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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Bag Of Bones – Third Dimension [2014]


O fato de o Bag Of Bones estar em seu terceiro lançamento já é algo que me deixa muito animado. Em Third Dimension- que foi lançado apenas oito meses após o antecessor- há uma melhoria já prevista que afirma a banda.

Em Third Dimension soam várias referencias próximas do post-rock, e um pouco de, porque não, Snowing (embora, em posts anteriores, eu prometi em algum momento que não citaria esta banda novamente), e dinâmicas sombrias que lembram Caspian. Tentem imaginar elementos mais árduos e agonizantes ressoando. É um paradoxo sonoro moldado pelos oito membros da banda- ao mesmo tempo em que tudo é extremamente confortável (como um terreno que já pisamos antes), ainda assim a produção mezzo caseira deixa a coisa toda sutilmente rústica. Os dois álbuns anteriores configuram bem uma tabela de melhora gradativa no conjunto, a todo instante moldam sua escultura mais próxima de seus objetivos estéticos. A parte obscura e tensa dialoga com os diferentes vocais suaves, calmos, gritados. Camadas de vapor em instrumentos diferentes que quando atingem o topo explodem conjuntamente. Não nos esquecemos das letras, que –embora ocupem pouca parcela da estrutura das canções- são melancólicas e nostálgicas. Pleno ano 2014, onde bandas parecem querer escrever um romance em cada canção (ao menos que você esteja no nível do La Dispute, onde de fato temos no mínimo um conto munroniano em cada música), as letras aqui não ocupam nem dez linhas. Isso para não me referir aos spoken words que dão a cara, no estilo William Bonney . Tratando de faixas tão “ambientes” e pretensiosas no nível de instrumentos, é curioso o fato de poucas passarem dois minutos e meio de duração. A estratégia de criar um trabalho compacto, ainda assim pretensioso, reforça a sensação de unidade.

Nem agressivo, nem suave, mas uma transição entre estados é o que caracteriza o disco, das partes ambientes para os vocais mais ríspidos, da explosão instrumental ao acústico dedilhado. Em The Wisp, por exemplo, temos uma canção que quebra o ritmo do álbum, cuja letra refere-se basicamente ao ato de dormir. Como um ponto inconstante, o ritmo contemplativo melancólico é passado por declarações autodestrutivas, consciência da vida perdida, nostalgia. E basicamente tudo que eu amo no emo: letras tão delicadas e frágeis, onde uma abordagem sonora mais expansiva estabelece um ambiente a ser inaugurado/experimentado. O que parece árduo, na outra ouvida fica mais tranquilo- uma eterna transição de estados na fragilidade da vida.

Os diversos andamentos de Third Dimension intensificam o que a banda já vinha realizando nos primeiros trabalhos, imergindo o ouvinte em um espaço temporal- onde muitos sentimentos são atravessados, apesar da curta duração do álbum. Seriam sons de alegria ou tristeza que nos capturam como pequenos momentos de transe? Aparentemente, um universo tão particular pelo qual todos nós  passamos cotidianamente.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

You Blew It!- Keep Doing What You’re Doing [2014]


O ato supremo do romantismo é o suicídio”, Fernanda Torres.

Eu tenho levado tudo da maneira errada. Confundindo coisas, colocando a culpas em pessoas próximas, tudo para evitar confessar o quão horrível tenho sido. Mas porra; parece que sempre tem uma dor que não abandona o peito, um vazio que é sustentado pelas minhas respirações. E eu não tenho muita certeza de porque tenho culpado todas as pessoas, parece que é a única coisa que consigo fazer, tipo uma metralhadora deixada no automático. Um dia mesmo eu sentei e disse que iria “começar do início”, e escrever um diário íntimo investigativo do porque as coisas chegaram aonde chegaram. É incrível como nos momentos ruins consigo esquecer todas as coisas boas que tem acontecido; é como se num segundo tudo se vaporizasse e restasse apenas a objetivação da angústia fria. Vai entender.

I'll put mind over matter
to put this matter out of my mind.
'cause I shouldn't let this get to me,
but I'm having trouble trying to find the right way
to say I feel less than confident.

E por isso sempre as mesmas questões. Coisas absolutamente tolas como; “eu nunca vou pertencer? Eu nunca vou me articular na positividade desse mundo?”. Claramente esse não deveria ser o foco; apontar as coisas negativas é -apesar do que dizem- fácil. Pelo menos para mim sempre foi, sempre senti atração por frases tristes, livros trágicos e filmes sérios. Parece que eu esqueci que a minha vida também estava no piloto automático, que o que meus pais e meus parentes e alguns supostos amigos esperavam, era o que justamente eu não queria e não podia ceder. “É tão difícil mudar, quando esse mundo não te vê de nenhuma outra maneira”, dizia o Have Heart. E nessa hipertrofia íntima, nessa superposição do “eu”, esqueci que outros tinham problemas parecidos, dilemas semelhantes. Esqueci-me de todas as pessoas lindas quando tudo ficou difícil. Então, tá bom, é melhor admitir; sou melodramático, supersensível. Uma ex me dizia isso, e faz todo sentido. Eu posso respirar, tenho minhas pernas, então fica muito claro que tudo que fizer de prejudicial vai ser sempre culpa minha. Nunca é tarde para falar não e recomeçar com minhas próprias forças. Mesmo que sejam esquisitas. Mesmo que sejam estranhas, confusas. Sou isso, eu versus eu. Eu para trilhar um caminho, mesmo que não esperado por mais ninguém, porra, refaz a frase: “sempre vai ter alguém, você não é o único”.

"Give it a rest."
I shouldn't have to say this,
but now I struggle to recognize you.
"Give it a rest."

Eu ainda estou encontrando os eixos. Depois, tudo se acerta. Tenho sido mal humorado com quem não merece. Em Keep Doing What You’re Doing temos propostas ávidas do You Blew It!, algum tipo de confirmação do envelhecimento através do tempo, tangendo certas doses de otimismo. A libertação de uma banda que percebeu não precisar se esconder atrás de pré formulas; por isso os vocais com garganta, outros limpos, partes mais arrastadas, outras rápidas. Embora à primeira ouvida não pareça um álbum caloroso, consecutivas escutadas farão as melodias preencher sua cabeça. Relacione toda a esperança que contém o álbum com as diferentes mudanças de tempo no instrumental e o que temos é um conjunto em sua plena maturidade.

I'm still clutching to
things I should have said
and the bonds that I've been ruining.

No fim, como praticamente toda essa rotulação e demonização e o tão dito revival, bandas como o YBI! talvez fiquem renegadas à não atingir um público independente por qual sua música clama, como o The So So Glos e o Cloud Nothings, única e exclusivamente pelas letras serem tão explicitamente sobre emoções intimas pessoais. E como tem se separado absurdamente o indie underground de músicas com temas tão viscerais e aflitivos, o elo fica maior ainda para o ouvinte desse nicho que quer ouvir músicas com esse tema. Por favor, se você é um desses, ouça uma porra de música no youtube! Oblitere essa bobagem de emo revival. Esse é um álbum para pessoas indecisas, que querem berrar a plenos pulmões o que sentem, com ótimas jams que indicam o caminho certo da banda. Mesmo que ninguém ouça.

For every good thing I could say about you,
there's a great reason why I refuse to.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Worst Case Ontario- Living At Home [2013]

Nem todo o esforço da sua imaginação é capaz de lançar luz nas trevas; nem naquelas produzidas por olhos insondáveis, nem na própria treva que encobre a sua maldade.” Ana Paula Maria

Fruto de muita dedicação, o novo EP do Worst Case Ontario traz tudo que nós aprendemos a amar no pop punk. A gravação de estúdio é impecável, uma produção que não falha em nenhum ponto, o que não deixa de ser surpreendente visto que toda a correria da banda é na base do “faça você mesmo”.

Rivers Cuomo é o cartão de visitas e já somos apresentados às características básicas da banda. O estilo das quatro faixas é bem parecido; vocais alternados, às vezes mais “garganta”, às vezes melódico, frases de guitarra com riffs bem pop punk, bateria meio tempo.

Living At Home prova que o pop punk continua sendo realizado com muita vontade e dedicação, especialmente em meios suburbanos alternativos “faça você mesmo”. Melodia e velocidade em perfeita sincronia, fazendo você realmente mexer a cabeça TODA canção. O álbum está disponível para download pago ou streaming no bandcamp deles, grande joia encontrada no mar diário de lançamentos musicais!

Para conferir, clique em: http://worstcaseontario.bandcamp.com/

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Entrevista com Worst Case Ontario/ High Vibe Recordings

Luca e Cole possuem uma pequena gravadora, cujo lema "faça você mesmo" é preponderante, em Saint Louis, Missouri. Eles também tocam em uma banda pop punk, chamada de Worst Case Ontario. Na entrevista abaixo, falam como é a rotina de uma pequena gravadora independente, o auxílio da internet em todo mundo, sobre a música do Worst Case, anunciam os planos para novos lançamentos, entre outros:
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1. Primeiramente, muito obrigado por aceitar a entrevista. Já peço desculpas pelo meu inglês ruim, mas eu acho que nós conseguimos lidar com isso. Qual o tipo de impacto que a música “faça você mesmo” tem nas suas éticas de gravação?

Cole Weiche: Obrigado por nos propor a entrevista. O inglês não é problema, é melhor que nosso português. Nós gostamos de estarmos com as mãos em cima de tudo que fazemos na música, então nós dizemos que a comunidade “faça você mesmo” tem impactado muito em nossa música, e éticas de gravação. Também é mais barato e divertido fazer suas próprias coisas e lançá-las por trabalho e esforço.

2. Você tem trabalhos comuns? É difícil criar música em River City?

Cole Weiche: Nós temos trabalhos comuns, estamos ambos na faculdade o que torna muito difícil encontrar tempo para tocar em shows ou gravar e escrever, mas nós sempre encontramos um pouco de tempo quando podemos. Não é difícil fazer música aqui, há muitas bandas aqui que realmente apóiam a cena.

3. Tudo o que vocês lançam fisicamente é feito manualmente? Vocês gravam no computador ou estúdios? Porque o som de suas produções é realmente muito bom.

Cole Weiche: Tudo o que nós lançamos foi feito manualmente e impresso por nós, assim como projetado manualmente. Com poucas exceções, tudo é criado por nós. Nós (Worst Case Ontario) gravamos no estúdio caseiro do pai de Luca. Ele tem ajudado. Ele tem sido realmente muito útil e está sempre ali para melhorar a sintonia quando preciso, mas também dar uns passos para trás e permitir que também colocássemos as mãos no processo de gravação.

4. Quanto à internet auxilia pessoas distantes (como as do Brasil) a encontrarem sua música? Como você enxerga os conservadores que ainda reclamam sobre a web?

Cole Weiche: A internet tem sido extremamente útil em publicar nossa música pelo mundo. Nós temos fãs distante como no Brasil, Alemanha e Rússia e nenhuma dessas pessoas poderia ouvir nossa música sem a ajuda da internet. Eu compreendo como algumas pessoas possam ver desvantagens nisso, pás provou-se nada além de beneficial a nós.

5. A primeira coisa que correu pela minha cabeça quando eu ouvia a introdução triste do EP, Steve, foi “hei realmente intrigante”. E a guitarra bem ritmada e o vocal em coro me pegaram de primeira. As letras são estritamente pessoais? Quais bandas mais lhe influenciaram?

Cole Weiche: Primeiramente muito obrigado. Isso é realmente bom de ouvir. Nós estamos contentes por você gostar de nossa música. As letras são realmente pessoais. Eu sempre escrevo sobre coisas que acontecem na minha vida e extraídas diretamente disso. Nós temos uma abrangente variedade de gostos, então às vezes as influências vêm de lugares distintos. Nós temos raiz punk e pop punk então nós incorporamos isso tanto quanto possível enquanto também tocando um estilo mais calmo, de alguma forma indie.

6. RIVR surpreendentemente veio aqui dois anos atrás. Sério, foi algo como 100 jovens brasileiros gritando todas as canções. Qual tipo de sentimento a cena hardcore/punk/emo vocês acham que podem conectar pessoas tão distantes uma das outras?

Cole Weiche: Isso é demais! RVIVR detona. Novamente, a internet tem realizado coisas lindas pela comunidade musica em todo lugar, e nós achamos que especialmente na cena “faça você mesmo”, não importa se hardcore, emo ou punk. Se as pessoas criam música elas mesmas, a internet é uma ótima ferramenta para conectar com as pessoas.

7. Vocês e imaginam assinando com uma grande gravadora? Vocês acham que estas estão realmente interessadas em música significativa?

Cole Weiche: Depende do selo, mas nós gostamos de acreditar que sim. Agora, é difícil imaginar assinar com um grande selo porque nós estamos todos ainda trabalhando e indo à faculdade. Parece improvável nessa hora, e nós realmente apreciamos o que estamos fazendo agora. Mas se acontecer, quem sabe?

8. Há planos para novos lançamentos? As bandas do seu catalogo escolhem o preço de suas gravações no bandcamp ou vocês tem algo como preço listado?

Cole Weiche: Nós estamos lançando um EP esse mês para o Worst Case Ontario chamado “Living At Home”, e nós lançamos há um ou dois meses atrás um EP para o Lobby Boxer chamado “Teddy”. Nós trabalhamos colocando o preço para cópias físicas com cada banda individualmente, mas usualmente os downloads de nossas músicas são permitidos que as pessoas escolham seu preço, sem mínimo

9. A música do Worst Case Ontario vai de ambiente para um punk rock mais direto. Como misturar todas as influências e deixar uma marca pessoal?

Cole Weiche: Nós todos simplesmente apreciamos uma abrangente variedade de músicas e tentamos combiná-las tão organicamente quanto possível. Não há muito pensamento nisso, nós simplesmente meio que vamos naturalmente. Normalmente aparecemos com idéias, e trazemos para a prática e vemos o que funciona e nãp funciona.

10. Se você pudesse escolher qualquer gravação de qualquer período para colocar no seu catalogo, qual seria?

 Cole Weiche: Qualquer gravação do blink 182.

11. Midwest emo normalmente carrega o símbolo de “coisa triste”. Como as pessoas fora da cena emo te vêem? E realmente, você ta cagando para eles? Hehe.

Cole Weiche: nós já ouvimos muito por ser malas tristes, mas essa não é realmente nossa fase. Nós não nos importamos com o que as pessoas pensam do conteúdo de nossas letras porque nós fazemos isso para nós e é o que gostamos de fazer. Se as pessoas gostarem, isso é ótimo e ficamos realmente felizes por isso.

12. Na capa do “promising, promising” quem é o “louco” da capa? Quais coisas, além de skate e boa música, vocês fazem na sua cidade? É um lugar legal de passear?

Cole Weiche: O “louco” no skate era o Luca, aprendendo a andar de skate quando tinha mais ou menos oito anos. A outra pessoa é seu primo, Andy.

13. Nosso blog tem, na verdade, um número relativamente bom de leitores (pelo menos eu finjo que sim), por favor, sinta-se livre para deixar uma mensagem, um beijo, qualquer coisa. Muito obrigado.

Cole Weiche: Grandes beijos molhados para todos os leitores!!! Muito obrigado por ler isto e obrigado ao Henrique por nos pedir para realizar essa entrevista.

Para acessar os links da High Vibe Recordings, acesse os links abaixo: