domingo, 27 de outubro de 2013

Crash of Rhinos- Knots [2013]



De todos os lados, brotavam feridos no mato bombardeado, atraídos pela possibilidade de se protegerem. A entrada da vala estava horrível, abarrotada de feridos graves e moribundos. Uma figura nua até a cintura, de costas abertas por um ferimento, apoiava-se à parede. Outro, com um naco triangular de cérebro pendurado no crânio, não parava de berrar de forma estridente e tocante. Ali imperava a grande dor, e pela primeira vez eu vislumbrava as profundezas de seu reino através de uma fresta demoníaca. E as explosões não paravam.” Ernst Jünger.

Dessa vez, devaneios.

A chegada do Crash Of Rhinos na cena emo britânica foi uma sacudida muito necessária, uma estreia notável com sonoridade fresca que emocionava desde a primeira ouvida. Distal era uma festa em casa, um convite aberto para erguer uma raquete, derramar bebidas, rir alegremente. Esses rapazes gritavam suas preocupações para longe com um braço em volta dos seus ombros, persuadindo-o a fazer o mesmo! Apesar de ser uma banda emo- eles ostentavam o mesmo alvoroço e camaradagem como o Japandroids e Titus Andronicus, levantando os pulsos com fervor. No entanto, seus gritos de guerra desconsideravam qualquer mensagem definida, favorecendo a liberação pura em slogans ingênuos- “Eu tenho um futuro no fracasso” sendo o mais memorável. Para aqueles que encontraram a deixa para cantar junto, essa gravação se tornou muito amada e incessantemente bem-vinda.

Ao apresentar Knots, fico tentado a dizer “isso é amadurecimento” ou outro clichê, porque essa é uma gravação muito mais contemplativa. Crash Of Rhinos agora rumina sobre seus problemas ao invés de lançá-los em jams catárticas. Onde a banda desce de passagens melódicas até as mais contemplativas dando espaço para respirar, persistindo na reflexão até que o clamor seja apenas uma memória vaga. É uma mudança arriscada para uma banda cuja estreia fez sucesso por sua comoção, e marca Knots com o ônus de indenização. Apropriadamente, porém, eles deram um passo à frente instrumentalmente e liricamente. O título do álbum é indicador preciso: nós intricados, jogo de guitarra matemática que confunde a mente, desejos e complicações, nós que amarram e quebram em relações humanas. Apreciar esses aspectos é a chave para gostar do álbum, enquanto Distal quebrava sua mentalidade. Essa é a melhor pista que eu posso oferecer para quem está em cima do muro em relação à Knots.

Crash Of Rhinos deu um passo além de suas influências para moldar um som mais estável e pessoal. Esse passo significa que foram também além da diversão “mais básica” que Distal proporcionava, trabalhando mais na composição, ruminando as canções com longas pontes que invertem os tempos (ainda assim ocorrem alterações vertiginosas de rápidas), enquanto o som matemático e angular perpassa enorme precisão. É um álbum mais gradual e que melhora com o tempo (não tem aquele “choque” do Distal, de pensar, “caralho, que foda” logo no começo), destacando uma banda muito jovem alçando voos demasiados interessantes.

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