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domingo, 17 de agosto de 2014

Entrevista com Is Anybody There?

Totalmente baseado no "faça você mesmo", o "Is Anybody There?" é uma dupla de São Caetano Do Sul, São Paulo que emerge em sentimentos do dia-a-dia para potencializá-los através de música. A sensação de que a vida pode ser bem mais do que é e de que pequenos momentos que realmente importam. A dupla é composta pelo Rafael Imamura que conduz a percussão, e Rodolfo Gatti (violão/voz) que respondeu algumas perguntas, falando sobre seu estilo de composição, bandas favoritas, envolvimento com a música e mais:
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As músicas do “Is Anybody There?” são muito convidativas, atraentes e íntimas. Por que a opção de ir mais “para esse lado”?
R: No momento que penso em escrever uma canção, penso em tudo que vivi e tudo que estou vivendo. As vezes até, me inspiro nas situações íntimas de outras pessoas. Atualmente tenho escrito mais músicas de amor, com base na Gabriela, minha namorada e algumas letras com bastante ódio, raiva, a respeito da hipocrisia, moralismos e também dos políticos.

Seu trabalho do dia-a-dia  influência, de alguma maneira, suas músicas? Como é o processo de criação do instrumental?
R: O trabalho influencia, principalmente quando estou cansado e pensando em desistir de tudo. Quanto ao instrumental, o processo é simples. Faço os acordes e se sentir que aquilo tocou meu coração é o que vai ser. Não tenho noção de partitura, nem de porra nenhuma, deixo as 6 cordas me guiarem de uma forma transcendental, mágica e divina (divina no sentido de incrível e não no sentido, deus está me guiando, ou algo do tipo, pois não creio em deuses e religiões)

Quais são as bandas que mais te influenciaram?
R:As minhas maiores influências para compor são: Érico Junqueira, Nenê Altro, Legião Urbana, Portishead e Radiohead.

Como São Caetano atua na maneira que você compõe a música?
R: Creio que São Caetano não atua em quase nada. Apesar de ter bons amigos aqui, não sou fã daqui, meu coração é expatriado de São Caetano, São Paulo e Brasil. Creio que o universo todo atua na maneira, com seus eventos cotidianos, seja fora da terra, como dentro dela.

Lembrando-se de tempos mais distantes, como você se envolveu com música?
R: Desde pequeno tenho influências do rock, MPB e bossa nova, graças aos meus pais. Meu pai sempre foi um ás do violão e isso também sempre me deixou louco para aprender um instrumento. Aos 16 anos comecei a tocar violão! Uma sensação maravilhosa, uma liberdade gostosa. Não sei como explicar, sério! Atualmente canto e toco cajón também, se precisar haha. Quero aprender a tocar a gaita que meu pai me deu no ano passado, espero que consiga!


Quais são as coisas que você escuta hoje, que ainda escutava nos tempos de garoto?
R: Vamos ver, hummmm... porra, tem o Capital Inicial, mesmo achando que o Dinho ouro Preto é um trouxa, o Linkin Park, Gorillaz, Nirvana, Good Charlotte, Djavan, Iron Maiden, Green Day, Nenhum de Nós, Engenheiros, Legião Urbana, Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo, Raul Seixas entre outras aí.

O  “Is Anybody There?” tem planos para esse ano?
R: Nesse mês de agosto fechamos um contrato com uma “gravadora” independente chamada Selo MIV. A proposta dos caras é ajudar o cenário independente brasileiro sem alterar estilo musical da banda, letras da banda ou vestimentas. Com essa parceria aí, gravaremos um novo EP em Novembro.  Além dessa gravação do EP, eu gravarei uns sons, como se fosse projeto solo para jogar no youtube. Um deles, intitulado Ideologia, terá a participação do Batata (Douglas Barbosa). Acho que só, tudo que veio em mente por agora.

Explica pra galera como funciona o Musicômio.
R: O musicômio é um programa que passa toda quarta feira das 21h30 às 22h na www.radionagem.com.br  e tem como objetivo ajudar o cenário independente. Toda banda que tiver um som gravado pode mandar mensagem via inbox na facebook.com/musicomiooficial e solicitar participação no programa.

É isso ai mano. Deixa um recado pros nossos leitores. Valeu!
R: Um recado? Afaste-se de tudo que faz mal, não deixe professores retrógrados acabarem com seus sonhos, não seja escravo da política, seus sonhos não cabem em uma urna.Liberte-se dos dogmas religiosos! Acredite no que quiser, mas você sabe que não precisa de um líder religioso para dizer-te em quem acreditar ou para cagar regras na sua vida. No fim das contas a política e a religião só querem adestrar você, te condicionar em um sistema podre e falido. Não seja mais um que apóia a repressão policial e lute para que seja livre, livre para fazer o que quiseres. Fume, beba, leia, ria, ame, faça o que quiser, mas não interfira na vida de outra pessoa, faça o que quiser, mas saiba os riscos que isso trará a você.
E pra fechar, um trecho da música “A Vitória” do Dance of Days: “Hoje celebramos a nossa vitória contra o império da tristeza e do medo da escuridão. Nunca mais viveremos à sombra de teus deuses e reis!”
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domingo, 30 de março de 2014

Splits- Joie De Vivre, Prawn, Run Forever, Adventures



Prawn / Joie de Vivre- Split [2014]


  


“... cercados por uma variedade de gente de fora, essas pessoas de dentro não tinham aspectos de pessoas normais, afinal”, Alice Munro

Tem uma distinção clara entre essas duas bandas, embora elas mais ou menos sigam a mesma tendência que tanta gente tem insistido em chamar de revival. O que vemos no Joie De Vivre são canções melancólicas, meio-tempo e as guitarras “twinkly”. O Prawn utiliza muitos elementos de pós-rock, aliando todo um cuidado com o processo instrumental e as habilidades líricas tipicamente emotivas. Mas apesar dessas aparentes diferenças, ambas unem-se para criar o lançamento mais legal do emo nesse ano, por enquanto.

Por sua vez, o Joie De Vivre continua na linha de seu último lançamento cheio, We’re All Beter Than This: canções curtas, menores que três minutos. Apesar disso, cheias de momentos realmente memoráveis. Diferentemente do tempo de duração de suas músicas, a banda está interessada em instantes que realmente capturam, como no trompete que acompanha a bateria detalhada, as dedilhadas de guitarra e as explosões desta com a voz imbatível do Brandon. Ora, esse segmento e imposição de certo estilo musical, ou modo de criar sua ambientação estética, catapulta o Joie para uma banda distintíssima, seja pro bem e pro mal. No meu caso, eu adoro.

Quando o disco atinge a parte do Prawn, o jogo já está ganho, e a banda completa com sua deliciosa simplicidade, instrumental detalhadíssimo com pausas dramáticas, referências às séries de TV. A banda continua brincando com as estruturas do “gênero”, e se mostra aqui um conjunto com mais vontade e irreverência do que nos lançamentos anteriores. Os sentimentos, claro, à flor da pele, invocando uma bela paisagem melancólica passiva, contemplativa.

E alguém talvez possa dizer: “mas em apenas cinco canções, esses rapazes conseguem lançar algo que é de substância?”. A resposta: sim. Hoje, nessa moda insuportável de apelidar qualquer banda na estética de ambas como “emo revival”, esses conjuntos mostram algo: há sim coisas importantes acontecendo entre pequenas gravadoras e as bandas que elas abrigam. A música independente e o coração agradecem.

 
 




Adventures / Run Forever 7″ Split [2014]










Certa aptidão ocorre no indie internacional: aumentar o volume dos instrumentos e abaixar o vocal, e eu amo isso! O fator “superprodução” é um saco, limpar todo o som é uma merda, a vida não é sempre tão arrumadinha e certinha. Aliás, a minha, quase nunca. As coisas que passam pela minha cabeça, meu deus, tão incertas e esquisitas que pedem tipos musicais cada vez mais improváveis e anormais. A minha vida é feita de tantas incertezas- música é uma das poucas certezas- que é bom saber que existem pessoas do mesmo jeito, passando pelas mesmas merdas (minha meta nesse post é quebrar o recorde de “merdas” em uma única postagem).

Na união do Adventures com o Run Forever, é realizado um trabalho pequeno, porém muito inteligente. A comunicação entre ambas as bandas não poderia ser melhor, oriundas de Pittsburgh, o dialogo musical é realizado baseado em guitarras muito altas. Apesar disso, as diferenças são evidentes na primeira ouvida: em “Call Me At Night”, o Adventures usa uma tonalidade extremamente distinta. Dentre a qual, um casamento de guitarra/voz que causa um ambiente conturbado. Em 1994, isso seria muito mais elogiado, mas não é simples retromania, e sim desenvolver baseado na mentalidade de vinte anos atrás para conseguir soar refrescante hoje, e conseguem. O mesmo esquema é seguido em Thin, ainda um pouco mais lenta, com os vocais escondidos atrás do barulho instrumental.

Já o Run Forever começa com “Headlights”, uma faixa que lembra muito Basement. O que remete, na verdade, a muitas bandas que transitaram do hardcore melódico para um clima mais arrastado, com texturas de guitarras. No que se refere a uma apresentação ao vivo, essa música tem tudo para deixar algumas cabeças zunindo. Ao final, “Lost This Feeling” completa o sentido da primeira canção, não sendo tão pesada.

Em aproximadamente dez minutos, fãs de ambas as bandas e também de outras do gênero, sairão muito satisfeitos. Após ouvir essas quatro faixas, é bem provável que você comece a gostar das duas bandas- ou se era fã de uma, apreciar a outra.