domingo, 20 de outubro de 2013

Charles Gayle Trio- Streets [2012]


“[...]mas o que apenas vive
 Apenas pode morrer.
 As palavras, depois de ditas,
 Alcançam o silêncio. Apenas pela forma, pelo molde,
 Podem as palavras ou a música alcançar
O repouso, tal como uma jarra chinesa ainda
 Se move perpetuamente no seu repouso.” T.S Eliot



Em 1988, com a história do jazz livre norte-americano e espiritualismo tendo sido escrita aparentemente décadas anterior, o saxofonista tenor Charles Gayle apareceu na cena de gravação. Em seus quarenta e tantos anos na época, ele tinha estado tocando em metrôs e nas ruas de Nova Iorque desde a década de 70 e fazendo raras aparições em concertos. Gayle surgiu em Buffalo; o baixista Buell Neidlinger lembrou que, em 1968, numa apresentação com o colega saxofonista Andrew White, Gayle era uma força especialmente forte e de alguma forma misteriosa.

O pouco ascético Gayle e a natureza plena de sua música permanecem um enigma; a música é exuberante e quente, cheia de perfurações instáveis, gritos, mas há também um cansaço do mundo em seu tom, e, nos últimos anos, um galope suave para ritmos coletivos que seus grupos colocaram a diante. Streets é o primeiro lançamento de Gayle pela jovem gravadora do Brooklyn, Northern Spy, que tem lançado gravações de música improvisada como Jooklo Duo e the Chicago Underground Du. Ele é acompanhado pelo baixista Larry Roland e pelo baterista Michael T.A. Thompson, para sete originais nas quais Gayle está presente como Streets, a persona palhaço/mímico que gradualmente se tornou sempre presente em suas performances. É claro, “Streets” só é visível na arte da capa- não há nada teatral, particularmente, sobre essas performances. Mas como o próprio Gayle colocou para o Village Voice “Há algumas coisas que acontecem quando [as roupas de Streets] estão vestidas- coisas boas. Eu não vou machucar ninguém”. “Streets” é tão parte da música quanto a música vem do “Streets”.

Uma gravação especial para Gayle, Streets encontra um ponto doce no panteão de suas gravações- a saber, reconhecendo o fogo e odor dos trabalhos passados, os quais ainda encontram-se no corpo do mais recente lançamento, enquanto cortando para a paciente inventividade “bopista” que tem caracterizado as excursões mais recentes. Quando vigor e cálculo podem trabalhar junto perfeitamente, o resultado não é nada menos que primoroso!

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