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quarta-feira, 2 de março de 2016

The Ed Palermo Big Band- One Child Left Behind

Para quem conhece os lançamentos do Ed Palermo e sua banda de apoio, não é novidade que desde sempre temos ouvido lançamentos que musica de maneira jazzista a obra de Frank Zappa. Qualquer que seja a intenção do compositor em fazer tantos covers (há poucas musicais originais aqui)- volta-se a atenção para a banda de dezessete integrantes.

As interpretações diferentes são todas arquitetadas por Palermo enquanto os outros vários instrumentos destacam musicas (novamente, a maioria de Zappa) com a sonoridade característica das big bands. É fácil, com o talento óbvio que os músicos exibem, sentir em One Child Left Behind vontade de dançar, já que tudo é realizado numa positividade reinante, o que tira um pouco o ar “esquisito” como as canções ficaram originalmente conhecidas. Eu não conheço muito a obra do Zappa e gosto muito das tradicionais big bands dos anos 50 e 60 e o conjunto de Palermo não deturpa nem a memória do Frank nem essa celebração de certa época. Comandados por Ed, a banda altera as percepções e curiosamente deixam as canções mais acessíveis- especialmente para quem é introduzido no jazz. De qualquer forma, as releituras da obra de Frank e as outras canções mantém certo swing e alçam ao máximo os encontros entre instrumentos e o que poder ser realizado a partir desses andamentos. Há muitos que talvez façam a pergunta de qual a relevância disso e ela pode ser respondida citando o corpo sonoro que Palermo vem solidificando e como a visitação de uma determinada época opera como instrumento de memória.


Finalmente, toda a obra de Palermo tem atravessado gerações e acolhendo resíduos tradicionalíssimos para musicar as homenagens que Ed tanto deseja. Vai além de usurpar a memória do jazz e do Zappa para comercializar arte- é a manutenção de um espírito.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Fire!Orchestra: Second Exit (2014)




Sempre se pode conseguir tirar algo de coisas que a gente não imagina que tenham valor”, Alice Munro.

Em todos os sites que acompanho sobre música, foi batata, o último disco do Fire! foi considerando um dos grandes álbuns de 2013. Muito em função disso, Mats Gustafsson, líder do projeto, pôde levar sua orquestra com mais de trinta músicos para uma extensa turnê.

Teoricamente, os acordes e sessões do Second Exit são iguais ao Exit, pois é um registro ao vivo deste álbum. Mas há algumas alterações, os vocais de manifestação da mente por Mariam Valentin e as frases condutivas de Sonja Jernberg ocupam muito mais o segundo plano do que no álbum de estúdio, deixando as guitarras e eletrônicos muito mais presentes. O mesmo ambiente “eterno” é instalado, para que variações dos mais diversos instrumentos possam se encontrar e trabalhar em microssessões.

Os diálogos entre saxofone de Elin Larsson e trompete de Goran Kajfes são inacreditáveis – mesmo por debaixo de todos os instrumentos, é uma das conversas mais interessantes entre os microduetos que se formam-, Oren Ambarch (que já fez um álbum colaborativo com o Fire!) emerge toda a orquestra atrás de uma maravilhosa e ruidosa parede sonora, em dado momento os eletrônicos que tomam conta, desvirtuando toda a direção que a peça vinha tomando.

O álbum é um conjunto de ruídos delirantes, rock encardido, barulho de tralhas excêntricas, interceptação de componentes de diversas categorias, instrumentos desacompanhados em combate ao desempenho de grupo, basicamente a premissa do jazz livre incorporada em terrenos como krautrock, psicodelia, improvisação eletro acústica.

As duas peças são admiráveis, obviamente quem gostou do Exit vai se interessar demais. Talvez seja mesmo mais uma edição para quem gosta de acumular discos, etc., mas também perpetua os barulhos em nível de arte, estabelecendo-se como vanguarda na concepção sonora mesmo no vasto terreno da música contemporânea.