CURTA NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK

Mostrando postagens com marcador #IDM. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #IDM. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Cadu Tenório- “Cassettes” [2014]



Em meio ao impiedoso caminho que o carioca nos confina em uma tensão poderosa, sinto que não há formas de se libertar da perpetuação entre tantas sobreposições. Não se trata de um amontoado, pelo contrário- é um artista que evita obviedades para nos imergir em um espaço temporal completamente desconhecido.

Em Cassetes, não há propriamente uma lógica clara, embora deva existir uma espécie de coerência artística interna, onde Tenório transita entre diversos terrenos experimentando sempre. Não sei bem as especificidades eleitas pelo músico, mas cada uma das quatro faixas se manifesta evidentemente diferente das outras.

Já com quinze segundos de Prematuro, a primeira faixa, estamos deslocados na extensão dissonante fragmentada, onde há instrumentos de corda, vozes ao fundo e elementos eletrônicos que tentam se comportar como unidade, em meio a disparidades. Descobrimos-nos frente uma parede sonora, que parece sempre repetir o caminho. Como lógica não é o ponto, as transições mais naturais são cortadas por ecos. E tudo é parte da peça: os ruídos, vozes e elementos harmônicos crescem, diminuem outros sons- um coletivo flutuante disseminado.

Para acalmar à sua própria maneira a catarse que é ‘Prematuro’, as próximas duas faixas são mais simples, ainda assim envoltas em múltiplos elementos. Ambas são injunções de barulhos domésticos, e você vai provavelmente ter que aumentar o volume para entender melhor respectivos mecanismos. A experiência fica baseada justamente na modulação e manipulação de Cadu, que interrompe o processo para nos lançar em outro ambiente. Estamos, então, em outro tom mais harmonioso e aconchegante.

‘Ventre’ fecha o ciclo, recuperando parte do encanto de Prematuro, embora a estrutura aqui seja mais fragmentada pertencente a capacidade de apreensão do ouvinte. Nem as referências claras a outros trabalhos tiram sua força própria- na imersão abstrata hipnótica.

E o que nos liga entre os recortes propostos por Cadu, mesmo que as interrupções surjam a todo o momento, é um ambiente contínuo que se estabelece por não tão claras conexões melódicas. Cassetes é um espaço vazio para as colagens, que revelam um músico distante de uma autoconstrução racionalizada, em meio a reflexões múltiplas que contemplam uma obra carregada e sombria.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Boards of Canada- Tomorrow's Harvest [2013]

Este descampado (ermo
sem fundo) onde não há ermida ou
alpendre: tudo é deserto
e as vozes dos deuses
se confundem nas sarças
.”, Adriana Lisboa.

Do jeito que você esperava!

Não podia não resenhar o meu álbum favorito de 2013, e logo depois de oito anos de espera (bem, nada que um fã convicto não suporte). São oito anos que provavelmente qualquer um que goste do duo escocês pôde se debruçar sobre três discos incríveis; The Campfire Headphase (2005), Geogaddi (2002) e Music Has the Right to Children (1998). Três discos certeiros que catapultaram o BoC para um status altíssimo na cena eletrônica ambiente. Toda essa espera, obviamente, reúne ansiedade para que os lançamentos não sejam apenas a sombra do trabalho anterior. Felizmente, o duo nos brinda com um lançamento à altura de suas realizações!

Mas por razões óbvias (os discos são sempre hiperproduzidos), a ansiedade se justifica mais porque querer ouvir algo novo do que desconfiança da dupla. A consistência do BoC permite que qualquer anúncio prévio- como o duo publicou no site- deixe os fãs demasiadamente eufóricos,  embora não seja muito provável que obras-primas como Geogaddi ou Music Has the Right to Children sejam repetidas.

Os irmãos têm como método de gravação buscar equipamentos muito velhos, estudá-los com afinco, para depois juntar os restos e construir uma música a partir daí. Eles passam, então, o barulho original de um equipamento, digamos um aparelho VHS, para uma melodia harmônica superproduzida. Por isso tantos anos entre seus lançamentos, um preciosismo e apoteose criativa relacionada à produção estética que assusta qualquer criador de música a partir de fórmulas pré-estabelecidas e relativamente simples.

Como um todo, o álbum explora um retorno/avanço a uma época de sons primitivos e originais. Esse retorno/avanço é concluído pelo fato de muita pouca voz via samples (o que sempre foi sempre muito utilizado pela dupla). Apesar de todos os sintetizadores e texturas, Tomorrow's Harvest é com certeza a trilha sonora para a solidão, em um ambiente onde a humanidade é deixada de lado.

Mas, mesmo nos isolando em cacofonias com samples desconexos, o BoC ainda reutiliza elementos dramáticos de sua discografia. Entre estes, faixas como “Split Your Infinities”; um ambiente vasto de percussão intimamente ligada ao que se convencionou chamar de IDM. Enquanto eles se destacam em criar intimidade e desolamento, a dupla não fica tão confortável com ambientes menos hostis e mais abrangentes. Embora o impacto inicial expanda aparentemente as possibilidades do disco, a abordagem não tão sutil da vastidão rende fáceis multi-interpretações e uma relativa confusão.

No entanto, essas faixas se destacariam se fossem isoladas em um EP, por exemplo, Come To Dust. Um lento eletrônico onde o andamento da música passa pelo núcleo da percussão. Também contêm uma melodia central apresentando sons divergentes que “caminham” livres durante a canção. Embora Tomorrow's Harvest seja muito mais direto e até “seco” do que os álbuns anteriores ele misteriosamente não perde a marca do duo, onde sempre nos perguntamos em algumas passagens; “o que é isso? Que influência é essa?”.

Talvez seja monótono o BoC lançar outro lançamento bom, muito bom- ou até mesmo eles chegaram em seu limite em termos de criação. É claro que a dupla carrega expectativas gigantes, assim como o corpo de trabalho que será seu legado. Talvez por isso tenham optado pela ambiguidade.

sábado, 3 de agosto de 2013

Ed Harrison- Neotokyo [2009]

Uma obra-prima cyberpunk acústica/eletrônica fortemente negligenciada!

Onde quer que você pise neste álbum, você sempre tem que estar ligado para encontrar algo diferente! Possuindo bateria quase naturais (lembre-se que é um álbum de música essencialmente eletrônica), violão e violinos, juntamente com texturas synth de bom gosto. A distinta fórmula acústica/eletrônica de Ed está no maior auge destrutivo. Entre tudo isso, esse álbum sustenta uma atmosfera claramente evocativa que não se perde entre a experimentação do álbum.

Se você é um fã de música eletrônica, um pouco fanático por animes (meu caso), ou um fã de música heterogênea, eu recomendo verificar esse álbum! 

PS: Abaixo tem o link para download de ambos os discos, e melhor, liberado gratuitamente pelo artista.

>>> DOWNLOAD CD 1 <<<
>>> DOWNLOAD CD 2 <<<