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domingo, 22 de dezembro de 2013

Football, etc.- Audible [2013]

“Sem humor, a vida é duma atroz obviedade.” — Zuca Sardan

O mundo não é justo, e alguns discos nos lembram disso entusiasticamente. As pessoas vivem em torno de objetivos tão concretos e eu me sinto um fracasso completo em tudo. O disco me lembra disso também. Quando a doce voz de Lindsay inicia falando “this cant be right”, eu compartilho da mesma sensação dela. Os vencedores nunca desistem, então resta aos fracassados constatarem suas inúmeras falhas. E eu que sempre prometi não falar dessas coisas novamente.

and you try
and you fail
every time”.

Eu preciso de um tempo longe disso tudo, o mundo tão barulhento e não soa nada de substancioso. Um tempo ouvindo Audible, isolado das pessoas. Para lembrar que estou em um vácuo e há outros nesse vácuo. Que dessa zona onde tudo é infértil, pode surgir algum compartilhamento e daí existir admirando o mistério das coisas. Talvez tudo mude e eu não passe a ser tão sozinho.

Outra madrugada e retorno sozinho. Pensando em todas as minhas escolhas que fizeram ficar nessa condição. Nada disso pode estar certo, não é assim que as coisas deveriam ser. E estou aqui, de novo, reclamando de tudo, fingindo que tudo que faço tem alguma importância e alguém liga. Então é melhor colocar o som, tentar ficar em paz com minhas memórias. Prometer se esforçar para ser uma pessoa melhor. Tentar, apesar de frequentemente falhar. Porque só o tempo é perdido, o resto fica a deriva e nos esquecemos como lembranças mais caras da primeira infância. Tentar sair dessa escuridão.

“i think i needed
some time in silence
scared shitless
and shaking
and needing
every second of it
but can you see me
it's dark”

sábado, 21 de setembro de 2013

Penfold- Amateurs and Professionals [1998]

“... E pela primeira vez na minha vida eu quero chorar e sorrir ao mesmo tempo.”

A tristeza é um dos sentimentos mais fáceis de retratar através da música. Um tom menor, um tempo lento e uma melodia vocal triste e pronto! Mas fazer isso convincentemente e bem é outra história. Enquanto nunca se atrevendo a quebrar as paredes do emo/indie, Amateurs and Professionals constantemente gera uma atmosfera solene bonita e emocionalmente grande, e embora eles talvez não estivessem seguindo os passos de seus contrapartidos, eles têm a certeza de cimentar seu próprio sabor ao longo do caminho.

Seu “sabor” é um dos que tremulam entre melodias doces de guitarra e seções ásperas e nervosas, mas sempre carregadas pela voz. É compreensível como algumas pessoas acham o timbre do vocalista repetitivo, às vezes até um pouco choroso, no entanto eu já ouvi gente falando isso do Jeremy Enigk. As melodias vocais são a força matiz real por trás das canções para a maioria- a outra instrumentação meramente provendo um plano de fundo para o vocal que às vezes aparenta ser difusamente fora do timbre, mas para um efeito positivo! A produção limpa e fresca permite que a instrumentação típica “indie” venha à vida até nas seções musicais mais simples.

Com os guitarristas providenciando uma tela de arpejos delicados enquanto o vocalista pinta a faixa com suas melodias sombrias. Comparações com as artes não são inadequadas na verdade; o quão subjetivo o termo “arte” possa ser, a maioria concorda quanto à arte ser expressão.

Não apenas eles trabalham sua mágica empatia em uma velocidade baixa, eles também são capazes de empacotar uma energia nervosa e habilidade musical em suas canções para sentimentos acrescentados. Não é incomum para uma música perder um pouco de sua emoção quando a banda está claramente se escondendo atrás de simples mudanças de dinâmica e uma parede de distorção, no entanto o Penfold usa seu senso de alta instrumentação com moderação, para um bom efeito!

Isso não será a gravação mais original que você vai ouvir, e nem será a que mais cortará seu coração, mas é um lançamento inspirado com sentimento e humor. Como o título do EP sugere, algumas partes são amadoras, outras profissionais. Mas o Penfold é certamente um porta-bandeira itinerante da tristeza. Amateurs and Professionals é um álbum que coincidirá perfeitamente com um dia chuvoso.


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Benton Falls- Fighting Starlight [2001]

O primeiro capítulo na  carreira de uma grande banda!

Benton Falls merece cada tanto de crédito que lhes é depositado, porque é raro encontrar uma banda que assume um gênero comumente criticado, nesse caso “emo”, e transforma em algum realmente brilhante! “Emo” não merece as pedradas e flechadas às quais é normalmente sujeitado, e a simples existência do Benton Falls é prova disso. De fato, esse álbum, “Fighting Starlight”, é uma evidência dessa noção, entregado com habilidade consumada e emoção crua.

As canções podem ser sobre o relacionamento tenso, porém amoroso, entre mãe e filho. A voz de Michael Richardson é um dos fatores chaves que fazem dessa banda tão única- ao invés de ser vítima de um gemido estereotipado, seus vocais são fortes, claros como um sino, e embebidos com uma profunda melancolia que é difícil não afetar! O fato de que ele toca guitarra tão brilhantemente, enquanto canta, com o igualmente excelente Gerb apenas promovem seus talentos óbvios. Isso é mostrado quando ele guia a faixa através das mudanças de tempo e de curso, clareando todos os momentos, com guitarras distorcidas batendo com a mesma facilidade. Maravilha.

As canções tem uma dualidade soberba; a paleta sonora vai do rock chill-out para um emo áspero em um piscar de olhos, com partes mais frias deixando a canção única. As partes pesadas são mais fortes do que se imagina, mas o fato de que o Benton Falls nunca abandona toda a melodia e evitar terminar com um rock dilacerante é tão refrescante- ao invés disso, eles retornam para uma vibração calma e meditativa, e terminam suavemente, deixando a certeza de que algo incrível esta por vir a caminho.

E você está certo em pensar nisso! O grito de Richardson é excelente- cru e nu (sem produção fresca para fazer os gritos ficarem bonitinhos), pairando sobre a música, não caindo nas armadilhas simplificadoras do screamo.

As letras comoventes são apoiadas pela instrumentação soberba. As guitarras são temíveis, com riffs mordazes e preenchidos, dominando e combinando perfeitamente com os vocais irritados ainda vulneráveis de Richardson.

Os vocais de Richardson são realmente difíceis de culpar. E aqui eu gostaria de creditar a bateria de Eli Deering e o baixo de Vance Gore. Os dois homens têm uma sessão rítmica impecável, segurando as ranhuras tristes com facilidade e adicionando uma tensão que é bastante notável. Eles são fortes através de todo o álbum!

A guitarra ascende acordes melódicos numa espiral de harmonia, com grandes letras conceituando o pacote. Isso continua até o fim, quando o riff bate com tal ferocidade que vai  explodir seu cérebro!

As linhas de guitarras suaves entrelaçadas de Michael Richardson e Gerb, Vance Gore gentilmente pulsando o baixo, e a bateria decisiva de Eli Deering ressaltam todo o ambiente sofisticado/triste estilístico do álbum. Uma grande peça de música em seus próprios termos!

'Fighting Starlight' vale cada centavo, simples assim! A musicalidade brilhante, letras sinceras, guitarras soberbamente ritmadas, o baixo pulsante e a bateria nítida adicionados na mistura e se você ouvir esse álbum, invariavelmente vai escutá-lo de tempos em tempos. Simplificando- ouça isso, e não vai mais olhar pra o midwest emo do mesmo jeito.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Park Jefferson – Childhood [2010]



Felizmente, Park Jefferson não é somente melhor que as bandas antecessoras dos membros, mas ultrapassa bastante seus predecessores!

Childhood é um EP com três canções escritas em uma semana. As canções lidam com relacionamentos antigos, figuras paternas e amizades. Todos os temas bastante aflorados. Surpreendentemente, esses assuntos são explorados de forma autoconsciente e sincera. Isso leva a pedradas preciosas como “Estou inquieto como o verão/ Desgastado, como cartões de dias dos pais/ Gotejando da janela do piso superior/ Eu vomitei sangue e bati o carro”... Essa sensação de insuficiência que melhor explica o álbum.

Os vocais de Stutsman são poderosos, familiares e às vezes, assombrosos. Juntamente com suas letras, seus vocais são capazes de passar uma grande sensação de conforto e no fim disso tudo, você fica se perguntando por que ele não tinha manipulado os vocais tão bem nas suas bandas anteriores. Apoiado pelo talento de sua banda (a qual é constituída pelos restos da outra extinta banda de Midwest screamo, My Head In Clouds) a música é apertada, twinkly, e incrivelmente bem conduzida! É difícil não gritar junto à totalidade do EP.

Finalmente, o que você ganha com Childhood são três canções escritas por um grupo de adolescentes extremamente talentosos, mas não importa quanto talentosos sejam, é aparente que ainda são adolescentes! No entanto, isso não é algo ruim, dado que a maioria totalidade da cena revival emo é construída sob as costas de adolescentes angustiados. Então, claro, pode não ser nada exatamente novo, mas Childhood é uma estreia extremamente boa que mostra uma riqueza potencial na banda, o EP foi escrito dentro de uma semana. Só nos resta imaginar o que eles escreveriam em meses.

Vamos esperar para não demorar bastante tempo um novo lançamento!