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quarta-feira, 2 de março de 2016

The Ed Palermo Big Band- One Child Left Behind

Para quem conhece os lançamentos do Ed Palermo e sua banda de apoio, não é novidade que desde sempre temos ouvido lançamentos que musica de maneira jazzista a obra de Frank Zappa. Qualquer que seja a intenção do compositor em fazer tantos covers (há poucas musicais originais aqui)- volta-se a atenção para a banda de dezessete integrantes.

As interpretações diferentes são todas arquitetadas por Palermo enquanto os outros vários instrumentos destacam musicas (novamente, a maioria de Zappa) com a sonoridade característica das big bands. É fácil, com o talento óbvio que os músicos exibem, sentir em One Child Left Behind vontade de dançar, já que tudo é realizado numa positividade reinante, o que tira um pouco o ar “esquisito” como as canções ficaram originalmente conhecidas. Eu não conheço muito a obra do Zappa e gosto muito das tradicionais big bands dos anos 50 e 60 e o conjunto de Palermo não deturpa nem a memória do Frank nem essa celebração de certa época. Comandados por Ed, a banda altera as percepções e curiosamente deixam as canções mais acessíveis- especialmente para quem é introduzido no jazz. De qualquer forma, as releituras da obra de Frank e as outras canções mantém certo swing e alçam ao máximo os encontros entre instrumentos e o que poder ser realizado a partir desses andamentos. Há muitos que talvez façam a pergunta de qual a relevância disso e ela pode ser respondida citando o corpo sonoro que Palermo vem solidificando e como a visitação de uma determinada época opera como instrumento de memória.


Finalmente, toda a obra de Palermo tem atravessado gerações e acolhendo resíduos tradicionalíssimos para musicar as homenagens que Ed tanto deseja. Vai além de usurpar a memória do jazz e do Zappa para comercializar arte- é a manutenção de um espírito.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Jacob Garchik – Ye Olde (2015)

Ye Olde resgata sonoridades que já foram resgatadas; é um disco de colagens múltiplas que surgem como uma invocação; é um ciclo que a banda de Garchik não cessa de repetir e repetir, são voltas e voltas em uma sequência errática, trêmula, esquisita (na primeira audição).  A imprevisível distorção de guitarra que fecha a primeira música abrindo para a “esquisitice” Tom Waits que a segunda faixa inaugura. São apropriações que transgridem seus próprios limites e que eclodem em pontos impensáveis. O resumo que Garchik realiza de seus gêneros musicais favoritos totaliza as irrealidades (místicas!) que ele corporifica em Ye Olde; ele vê uma espécie de unidade atrás de cada elemento dispare de sua composição e não hesita em combinar essa ligação invisível que os instrumentos compartilham. Por se tratar de um disco que dialoga fortemente com movimentos passados, pode-se dizer que a saudade une tudo.

Mas o que poderia Garchick fazer para não ficar em uma idealização do que aconteceu ou reduzir as ótimas possibilidades desse disco para saudosistas em um discurso elitista? Ele chamou três dos guitarristas mais aclamados pela nova safra do jazz livre (Mary Halvorson, Brandon Seabrook, e Jonathan Goldberger). O ultramodernismo que essa obra pode aparentar com suas dissonâncias e seus temas barrocos invocados pelo saxofone se debatem com a memória afetiva de Garchik em que referências explícitas ao rock progressivo dos anos 70 são feitas. A variação de Garchik com seu trombone mostra o compositor em uma expressão estética totalmente livre; não fosse o limite de sua nostalgia. Limites pontuados pela bateria de Sperrazza.

Cada faixa em Ye Olde constrói um pequeno  pedaço da história que Garchik nos propõe.  São músicas com a duração pequena se comparado com o que se faz hoje em dia no jazz livre, e elas encontram seu ponto de clímax rapidamente ao mesmo tempo em que essa explosão é realmente curta. As guitarras sincopadas muitas vezes iniciam o trabalho como se realmente tivéssemos na década de 70, até que partes de improvisação dos três guitarristas retomam o sentido mais abstrato que toda a obra de Garchik tem abraçado. A realeza é palpável com a incrível marcha clássica (que só não é propriamente erudita pelas divagações elétricas) na última faixa. É um verdadeiro  coroamento de tudo o que o disco propôs.


Para quem acompanha um pouco mais o jazz livre contemporâneo, os três parágrafos anteriores são realmente desnecessários; o time que Garchik monta aqui praticamente entra como o Barcelona tem entrado em campo. Esse disco continua construindo a carreira de Garchik como um excelente compositor e dos mais promissores na música contemporânea. Ele não só fez esse time jogar bem, mas o usou para jogar muito bonito.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Campbell Trio e a importância de sonhar - The Campbell Trio Sings the Blues [2011]

"A vida é feita de medo. Algumas pessoas comem sopa  de medo três vezes por dia. Algumas pessoas comem sopa de medo em todas as refeições existentes. Eu como às vezes. Quando eles me trazem sopa de medo para comer, eu tento não comer, eu tento enviá-la de volta. Mas às vezes eu estou com muito medo e tenho que comer de qualquer jeito. "
― Martin Amis, Other People

Sings the Blues começa com uma importante nota sobre uma questão filosófica, seguido de um instrumental apurado e bem executado. Talvez o tema que sempre direciona uma espécie de nova “fé” na música, ou uma admissão da importância de sonhos, por mais infantis que possam ser.

Longe de ser música que opta por caminhos “fáceis”- bem afastado disso, na verdade. Temos uma sonoridade que oscila entre o que se convencionou chamar de “post-hardcore” e timbres experimentais. Não é exatamente difícil, mas requer força do ouvinte, um envolvimento e pró-atividade, nos convidando a sair da simples zona de conforto. São composições que arriscam e nada mais justo que o destinatário também dance e se exponha.

Então não vamos parar. Apesar das disparidades, dos empecilhos. Pode ser realmente óbvio que só podemos ir em frente, mas o Campbell Trio reverbera “não tenha medo!”. É uma queda livre de qualquer jeito, e se aborrecer com fobias,especialmente quando a maioria dessas são criadas por nós mesmos, não vale a pena. Apesar da nota inicial, a estética aqui não é de teorização, ao contrário: os rapazes fazem uma música de combate, sonhos versus preocupações.

E não podemos passar batido na referência ao Grim Fandango, jogo clássico do final dos anos 90. Onde nos deparamos com o Departamento Da Morte, e uma estranha conspiração (que não deveria nada à ficção de Thomas Pynchon), e um problema no paraíso. Paraíso que reflete também a citação de Milton. Essa obra do Campbell Trio então aborda a importância dos sonhos, estrutura um “sistema próprio” de combate para não sermos almas mortas que apenas vagam por aí.


O EP é literalmente uma pancada. É paulada atrás de pauladas onde a execução instrumental varia a todo instante e os gritos de desalento são praticamente uma convocação à essa guerra. A batalha de seguir em frente e encontrar o descanso merecido, os desafios de encontrar forças próprias na terra desolada que estamos- num tempo onde os sistemas de crenças já estão obviamente descredenciados. A estética da continuidade, onde os aparatos (e escapes!) têm que ser criados na marra.
E penso se seria possível atribuir qualquer espécie de etiqueta musical ao conjunto. Pois não são críticas fáceis formuladas por frases feitas ou sons puramente “agradáveis”. Não, a força da banda está justamente em desdobrar novos e inesperados caminhos nesse curto disquinho. Como uma espécie de fortalecimento de crenças internas e validação destas através de toda energia (que não é pouca!) dispostas nas canções.

A brincadeira com o jogo continua, e eles convidam Salvador Limones para fazer seu levante contra a perdição da alma em disparidades rasas do dia-a-dia. Já que estamos condenados- é o que o Campbell Trio parece ressaltar que passemos por essa curta estadia na Terra vivendo de pé e acreditando em ingenuidades próprias.

Ingenuidades que nos mantém de pé, no fim das contas. E é isso que precisamos nos nossos dias. Confiar em olhos amigos, se movimentar guiados por sons que transcendem a mera realidade instituída e apontam caminhos além do que aparentava ser possível. Porque é indiscutivelmente melhor prosseguir com intuições do que essas prisões diárias que abastecem nossa mente em paranoias como “se dar bem na vida”, “ter uma carreira de sucesso”.

Tudo isso, essa aglomeração de combate contra os sintomas mais claros da nossa Era de demência coletiva, me lembra dos riffs. São sonoridades que se entrecruzam para fazer frente ao Monstro Realidade, num espaço vazio em que conexões são possíveis justamente pelos sonhos. Pode soar ingênuo, mas talvez ingenuidade e devaneios sejam as características que mais faltam nesse mundo morto onde todos tem que ser fortes, realistas, competitivos.

O disco encerra com um clima “feel good demais” pro que ele vinha trabalhando. Talvez a interrupção bruta para começarmos a rítmica bem jazz seja para sinalizar que a tática para guerrilha estava lá.

No fim, Sings the Blues é um EP para seguir em frente apesar das fobias, porque embaixo do asfalto há sementes esperando.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Entrevista com Max Johnson

Muito ativo na cena musical nova-iorquina (e muitos juram que aquela é a melhor concentração musical no mundo) , Max Johnson tem se apresentado com diversos grupos, numa variedade de estilos muito abrangente, cabe de tudo; livro improviso, jazz livre, bluegrass, composições orquestradas e indie rock. Tamanha pró atividade, segundo ele, vem do fato de querer estar sempre ocupado. Ele foi gentil o suficiente e aceitou responder algumas perguntas, falando de como anda a cena musical que o cerca, suas qualidades como músico, futuras gravações e mais:
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[A.A] Como você se envolveu com a cena musical de Nova Iorque?

[Max Johnson] Eu nasci em Nova Iorque e cresci em Hoboken, NJ, então eu estava sempre ao redor da cena, mas eu só comecei a me levar mais a sério quando eu entrei na faculdade na New School, e passei a ir para todos os shows e trocar ideias com todos os músicos.

[A.A] Você é muito produtivo, tantos lançamentos nos últimos anos. Você às vezes tem bloqueios criativos?

[MJ] Eu não, eu sinto que como compositor e improvisador, é difícil ter bloqueio. Eu também não tive um tempo muito longo de "carreira" para ter bloqueios. Mas sempre que eu não posso compor qualquer coisa que eu gosto, eu apenas me apresento em mais shows improvisados ​​e, eventualmente, eu começo a escrever alguma música que eu gosto novamente. Eu adoro tantos tipos de música, e tantos músicos em particular que eu sempre quero estar a fazer tudo o tempo todo, e acho que isso ajuda a me manter ocupado.

[A.A] O que você mais aprecia em você como músico?

[MJ] Uma questão interessante! Eu não sei se eu aprecio nada sobre minha técnica, eu só estou tentando sempre melhorar. Eu sempre tento ouvir, tanto quanto possível, e em um ambiente improvisado, eu tento encontrar temas em que todo mundo está tocando, e criar variações com base nisso. Eu realmente não sei se estou fazendo alguma coisa certa, eu só estou tentando praticar e ouvir, tanto quanto possível.

[A.A] Como é a cena musical em Nova Iorque?

[MJ] Eu nunca vivi mais de uma hora de Nova Iorque, e eu não passei qualquer quantidade de tempo em qualquer outro lugar para realmente pesar sobre qualquer outra cena, mas pelo que eu entendo Nova Iorque é única. Tem mais músicos incríveis por quilômetro quadrado do que em qualquer outro lugar no mundo, e para a maior parte, cada um está envolvido em uma série de projetos, e um apoia o outro. Qualquer noite da semana você pode sair e ouvir algumas das músicas no mais alto nível, e é uma das coisas mais inspiradoras que você poderia ter.

[A.A] Como a atmosfera de Nova Iorque influencia sua música?

[MJ] Nova Iorque, provavelmente, tem um forte efeito sobre a natureza dispersa da minha música. O fato de que existem tantos músicos incríveis com quem eu quero tocar é, provavelmente, a razão de eu gravar tanto e por tantas bandas diferentes. Há gente demais com quem eu quero criar, nesta cidade, então eu tenho que compor e tocar muito, e organizar. As recompensas valem a pena, porém, e em Nova Iorque, você pode literalmente tocar qualquer tipo de música com alguém que é um mestre em um estilo particular.


[A.A] Como foi a gravação do Big Eyed Rabbit?

[MJ] Foi muito fácil e muito divertido! Ross Martin e Jeff Davis são dois dos músicos mais agradáveis ​​e mais talentosos que eu conheço, e estar em uma banda com esses rapazes é uma explosão. A gravação foi muito fácil, nós apenas fomos para o estúdio e tocamos cerca de dois takes de cada música, e o que você ouve é o que nós fizemos.

[A.A] Com são as apresentações ao vivo?

[MJ] Eu tento misturar as seções improvisadas com as compostas da melhor maneira possível, e sempre deixar a música tão orgânica quanto possível, e me sentir tão solto quanto possível. Eu não sei outra maneira de descrever isso, apesar de cada banda ser diferente, e cada apresentação é diferente, então eu apenas tento abraçar o que está acontecendo naquele dia em particular naquele momento em particular.

[A.A] Quais músicos são seus remédios?

[MJ] Isso muda ao longo do tempo. Eu não tendo a ouvir música para me tirar do mau humor, ou me animar, mas certamente existem artistas que eu posso ouvir a qualquer hora e me divertir. Black Sabbath, King Crimson dos começo dos anos 70, Jimmy Giuffre, Ornette Coleman, Tim O'Brien, Schoenberg, Merle Haggard, Captain Beefheart, Dexter Gordon, e Black Flag vêm a mente. Embora recentemente eu tenho ouvido maisrik Satie, Messiaen, Debussy, Louie Armstrong, e Webern.

[A.A] Você ainda ouve os músicos que estava ouvindo quando você começou na música?

[MJ] Em sua maioria, sim, embora não o tempo todo. Eu realmente gostava de rock clássico, quando eu comecei a tocar (eu comecei no baixo elétrico), e eu ainda ouço Cream, Black Sabbath, Frank Zappa, King Crimson, e outras coisas. Eu ainda amo aquela música.


[A.A] Quais são as principais mudanças “The Prisoner” para o “Big Eyed Rabbit”?

[MJ] Ambos os grupos, na verdade, começaram na mesma época, na primavera de 2012, embora sejam grupos radicalmente diferentes. Eu formei o The Prisoner para tocar minha suíte baseada em um programa de TV de 1968 com o mesmo nome, que estrela Ingrid Laubrock, Mat Maneri e Tomas Fujiwara. Algumas pessoas descreveram esse grupo com uma sonoridade muito “europeia”, o que é o exato oposto do Big Eyed Rabbit. O Big Eyed Rabbit é um coletivo formado por Ross Martin, Jeff Davis e eu mesmo, originalmente para executar folk americano tradicional, bluegrass e canções dos velhos tempos em um ambiente de improvisação livre. Desde então o grupo passou a desenvolver temas criados por nós três, e eu realmente não poderia estar mais feliz com os dois grupos.

[A.A] Como um artista, você acha que a crítica ainda é relevante?

[MJ] Eu leio tudo sobre mim, porque mesmo se eu concordar ou discordar, arte é subjetiva cem por cento. É bom para ver o que os outros pensam sobre o que eu estou fazendo, porque é bom ver as coisas de todas as perspectivas. Isso dito, eu vou continuar a fazer a música que eu quero, e se as pessoas não gostam de um álbum, elas podem gostar de outro, ou elas podem não gostar de nenhum. Você tem que gostar do que quer!

[A.A] Como outras formas de artes influenciam a sua música?

[MJ] Eu pego emprestado uma quantidade razoável de inspiração das outras formas de arte, eu acho que é interessante tentar traduzir a arte entre os médiuns. Eu tenho composto música inspirada e baseada em livros, cinema e televisão, tentando traduzir as ações dos personagens, eventos, configurações e diálogo para um meio instrumental é algo que eu realmente gosto de tentar fazer. Acho que também ajuda a criar estruturas interessantes não convencionais na música.

[A.A] Quais projetos você está envolvido agora?

[MJ] Bem, a minha principal banda nos últimos três anos tem sido o meu trio com Kirk Knuffke e Ziv Ravitz, e já lançamos dois discos, Elevated Vegetation (FMR, 2012) e Invisible Trio (Fresh Sounds, 2014). Nós temos mais alguns shows chegando este ano, e espero que nós façamos um novo disco no inverno. Eu também escrevi uma música para aquela banda com duas trompas adicionais (Michael Attias e Ingrid Laubrock), que estou muito feliz. Eu também tenho tocado com a banda de rock independente Arc Iris, e estamos gravando nosso segundo álbum. Eu também tenho um disco de improvisação com Perry Robinson & Diane Moser saindo nesse inverno. Fora isso, eu tenho um monte de shows, e algumas turnês, e eu estou apenas tentando ficar ocupado.

[A.A] Deixe uma mensagem para nossos leitores.

[MJ] Se você quiser ver o que eu estou fazendo, shows, discos ou notícia, você pode conferir em www.maxjohnsonmusic.com. Além disso, vão a mais apresentações ao vivo! Não necessariamente a minha música, mas apenas qualquer música, as pessoas estão dependendo muito da internet para apreciar música, e realmente não é tão bom. Vá ver uma orquestra! É muito melhor do que os fones de ouvido. E também, Schoenberg é o melhor.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Interview With Max Johnson

Max Johnson is a bassist who lives in New York. Active in jazz and bluegrass scene with a strong focus on improvisation, he has performed in Europe and the United States. If you search his name on Google you will find many favorable reviews.

As I like much of his work, I was glad he agreed to answer some questions:
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How did you first come to be involved in the New York City music scene?

I was born in New York City and I grew up in Hoboken, NJ, so I was always around the scene, but it wasn't until I started going to college at the New School that I started to take myself more seriously, and go to every show and schmooze with every musician.


What do you most appreciate about you as a musician?


An interesting question! I don't know if I appreciate anything about my playing, I'm just trying to always get better. I always try to listen as much as possible, and in an improvised setting, I try to find themes in what everyone else is playing, and create variation based on that. I don't really know if I'm doing anything right, I'm just trying to practice and listen as much as possible.


You are very productive, so many releases in the last years. Do you sometimes have creative blocks?


I don't, I feel that as a composer and improviser, it's hard to have a block. I also haven't had a very long “career” to have blocks in. But anytime I can't compose anything I like, I just play more improvised concerts and then eventually I start writing some music I like again. I just love so many kinds of music, and so many particular musicians that I always want to be doing everything all the time, and I think that helps me keep busy.



Can you please describe how New York music scene is?


I've never lived more than an hour from New York City, and I haven't spent any extended amount of time anywhere else to really weigh in on any other scene, but from what I understand, New York is unique. It has more totally individual amazing musicians per square mile than anywhere else in the world, and for the most part, every one is involved in a lot of projects, and support one another. Any night of the week you can go out and hear some of the highest level music, and it's one of the most inspiring things you could possibly have.


How does New York influence your music, the way you write, create?


New York probably has a strong effect on the scattered nature of my music. The fact that there are so many amazing musicians that I want to play with is probably the reason I write so much and for so many different bands. There's just too many people that I want to make music with in this city, so I have to do a lot of writing, a lot of playing, and a lot of organizing. The rewards are worth it though, and in New York, you can literally play any kind of music with someone who's a master in that particular style, and it's humbling to say the least.


How was Big Eyed Rabbit recording session? Hard times, funny times, challenging times?


It was very easy, and very fun! Ross Martin and Jeff Davis are two of the nicest and most talented musicians I know, and being in a band with those guys is a blast. The recording was pretty easy, we just went into the studio and played about two takes of every tune, and what you hear is what we did.



How are your live presentations?



I try to weave the improvised and written sections as seamlessly as possible, and always try to make the music as tight as possible, while feeling as loose as possible. I don't know any other way to describe it, although every band is different, and every performance is different, so I just try to embrace what's happening in that particular day at that particular time.



What musicians are your medicines?



That changes from time to time. I don't tend to listen to music to get me out of a bad mood, or cheer me up, but there are certainly artists I can listen to anytime and enjoy myself. Black Sabbath, early 70's King Crimson, Jimmy Giuffre, Ornette Coleman, Tim O'Brien, Schoenberg, Merle Haggard, Captain Beefheart, Dexter Gordon, and Black Flag come to mind. Although recently I've been mostly listening to Erik Satie, Messiaen, Debussy, Louie Armstrong, and Webern.



Do you still listen the musicians you were hearing when you got into music?



For the most part, yes, although not all the time. I really was into classic rock when I started playing (I started on electric bass), and I still listen to Cream, Black Sabbath, Frank Zappa, King Crimson, and other stuff. I still love that music.
What are the mainly changes from “The Prisoner” to “Big Eyed Rabbit”?

Both groups actually started around the same time in the Spring of 2012, although they're radically different groups. I formed The Prisoner to play my suite of music based on the 1968 TV show of the same name, which features Ingrid Laubrock, Mat Maneri & Tomas Fujiwara. This group has been described by a few folks as very “european” sounding, which is the exact opposite of Big Eyed Rabbit. Big Eyed Rabbit is a collective formed by Ross Martin, Jeff Davis and myself, originally to perform traditional American folk, bluegrass and old time songs in a free improv environment. Since the group has involved to including orignal music by the three of us, and I really couldn't be happier with both groups.

As an artist, do you think criticism is still relevant? Do you read it?

I read everything that's written about me, because even if I agree or disagree, art is 100% subjective. It's nice to see what anyone thinks about what I'm doing because it's nice to see things from all perspectives. That being said, I am going to continue to make the music I want, and if people don't like one album, they may like another one, or they may not like any. You gotta like what you like!

How do other forms of arts influence your music?

I draw a fair amount of inspiration from other arts, I think it's interesting to try to translate art between mediums. I've written music inspired by and based off books, movies and television, and trying to translate the actions of characters, events, settings and dialogue to an instrumental medium is something I really enjoy trying to do. I find that it also helps create interesting non-conventional structures in music.

What projects are you involved right now?

Well, my main band for the last 3 years has been my trio with Kirk Knuffke and Ziv Ravitz, and we've put out two records, Elevated Vegetation (FMR, 2012) and the Invisible Trio (Fresh Sounds, 2014). We have some more concerts coming up this year, and hopefully we'll do another recording in the winter. I've also written some music for that band plus two additional horns (Michael Attias and Ingrid Laubrock), that I'm very happy with. Also, I've been playing with the indie rock band Arc Iris, and we're recording our 2nd album as well. I also have an improv record with Perry Robinson & Diane Moser coming out this winter. Other than that, I have a bunch of gigs, and a few tours, and I'm just trying to stay busy.

Please, if you want, leave our readers a message.

If you want to see what I'm up to, gigs, records or news, you can check out www.maxjohnsonmusic.com Also, go see more live music! Not necessarily my music, but just any music, people rely on the internet too much for musical enjoyment, and it's really not nearly as good. Go see an orchestra! It's way better than listening on headphones. Also, Schoenberg is the best.