorra mais os
lados “sujos”- combinando tempo lento e atmosferas obscuras, na ampla variação
entre o doom e o hardcore- não podemos deixar de falar da pequena influência do noise rock, com suas guitarras
distorcidas, microfonias, etc. A proposta dessa dinâmica declaradamente mais
desregrada estimula os sentimentos descritos nas letras. A bateria cobre essa
variação de velocidade. Mas não se enganem por essas impressões de apenas
degradação, a música que o God Demise
faz é decididamente séria e densa, com temas espinhosos e uma surpreendente
capacidade de mudanças, contando que a demo não tem nem dez minutos.
Com certeza coisas boas virão
desses mineiros, visto que em uma gravação caseira eles já conseguem deixar claras
as influências de metal, variando até as velocidades mais extremas. São relatos
de experiências como se estivéssemos em um pesadelo onde o amor estivesse
extinto: por isso chiados, os ruídos prolongados, estamos num mundo sem
redenção e o God Demise deseja deixar
isso bem claro. Uma construção que varia entre os diversos elementos citados em
função da estética da perdição. Engraçado que mesmo hoje com os “gêneros” sendo
cada vez menos identificáveis na música, essa banda consegue fazer desse
entrecruzamento de referências algo que não vise apenas um catado aqui e outro
ali. Não, a comunhão do God Demise é
integrar como um caminho bem, extremamente difícil.
Confesso que só fui pegar pra
ouvir a banda porque eles vão abrir pro Touche
Amore e, caralho, que surpresa! Agora estou ansioso para vê-los ao vivo.
Intuo uma apresentação tão visceral quanto essa pequena demonstração. Onde vemos
nossas fraquezas e talvez tenhamos que nos contentar com esse mundo de ódio,
sem amor.
"A vida é feita de medo. Algumas pessoas comem sopa de medo três vezes por dia. Algumas pessoas
comem sopa de medo em todas as refeições existentes. Eu como às vezes. Quando eles me
trazem sopa de medo para comer, eu tento não comer, eu tento enviá-la de volta.
Mas às vezes eu estou com muito medo e tenho que comer de qualquer jeito.
"
― Martin Amis, Other People
Sings the Blues começa com uma importante
nota sobre uma questão filosófica, seguido de um instrumental apurado e bem
executado. Talvez o tema que sempre direciona uma espécie de nova “fé” na
música, ou uma admissão da importância de sonhos, por mais infantis que possam
ser.
Longe de ser música que opta por
caminhos “fáceis”- bem afastado disso, na verdade. Temos uma sonoridade que
oscila entre o que se convencionou chamar de “post-hardcore” e timbres experimentais. Não é exatamente difícil,
mas requer força do ouvinte, um envolvimento e pró-atividade, nos convidando a
sair da simples zona de conforto. São composições que arriscam e nada mais
justo que o destinatário também dance e se exponha.
Então não vamos parar. Apesar das
disparidades, dos empecilhos. Pode ser realmente óbvio que só podemos ir em
frente, mas o Campbell Trio reverbera “não tenha medo!”. É uma queda livre de
qualquer jeito, e se aborrecer com fobias,especialmente quando a maioria dessas
são criadas por nós mesmos, não vale a pena. Apesar da nota inicial, a estética
aqui não é de teorização, ao contrário: os rapazes fazem uma música de combate,
sonhos versus preocupações.
E não podemos passar batido na
referência ao Grim Fandango, jogo clássico do final dos anos 90. Onde nos
deparamos com o Departamento Da Morte, e uma estranha conspiração (que não
deveria nada à ficção de Thomas Pynchon), e um problema no paraíso. Paraíso que
reflete também a citação de Milton. Essa obra do Campbell Trio então aborda a
importância dos sonhos, estrutura um “sistema próprio” de combate para não
sermos almas mortas que apenas vagam por aí.
O EP é literalmente uma pancada.
É paulada atrás de pauladas onde a execução instrumental varia a todo instante
e os gritos de desalento são praticamente uma convocação à essa guerra. A
batalha de seguir em frente e encontrar o descanso merecido, os desafios de
encontrar forças próprias na terra desolada que estamos- num tempo onde os
sistemas de crenças já estão obviamente descredenciados. A estética da
continuidade, onde os aparatos (e escapes!) têm que ser criados na marra.
E penso se seria possível
atribuir qualquer espécie de etiqueta musical ao conjunto. Pois não são
críticas fáceis formuladas por frases feitas ou sons puramente “agradáveis”.
Não, a força da banda está justamente em desdobrar novos e inesperados caminhos
nesse curto disquinho. Como uma espécie de fortalecimento de crenças internas e
validação destas através de toda energia (que não é pouca!) dispostas nas
canções.
A brincadeira com o jogo continua,
e eles convidam Salvador Limones para fazer seu levante contra a perdição da
alma em disparidades rasas do dia-a-dia. Já que estamos condenados- é o que o
Campbell Trio parece ressaltar que passemos por essa curta estadia na Terra
vivendo de pé e acreditando em ingenuidades próprias.
Ingenuidades que nos mantém de
pé, no fim das contas. E é isso que precisamos nos nossos dias. Confiar em
olhos amigos, se movimentar guiados por sons que transcendem a mera realidade
instituída e apontam caminhos além do que aparentava ser possível. Porque é
indiscutivelmente melhor prosseguir com intuições do que essas prisões diárias
que abastecem nossa mente em paranoias como “se dar bem na vida”, “ter uma
carreira de sucesso”.
Tudo isso, essa aglomeração de
combate contra os sintomas mais claros da nossa Era de demência coletiva, me
lembra dos riffs. São sonoridades que
se entrecruzam para fazer frente ao Monstro Realidade, num espaço vazio em que
conexões são possíveis justamente pelos sonhos. Pode soar ingênuo, mas talvez
ingenuidade e devaneios sejam as características que mais faltam nesse mundo
morto onde todos tem que ser fortes, realistas, competitivos.
O disco encerra com um clima “feel
good demais” pro que ele vinha trabalhando. Talvez a interrupção bruta para
começarmos a rítmica bem jazz seja para sinalizar que a tática para guerrilha
estava lá.
No fim, Sings the Blues é um EP
para seguir em frente apesar das fobias, porque embaixo do asfalto há sementes esperando.
Em seu primeiro disco cheio, Olive Drab consegue ampliar as sensações
positivas que já davam a cara no EP Girl. Convocando a tradição lo-fi, nomes como Titus Andronicus, Sonic Youth
e coisas que estão ganhando mais espaço lá fora como Pity Sex e Krill.
O que realmente se destaca aqui é
a conexão das faixas, o que deixa uma sensação de continuidade ao ouvir o
disco. As músicas são sobre temas comuns como: se apaixonar e se desiludir,
descansar, buscar as soluções para os aborrecimentos, lamentações e almejar ser
uma criatura melhor. Essas ondulações temáticas se encaixam como uma história
que nos entretém até o fim. Lógico, esses temas comuns dão abertura para os
ouvintes relacionarem as camadas musicais à suas próprias experiências
subjetivas. Letras que cutucam diretamente a ferida, ainda assim não sendo
puramente pessoais, abertas à diferentes interpretações.
As músicas aqui estão mais
atenuadas e menos agressivas que no EP de estreia. Mas o que mais cativa é a
construção melhor elaborada não reduzir nada a potência dos pedais, em faixas
cheias e barulhentas.Ótimas guitarras
acompanham a banda em um crescendo, tudo ao redor de riffs principais que seguram a sonoridade. A precisão das baterias
auxilia nesse convívio quieto-barulhento que a banda propõe, alternando
velocidades e agressividade.
Os interlúdios que separam as
canções são pausas bem pensadas para todo o barulho que ouvíamos anteriormente.
Essas partes mais lentas dão maior coerência e foco nas fases mais rápidas,
como se fossem ótimos contos curtos variando com romances mais aprofundados.
Uma banda que cresceu bem nos
últimos dois anos, tanto em termos sonoros quanto escolhas estéticas para um
disco cheio, que parece estar de fora da prisão de gêneros e se sente bem
confortável tocando no porão- de preferência bem alto!
Com o inverno se aproximando,
esse duo- com uma sonoridade surpreendentemente cheia e completa para uma
dupla- se mostra uma ótima trilha sonora. Apesar de ser claramente influenciado
pelo indie emo na transição do último
século, Nai Harvest foge da simples
cópia para adicionar elementos muito interessantes em seu universo estético.
Mas eles não tocam apenas “alto”
para compensar uma suposta falta de adições e detalhes. Há uma junção de
elementos sonoros diversos que se unem para dar peso à coisa toda. Como uma
banda de garagem quando se propõe a tocar os riffs, mas também confiando no emo
“preguiçoso”, arrastado como algumas coisas do grunge.
O álbum é praticamente simétrico
no tocante à divisão das faixas, duas mais arrastadas e duas mais “garagem”. Do
entrecruzamento “lo-fi”, indie e não
tão especificamente emo, nasce Rush.
As duas faixas que seguem, são mais densas, conturbadas, com aparente difícil
desenvolvimento até, já na porção final, ocorrer uma junção de distorções e
viradas na bateria.
Alternâncias que trazem graça e
até uma suspeita de que tal som seja realmente conduzido por uma dupla. Letras
que lidam com aflição, aniquilamento e sentimentos opressivos, enquanto a ação
instrumental vai direto ao ponto. No final, a seção rítmica funciona com mais
harmonia, ouvirmos cantaroladas- tranquilidade, fim de tudo? Com certeza uma
espécie de zona de conforto encontrada depois de algumas andanças.
Penso num entrecruzamento do The Movielife com Further Seems Forever, onde as cadências são sobrepostas por
guitarras altas e a velocidade da bateria é contrastada com o vocal arrastado.
Um ambiente distorcido e conturbado, onde um modelo que raramente dimana realça
a característica da banda- ou seja, quem procurar guitarras e bateria de
garagem e letras sentimentais tem aqui o pacote todo.
Knapsack was/is a band that formed in 1993 by would-be members of Samiam and The Jealous Sound. The band played what would be their final shows in 1999, and left to form their new projects. Back then, they never thought they would reunite, much less to continue to play more shows. However, the band spoke in an AltPress interview about what the reunion means, and why they're doing it. "We’re not going full-tilt boogie on it. This is just for fun. It made sense for us at this point of our lives to do it. It’s a couple of weekends, a kick in the pants, a lot of fun." Though Blair Shehan says it's just for fun, I can't help but hold out the hope for a new album, EP, single, anything. Just a new song, or even a cover would be great. However, my opinion in this matter makes no difference. The band played Gainesville, Florida's "The Fest" this year to an enthusiastic and nostalgia-filled audience. (Video) I watch this video with excitement and hope that maybe, just maybe, they might put out new material. One can only hope. Until then, I'll be nodding my head to my favorite song of theirs, "Courage Was Confused," off their 1997 record, "Day Three Of My New Life."
“De todos os lados, brotavam feridos no mato bombardeado, atraídos pela
possibilidade de se protegerem. A entrada da vala estava horrível, abarrotada
de feridos graves e moribundos. Uma figura nua até a cintura, de costas abertas
por um ferimento, apoiava-se à parede. Outro, com um naco triangular de cérebro
pendurado no crânio, não parava de berrar de forma estridente e tocante. Ali
imperava a grande dor, e pela primeira vez eu vislumbrava as profundezas de seu
reino através de uma fresta demoníaca. E as explosões não paravam.” Ernst Jünger.
Dessa vez, devaneios.
A chegada do Crash Of Rhinos na cena emo
britânica foi uma sacudida muito necessária, uma estreia notável com sonoridade
fresca que emocionava desde a primeira ouvida. Distal era uma festa em casa, um
convite aberto para erguer uma raquete, derramar bebidas, rir alegremente.
Esses rapazes gritavam suas preocupações para longe com um braço em volta dos
seus ombros, persuadindo-o a fazer o mesmo! Apesar de ser uma banda emo- eles ostentavam o mesmo alvoroço e
camaradagem como o Japandroids e Titus Andronicus, levantando os pulsos
com fervor. No entanto, seus gritos de guerra desconsideravam qualquer mensagem
definida, favorecendo a liberação pura em slogans ingênuos- “Eu tenho um futuro
no fracasso” sendo o mais memorável. Para aqueles que encontraram a deixa para
cantar junto, essa gravação se tornou muito amada e incessantemente bem-vinda.
Ao apresentar Knots, fico tentado a dizer “isso é
amadurecimento” ou outro clichê, porque essa é uma gravação muito mais
contemplativa. Crash Of Rhinos agora
rumina sobre seus problemas ao invés de lançá-los em jams catárticas. Onde a banda desce de passagens melódicas até as
mais contemplativas dando espaço para respirar, persistindo na reflexão até que
o clamor seja apenas uma memória vaga. É uma mudança arriscada para uma banda
cuja estreia fez sucesso por sua comoção, e marca Knots com o ônus de indenização. Apropriadamente, porém, eles deram
um passo à frente instrumentalmente e liricamente. O título do álbum é
indicador preciso: nós intricados, jogo de guitarra matemática que confunde a
mente, desejos e complicações, nós que amarram e quebram em relações humanas.
Apreciar esses aspectos é a chave para gostar do álbum, enquanto Distal
quebrava sua mentalidade. Essa é a melhor pista que eu posso oferecer para quem
está em cima do muro em relação à Knots.
Crash Of Rhinos deu um passo além de suas influências para moldar
um som mais estável e pessoal. Esse passo significa que foram também além da
diversão “mais básica” que Distal proporcionava, trabalhando mais na
composição, ruminando as canções com longas pontes que invertem os tempos
(ainda assim ocorrem alterações vertiginosas de rápidas), enquanto o som
matemático e angular perpassa enorme precisão. É um álbum mais gradual e que
melhora com o tempo (não tem aquele “choque” do Distal, de pensar, “caralho,
que foda” logo no começo), destacando uma banda muito jovem alçando voos demasiados
interessantes.
Bandas aos montes têm lotado a cena da Filadélfia. Para você que não
sabe disso, assista abaixo “My Basement is a Shithole” e fique impressionado
como a ética punk do “faça você mesmo” ainda vive por lá, sendo abrandada com
estilos musicais diversos que dialogam nas mais variadas vertentes, desde math
rock, pós-rock, emo, screamo, twinkly, etc.
Abrindo a carreira do Baltimore Cults, surge Parts Uknown,
um EP que flerta com o que de melhor tem a cena acima citada. Representando e
bem o que tem acontecido por aquela região, há um contrabalanço entre uma veia
mais melancólica e outra que enaltece a fertilidade dos acontecimentos na
juventude.
O baixista John e o vocalista/guitarrista Sean
foram realmente legais e aceitaram falar comigo, um pouco sobre o último EP,
bastante sobre as coisas que acontecem nesse exato instante na Filadélfia.
Nessa conversa é possível perceber porque o emo (aka: true emo), tem
existido de maneira completamente independente de grandes e médias gravadoras e
porque as apresentações nos porões norte-americanos devem ser tão boas quanto
dizem.
Quais são as partes escondidas da cena emo da Filadélfia?
John: Hmm, boa questão! Eu acho que muitas amizades são
criadas através dos shows na Filadélfia, e isso é uma coisa que você talvez não
possa ver na superfície, pelo menos não de uma perspectiva externa. Assim,
alguém pode dizer que toda cena tem isso, mas sei lá, há algo sobre os shows na
Filadélfia. Um exemplo: Eu estava em um show não muito tempo atrás, e um cara
que eu não conhecia começou uma conversa comigo. Acontece que ele ama a
vibração musical da Filadélfia e se mudou de Nova Iorque para morar aqui e
experimentar isso diretamente. Isso é algo que tenho ouvido mais e mais
ultimamente, o que acho que seja a coisa mais legal. Eu tenho muito orgulho da
Filadélfia, seus defeitos e tudo, e ouvir coisas como essas me deixam feliz e
orgulhoso de poder chamar a Filadélfia de lar.
Sean: Eu sinto muitas
vezes que são as bandas que não têm recebido muito rumor da internet ou estão
mantendo suas cabeças baixas e fazendo shows. A cena é um lugar muito legal
agora e eu sinto como se as cosias estão começando a mudar em termos sonoros.
Sei lá, a maioria das vezes eu me sinto com muita sorte de estar perto de tudo
isso.
Como foi o processo de gravação do EP Parts Uknown?
John: Honestamente, o processo de gravação dessa vez foi tão relaxante e
aconteceu muito naturalmente. Nós gravamos no Headroom com Joe
Reinhart, e ele tornou o processo indolor. O ambiente estava ótimo e nós
tivemos uma sessão muito relaxante. Nenhuma vez nos sentimos como se
estivéssemos forçando algo ou apressando para ter alguma coisa feita. Eu acho
que isso realmente ajudou a formar uma sessão que nós ficamos realmente
orgulhosos.
Sean: Foram bons
momentos, especialmente no último dia de mixagem quando a banda estava filmando
um vídeo musical literalmente do lado de fora da porta. Foi uma ótima
experiência, nós mudávamos constantemente o conceito que o EP abordaria. Nós
tínhamos material o suficiente para tentar e gravar um álbum cheio, mas nós
decidimos fazer tudo há tempo com um número menor de canções e eu acho que foi a
decisão correta.
Vocês se apresentam muito ao vivo? Qual é a reação do seu público?
John: Na verdade, nós não temos nos apresentado muito. Durante os meses
de aula, dois dos cinco membros estudam há 200 milhas de distância, então
decidimos que gastaríamos nosso tempo praticando e escrevendo e escrevendo e
praticando (nós realmente fazemos muito isso). Nós tocamos com bastante frequência quando estávamos no colégio, mas nosso som definitivamente mudou
desde aquela época, então nós decidimos esperar até ter um novo material antes
de começar a tocar novamente. Nós estamos programados para nos graduar esse
ano, então planejamos começar a tocar novamente nesse verão com nosso novo
material.
Sean: Chequem o Robins
(robins.bandcamp.com) e os veja sem contra baixo perto de você !
(se você está perto da Filadélfia...).
John: Robins é a banda para qual eu escrevo. É basicamente o Baltimore
Cults se o Baltimo Cults estivesse obcecado com o midwest emo
ou screamo.Nós nos apresentamos com mais frequência porque moramos mais
próximos à cidade, mas eu estou amarradão para que os garotos terminem as aulas
e os Cults possam tocar de novo!
Quais são as coisas que vocês aprenderam estando em uma banda que nunca
aprenderiam em uma porcaria de trabalho cotidiano?
John: Eu acho que estar em uma banda nos ensinou como lidar efetivamente
com conflitos. Estar com as mesmas pessoas diariamente pode começar a ter seus
empecilhos, mas tocar numa banda com meus melhores amigos faz disso algo mais
fácil. Uma vez que todos somos amigos, nós não deixamos os problemas nos
importunar, nós lidamos com eles assim que eles brotam porque podemos ser
honestos uns com outros. Eu acho que a resolução dos conflitos é a maior
aplicação para o mundo real que estar numa banda me ajudou. Porra, se eu não
posso dizer para minha banda que algo não está funcionando ou que algo precisa
ser arrumado, então para quem eu posso?
Sean: Trabalhar para
fazer o máximo de dinheiro possível é usualmente um estilo de vida vazio. Eu
amo fazer o que faço com meus melhores amigos.
Quais são as bandas pelas quais vocês recentemente se apaixonaram?
John: Pessoalmente, Free Throw tem me pegado muito, o novo LP do Park
Jefferson, Panucci's Pizza lançou um excelente disco cheio, P.S.
118, Airman Trout, Milkshakes, Lana Lana, e Bonjour Machines são
todas bandas que tenho escutado em maior escala.
Sean: O novo álbum do Bonjour
Machines governa. A nova gravação do Vietnam é muito boa, eu tenho ouvido
toneladas de Things Fall Apart também. Glocca Morra lançou um split
com o Summer Vacation que é doente, e a demo do verão de 2013 do Mallard
é incrível, também. Oh, e Kelsi Grammar é surreal e todos deveriam
ouvir.
Vocês acabaram de gravar um novo EP. Há planos para o ano que vem?
John: Bem, "Parts Unknown" será gravado em fita pelo Billy
na Too Far Gone Records (um cara incrível que não tem sido nada exceto
um cara incrível conosco) em Outubro. Avançando, nós estamos escrevendo um
disco cheio provisoriamente intitulado "My Mind Goes to Dark Places"
que nós esperamos começar a gravar no meio de 2014. Além disso, nós vamos
começar a agendar alguns shows, então esperamos que 2013-2014 seja ocupado para
nós!
Sean: Obrigado ao Billy
e a Too Far Gone Records por lançarem o EP. Os planos para o ano que vem
envolvem graduar na faculdade e fingir ser um adulto crescido. Como John falou
tudo da banda, então eu fui pro lado pessoal.
A capa de Parts Unknown é tão linda. Quem tirou essa foto e como
essa ideia surgiu?
John: Obrigado! O trabalho de arte foi realizado por um coparceiro meu
e artista localizado na Filadélfia, Paul Moston (http://paulmoston.tumblr.com/). A foto foi tirada durante uma viagem que ele
fez para a Índia. Ele explicou que a imagem original é uma floresta densa em
uma vila pobre no norte da Índia. Quando eu o contatei sobre trabalhar junto,
nós começamos a discutir a ideia de "parts unknown" (partes
desconhecidas, nome do EP da banda) e ele me mostrou algumas fotos com as quais
esteve trabalhando, e a capa que nós estamos usando agora se destacou para mim.
Depois de pequenos ajustes, ele me apresentou a capa do álbum que temos agora!
Suas canções têm realmente um bom equilíbrio entre as partes mais lentas
e mais rápidas. Quais são suas influências musicais e como vocês fazem para
trabalhar bem a mistura disso tudo?
John: Bem, todos somos fãs da música da Filadélfia de agora, mas nós
(especialmente Sean e eu) temos um amor intenso pelo Modest Mouse.
Acima disso tudo, Sean tem uma coleção musical extremamente eclética,
variando do pós-rock aos ruídos, então isso definitivamente influência nosso
som.
Sean: Modest
Mouse sempre. Só recentemente
que eu comecei a escrever canções que não são cópias do Isaac Brock, e é
assim que eu me sinto. Eu acho que não é sempre que isso atravessa nossa
música, mas nós realmente ouvimos coisas muito diferentes e estamos tentando
trazer o melhor das bandas que amamos para algo legal e novo. Esperançosamente
isso funcionou.
Que trabalhos vocês tem para sobreviver na sua cidade? E como as coisas
que fazem neles influenciam nas músicas da banda?
John: Eu tenho um trabalho de período integral em um clube country na
linha principal e frequento a faculdade também. Mas, minha agenda só funciona
se eu tenho tempo para escrever, praticar, e tocar, uma vez que eu faço a maior
parte do meu trabalho de manhã. Os outros garotos vão para a faculdade, também.
Então, se influência em algo, eu diria que nos tem forçado a trabalhar nossa
habilidade antes de tocarmos ao vivo. Pretendemos ser extremamente compactos ao
vivo e tentar recapturar o som de nossas gravações em nossa melhor habilidade.
Sean: Eu sou um
estudante em tempo integral na Penn State, no principal campus da
Universidade Federal. Eu escrevi todas as canções do EP na faculdade ano
passado, e eu sinto que períodos extensos longe de casa são sempre a maior
influência na minha escrita. Eu costumava dizer que toda nossa música é sobre
estar em um lugar desejando estar em outro.
De um lugar muito distante, parece que o emo revival está indo
muito bem. The World Is A Beatiful Place lançou um ótimo álbum, assim
como o Crash Of Rhinos. Eu recentemente entrevistei uma banda emo
localizada na Califórnia, American Memories, e eles disseram-me que se
você tem alguma banda emo, o lugar para se estar é na Filadélfia ou na
Inglaterra. Como vocês veem toda cena revival emo e que banda vocês
acham que vai se tornar grande? (não no sentido monetário, vocês entendem).
John: Eu amo a música da Filadélfia, e eu acho que ela ou a Inglaterra
são ótimos lugares para o emo. Eu diria que uma banda na Filadélfia tem
mais oportunidades ou determinadas noites para tocar para uma plateia formada
por indivíduos da mesma opinião. The World Is A Beatiful Place
definitivamente tem rompido em certa medida, assim como um bom número da lista
da Topshelf. Na Filadélfia, Modern Baseball tem deixado as
pessoas insanas, ultimamente, finalizando agora uma turnê por todo EUA, então
acho que coisas grandes estão no caminho deles. Também Glocca Morra é
outra banda que posso ver tendo um grande futuro aqui na Filadélfia, não que
eles já não sejam favoritos.
Sean: Modern
Baseball já meio que fez isso, eu acho, e o Glocca Morra é a melhor
banda da Filadélfia nesse período. Girl Scouts, Marietta, eBleeding Fractals matam todos e
deveriam ter mais reconhecimento do que sinto que eles têm.
Uma pequena história pra vocês. Na época que eu estava procurando por
novas bandas no bandcamp e os encontrei, eu não estava mais falando com minha
melhor amiga e eu estava muito triste pro causa disso, e ela me ligou
exatamente enquanto eu estava ouvindo vocês, e casou de ser uma trilha sonora
perfeita para reconciliação. Que bandas e especificamente quais músicas dessas
bandas vocês gostariam de ouvir enquanto se reconciliariam com alguém?
John: Isso é extremamente lisonjeiro, muito obrigado. Para mim, eu gosto
de coisas melancólicas como as canções do This World Is A Beatiful Place, ou
alguma coisa como Treehouses do Mimas. Mimas é uma banda que eu comparo com
meus domingos de manhã, algo que eu consigo entrar com facilidade e perder o
rastro do tempo um pouco, mas eu acho que a reação é algo similar ao sentimento
de reconciliação. Quando você se reconcilia com alguém, é quase como se um peso
fosse tirado e está facilitado o caminho de volta para uma amizade ou de um
relacionamento. É como alivio após o momento de ansiedade.
Sean: Joanna
Newsom e The Antlers. Talvez
Sufjan Stevens.
Muito obrigado! É a última pergunta; façam piadas, salvem o mundo, vocês
podem dizer qualquer coisa exceto dizer algo ruim sobre Mineral. Realmente
agradecido e espero ouvir grandes notícias de vocês em breve.
John: Obrigado novamente por tirar um tempo pra falar conosco! Se você
estiver na Filadélfia ou de alguma forma pararmos no Brasil, ligue para nós e
podemos tomar umas cervejas!
Sean: Obrigado por nos entrevistar! Fique triste, permaneça triste.