quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Entrevista com The Jazz June



Caso vocês (ainda) não repararam, eu sou um grande fã do que se convencionou chamar de "Midwest Emo". Vocês sabem, Mineral, American Football, etc . Para quem já é introduzido no estilo, sabe que The Jazz June é uma das bandas embrionárias, que fez parte de toda aquela movimentação "faça você mesmo" nos anos 90, ainda assim desenvolvendo letras introspectivas e emotivas.

Bem, quão grande foi minha surpresa quando o guitarrista Bryan, avisou que ele e o vocalista/guitarrista Andrew, aceitavam ser entrevistados! O que talvez diferencie o The Jazz June das outras bandas daquela época (e que talvez seja ressaltado no seu recente retorno aos palcos, junto com o histórico Braid), seja as métricas "angulares" da guitarra, as constantes mudanças de tempo, com a dinâmica quieta/barulhenta tão característica daquelas bandas.

Abaixo a entrevista, mais duas fotos das recentes gravações que podem sair em um álbum novo, ou em diversos splits 7 polegadas:

1. Quais bandas são seus remédios?

Andrew: Eu sempre gosto de tentar diversificar as coisas que eu ouço, então no momento eu estou ouvindo uma velha gravação do Chrome, chamada Red Exposure, a primeira gravação do Audacity, uma canção do Groove Aamada chamada   Easy And Pentagram.   Quanto às bandas que influenciaram o Jazz June, eu diria que Fugazi, Superchunk, Archers of Loaf e Jawbox são bandas que eu sempre desejei poder participar.

Bryan: Dinossaur Jr, The Sea And The Cake, Jawbreaker, Fugazi, Samiam e Quicksand são as bandas da minha juventude que permaneceram próximas a mim através desses anos. Há álbuns específicos dessas bandas que administram os remédios.

2. Vocês percebem muitas mudanças enquanto artistas e pessoas dos garotos que gravaram They Love Those Who Make the Music e os homens que vocês são agora? Quais?


Andrew: Sim. Eu estava apenas dizendo ao pessoal que, apesar de re aprender as canções que vamos tocar para os shows CMJ, eu estou tendo memórias vividas à tona no meu cérebro daqueles tempos. Eu acho que eu era um pouco mais otimista, ainda assim mais nervoso naquela época da minha vida. Eu gostava da raiva crescente na cena hardcore, isso realmente me afetou na época. Também, eu cresci em Nova Jersey, então eu tinha muito daquele tédio suburbano misturado com a ansiedade da Costa Leste fluindo através das minhas veias.

3. Vocês vão tocar com Braid e outras bandas incríveis no próximo dia 19 de Outubro. Como o público está reagindo a todas essas grandes bandas emo 90 tocando de novo?

Andrew: Nós temos recebido respostas esmagadoras aos anúncios de que vamos tocar shows e gravar novamente. É ótimo que a música agüentou o teste do tempo e as pessoas ainda querem ouvir nossa música e de nossos amigos com quem fizemos turnês nos anos 90, e essas pessoas ainda estão aprendendo sobre isso.

4. Quais são sas boas coisas que vocês aprenderam em uma banda que só são possíveis de se aprender estando em uma banda?

Andrew: Tocar ao vivo, definitivamente. Muitas pessoas que nunca estiveram em bandas comentam que amariam fazer turnê, mas fazer turnês é, na verdade, uma existência muito chata. No entanto, quando você sobe no palco e fica cansado e canta com as pessoas que gostam de sua música, é um dos melhores sentimentos do mundo.

5. Há muitas bandas de apoio tocando em suas apresentações. Quais realmente te pegaram e vocês recomendariam para nossos leitores?

Andrew: Prawn e Enemies, é claro.

6. A progressão e os diferentes tempos são muito constantes na sua música. Alguns músicos particulares inspiraram ou veio naturalmente por causa de todas suas influências musicais?

Andrew: Don Caballero sempre foi uma enorme influência nos aspecto técnico de nossas canções. Nós sempre todos estávamos ouvindo jazzistas, como Ornette Coleman, John Coltrane, Dave Brubeck, Miles Davis e Charlie Parker na época da universidade, então isso deve ter aparecido gradualmente no nosso estilo.

Bryan: Da minha perspectiva, eu adicionaria Fugazi e Boys Life na lista do Andrew. Mais o Don Cab que ainda explode minha mente em pedaços.

7. Quais são os planos da banda, agora?

Andrew: Nós gravamos sete canções com o pessoal na Headroom Studios, na Filadélfia. Andy do Hot Rod Circuit e Sloss Minor está as mixando exatamente agora. Nós talvez vamos lançá-las como uma série de singles e splits de 7 polegadas, ou gravar mais algumas e lançá-las como um álbum. Esperançosamente nós vamos fazer mais algumas apresentações em 2014, mas é difícil porque eu moro em Londres e Bryan está em Charlotte e Justin e Dan estão na Filadélfia.

Bryan: Definitivamente lançar essas novas canções e relançar adequadamente o The Medicine em vinil. Além disso, trabalhar em nossos trabalhos de rotina, ser homens de família, tocar ao vivo em Nova Iorque e no mostruário da Topshelf Records, então voltar a gravar mais canções e colaborações através da internet.


Jazz June nas recentes sessões de gravação.

8. Eu imagino que vocês leram a carta que o Albini escreveu para o Nirvana. Vocês concordam quando ele diz que “se uma gravação leva mais de uma semana para ser criada, alguém esta ferrando tudo?” E quais são as maiores diferenças entre gravar nos anos 90 e hoje em dia?

Andrew: Eu não sei se concordo com isso. Eu realmente aprecio gravar uma canção e então desconstrui-la, adicionar camadas e ajustar as coisas no período pós-produção. Eu acho que a maior diferença para nós é poder conseguir gravar em casa. Por exemplo, para essas canções recentes, nós gravamos as faixas básicas no estúdio para uma fita análoga na Filadélfia. Eu voltei para Londres e gravei todos vocais digitalmente e  enviei por e-mail para o Andy adicionar ao mix final. Eu consegui fazer no meu tempo e gravar múltiplas tomadas sem pagar taxas de estúdio por hora. Nos anos 90 nós só tínhamos quatro dias para fazer uma gravação completa então muitas coisas eram feitas à pressa ou deixadas de fora porque nós simplesmente não tínhamos dinheiro.

Bryan: Eu concordo com a afirmação de Albini e compreendo que essa crença é realizável quando a banda opera em período integral, ensaiada, e preparada para entrar no estúdio para gravar um álbum. Sobre as diferenças dos anos 90 e agora, naquela época nós saiamos do estúdio com gravações originais em fita, agora tudo é realizado inteiramente no computador e a maioria das gravações são feitas em casa. Suficientemente interessante, nós usamos fitas e computador nas nossas últimas gravações, então estamos construindo pontes entre as épocas.

9. As cicatrizes lhe provaram algo?

Andrew: Essa canção surgiu quando fazíamos muita turnê e cedíamos muita de nossa energia e vida à banda. Não era sempre divertido estar longe da família e dos amigos na estrada, nós nunca fizemos muito dinheiro então poderia ser uma batalha. Não estou reclamando, mas não era sempre festa e toneladas de cerveja. Foi daí que o nome da canção surgiu, cedendo tudo a uma banda e ter as cicatrizes para provar isso. Esse conceito se tornou relevante novamente quando nosso roadie, Andy, teve uma cirurgia para remover um tumor cerebral, então foi por isso que escolhemos esse nome para um álbum beneficente.

10. Pensando em todo movimento emo 90, eu só posso lembrar do Appleseed Cast não terminando. Vocês têm alguma idéia de porque isso ter acontecido com praticamente toda cena emo dos anos 90?

Andrew: Para nós, realmente nunca terminamos, mas nós paramos de tocar regularmente e fazer turnê porque nós tínhamos família e obrigações pessoais que tornava complicado estar na estrada com a banda. Ao mesmo tempo grandes gravadoras estavam mergulhando e assinando com bandas emo na esperança de que elas poderiam monopolizar o sucesso comercial crescente do gênero. Isso deixou o negócio um pouco mais brutal e nós fomos desligados disso tudo. Apenas não era tão divertido, eu suponho. Eu ouvi histórias similares com outras bandas daquela época.

Bryan: Eu acho que muitas bandas começaram na faculdade e uma vez que aqueles anos de universidade acabavam, era época de arrumar um emprego e pagar por sua educação. Nos anos 90 você precisava estar na estrada para encontrar um novo público e vender gravações. Muitas bandas dissolveram porque fazer turnê todo o tempo era exaustivo ou os membros da banda afastaram-se depois da universidade ter acabado, tornando impossível fisicamente manter a banda junta. E ainda ficou um pouco esquisito aquele período delineador do rock-pop-punk-emo.

11. Os membros da banda tiveram outros projetos desde que o Jazz June parou de tocar. Vocês podem nos contar o que aconteceu musicalmente entre esses anos?

Andrew: Dan e eu estivemos no Snakes and Music por alguns poucos anos. Bryan costumava tocar conosco de tempos em tempos no nosso último álbum, Isabelle. Justin e Bryan estiveram numa banda juntos, chamada Ready to Rip. Há outros projetos que também nós todos fomos envolvidos, como as gravações solo do Bryan que todos nós tocamos e Wake up Dead que eu comecei por volta de 2005 e tocamos juntos até hoje.

Bryan: Eu tenho escrito música, no mínimo umas 100 canções que nunca ninguém vai ouvir. Eu costumo apenas fazer uma “jam” com meus amigos músicos durante todos esses anos, nunca mirando em algo sério porque eu estava focado em apoiar minha família. Recentemente, realmente esse ano, eu tenho estado motivado em transformar meus anos de composição em canções plenamente realizadas para o Jazz June e outros projetos.

12. Aqui, no Brasil, muitas pessoas estão descobrindo as bandas de 90 só agora. Há um número razoável de pessoas ouvindo seus álbuns, os álbuns do Mineral, American Football, etc. E sobre as novas bandas, quais do tão chamado “emo revival” vocês acham que se tornarão grandes? (musicalmente falando, é claro).

Andrew: É legal ver que este pequeno subgênero do indie rock está rompendo a um público mais amplo. Houve muitos comentários sobre o aspecto “revival” nas últimas semanas, então vou manter minha opinião sobre isso curta... Boa música permanece contra o teste do tempo, vamos ver quem dessa Era “revival” vai permanecer daqui há 5 ou 10 anos.

13. O que me fez amar sua banda por volta de 2007 (quando um bom amigo me mostrou suas canções) eram as letras introspectivas combinadas com as ótimas mudanças sonoras durante todos os álbuns. Quais bandas vocês gostam que tem esse tipo de característica?

Andrew: Liricamente, eu sempre achei que o Blake Schwarzenbach sempre colocou muita idéia e esforço em escrever muitas letras poéticas. Eu também admiro as letras do Stephen Malkmus para os álbuns do Pavement. Eric Bachmann também é um gênio lírico. Musicalmente há muitas bandas que eu admiro para mencionar. Enquanto há alguém tentando fazer coisas fora do molde tradicional popular eu terei tempo para isso.

14. É a última. Realmente agradecido. Vocês podem dizer qualquer coisa, salvar o mundo, fazer piadas. Por favor, se de algum modo um de vocês vier para o Brasil, me falem e vamos beber algo.

Andrew: Eu não sei se você leu meu posto no blog do Washed Up Emo, mas aquelas provavelmente são as coisas mais bizarras e engraçadas que aconteceram com o Jazz June.

Nós adoraríamos sair com você e beber junto. Diga a qualquer promoter que você conheça que nós adoraríamos tocar no Brasil para o pessoal. Obrigado pela entrevista.

twitter: @thejazzjune

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