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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Shio-Z – Contagious

Do resplandecente nascer do sol em uma costa tropical que, sedutoramente, se transforma em uma pista de dança dos anos 1980, Shio-Z mergulha nessa estética para colorir com neon e sintetizadores nosso novo 2016. O material de busca é incrível e é nesses andamentos, com tanto material que realmente vale a pena ouvir, que Shio-Z cria uma pista de dança nostálgica e imageticamente impressionante.


Essa grande ênfase no estilo retro com ênfase futurista (revisitando a ideia dos próprios anos 1980 do que seria o futuro) constrói sua própria espécie de imersão e é assim como se as luzes de neon dançassem em nossa frente em uma lenta caminhada, que seguimos com Contagious. A camada “etérea” percorre todo o disco e aos poucos amplia a tensão que, na primeira faixa, parecia inexistente. A audição vai se transformando num desfile de apropriações (signos, “estilos visuais”) e fica a sensação de que apesar do clima relaxante e extremamente dançante,  há algo à espreita. Apesar da curta duração, o EPé realmente contagiante com melodias memoráveis (em especial a robótica Harbinger Down) e desde seu início mais lento (a introdução do piano) ele consegue fisgar tanto fãs do que se convencionou chamar de “synthwave” às pessoas que gostam de manipulações eletrônicas que envolvem sintetizadores e o tão chamado clima “smooth” (suave). O clima que lentamente vai se impondo com os sintetizadores de música pop é muito fácil de cair, à medida que o interesse talvez não fique sempre atento porque as estruturas (tanto as das cinco faixas como a transição dentro de cada uma) não têm grandes variações. Mas esse não é obviamente o ponto de Shio-Z e ele nos entrega o que prometeu desde o início. O valor de Contagious não reside apenas no resgate de certa estética, porque o EP é certamente uma representação do quão essa estética vem sendo revisitada e modificada. Muitas vezes, cai na mera usurpação. Felizmente não é o que acontece aqui.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

BT- This Binary Universe [2006]

Talvez esse crítico tem dado, ao This Binary Universe, e em última análise ao BT em si, crédito demais. Talvez isso não seja tão inovador e revolucionário como eu tenho pensado. Afinal das contas, o neo-clássico/eletrônico já foi feito antes, com um sucesso muito maior que este. No entanto, isso não é um simples músico tocando para seus fãs, nem é um homem tentando tão desesperadoramente provar algo, mais do que isso, esse é o som do artista tocando para si mesmo. Esse é o BT mais profundo, algo nunca visto antes, e algo provavelmente que nunca será visto novamente! Talvez isso foi uma faísca, um fogo de inspiração que deu nascimento ao This Binary Universe. Independente do que tenha sido, é um álbum para quem abraça sua ideia sonhadora, envolvente paisagem sonora, e que nunca será esquecido por adeptos de música eletrônica.