quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Queimando pontes com American Memories

Não se engane com a foto acima, embora represente realmente o espírito "faça você mesmo", trazendo nas costas a ética provavelmente mais importante do punk rock, o American Memories não canta sobre bebedeiras fodidas ou atritos na rua (pelo menos não por enquanto).

O vazio e sua tristeza proveniente é o que embala as temáticas da banda. Letras depressivas  sobre lares despedaçados, estar sozinho, dão o tom. Esse lado muito pouco glamouroso da vida, que nos faz ficar à espreita e torcer por um futuro hipotético menos dolorido.

AS influências ficam evidentes desde as primeiras notas de Free Big D, do EP deles lançado ano passado (disponível para download gratuito no bandcamp abaixo). As famosas dedilhadas na guitarra, tão recorrentes no que se convencionou chamar de midwest emo, contrastam com um vocal que, embora melódico, é gritado a plenas gargantas.

No fim, a sensação é de que o American Memories lida com fantasmas. Memórias como fantasmas, fantasmas da tradição imputada de uma juventude dolorosa. Mas nem tudo está perdido, afinal, como na entrevista abaixo, há uísque e Breaking Bad.

Para acessar o bandcamp da banda, clique aqui: American Memories
Para acessar o facebook oficial da banda, clique aqui: American Memoires Facebook

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Vocês estudam ou algo do tipo? E isso tem algum impacto na sua música?

Rich: Bem, nós não realmente estudamos; ambos não vamos à faculdade e acho que você poderia dizer que ambos estudamos cinema que é outra área em que estamos interessados. Para mim, estudar filme impacta na minha música, mais no passado do que no presente. Eu costumava escrever muitas canções baseadas em emoções de filmes ou emoções que eu sentia quando os atravessava, mas hoje em dia eu meio que escrevo as canções baseadas no que experimentei ou como eu reagiria em situações hipotéticas.

Trey: Não, eu não estudo, se eu tivesse que dizer algo seria as pessoas, eu estudo as reações das pessoas em certas situações onde coisas acontecem. Eu sempre tive um pouco de interesse em psicologia, não um grande interesse, só me fascina ver como as pessoas agem e pensam. Eu também estudo outros músicos em outros shows, eu acho que assisto intensamente. Enquanto as pessoas estão correndo por aí e moshando e se divertindo, eu fico no canto observando os músicos e tentando descobrir como eles fazem certas coisas, e quais equipamentos eles usam.

O que vocês fazem para sobreviver na sua cidade?

Rich: Eu trabalho no cinema local e às vezes filmo vídeos pequenos para negócios ou casamentos.

Trey: Eu trabalho em uma loja de comida saudável numa cidade próxima, e também faço alguns trabalhos de fotografias/vídeos paralelamente.

Eu sou do Brasil e encontrei sua música na internet. É claro, isso seria impossível se estivéssemos na Era pré internet. Quais são as coisas boas do Bandcamp e todo o negócio de download? Que bandas vocês encontram recentemente por causa disso?

Rich: Eu acho o bandcamp e todo o negócio de downloads de graça na internet fantásticos, isso realmente ajuda e bandas novatas ficam mais fáceis de serem encontradas. Especialmente o bandcamp cujo qual sou um grande apoiador por causa de suas tags, eu sempre estou encontrando bandas lá que depois me apaixono, eu meio que tenho uma rotina semanal de pesquisar as tags:  screamo, emo e post-rock. Recentemente encontrei Sadie Hawkins, Running Shoes, e Flowers Taped to Pens (com quem nós vamos gravar um split muito em breve).

Trey: Eu amo demais o bandcamp, e eu amo música grátis. Metade do meu ipod está cheio de música que baixei do bandcamp, o Jovem Rich disse praticamente tudo que eu teria dito. Algumas bandas que encontrei recentemente são Pet symmetry, Greyscale, Marseille, Troubled Minds.

O EP de vocês do ano passado é tão poderoso e frenético. A produção crua, grandes letras pessoais e gritos poderosos com certeza marcam o ouvinte. Como foi o processo de gravação?

Rich: Primeiramente, obrigado pelas palavras elogiosas, eu acho que vou começar do inicio. Um longo tempo atrás Trey e eu iniciamos uma banda chamada South End Projects. Nós estávamos com muito tédio então escrevíamos e gravávamos em loco. Então ele se mudou para Seatle e eu permaneci na California, mas nós sempre planejamos começar uma banda quando ele voltasse, então quando ele voltou nós iniciamos o American Memories e eventualmente nosso amigo Mark se juntou para tocar baixo e fazer alguns vocais e foi mais ou menos assim que começamos. Para mim, que toco guitarra e escrevo as letras, criar as composições foi difícil, quero dizer, as letras são todas secretas em alguns pontos, mas no final elas revelam como eu me sentia no momento, eu penso nas canções desse EP quase como um jornal de 2012 para mim, muitas vezes escrevi músicas no trabalho quando atravessava o ponto mais baixo da minha vida, outras vezes escrevi pensando muito introspectivamente na minha vida e as coisas que eu relembrava e como me sentia em relação à elas. Empty Houses e Bridges são as maiores para mim pessoalmente. As letras saíram muito mais pessoais no álbum do que eu desejaria escrever.

Trey: Basicamente o Rich escreve todas as letras, eu sou um saco para escrever letras, quando escrevo algo normalmente acabo jogando fora. Então eu me foco mais no instrumental e na bateria. O EP que lançamos ano passado foi uma experiência incrível, trabalhar com Rich e gravar é tipo a coisa mais divertida de todas. Eu amo gravar. Eu gravei todo nosso EP e também todo o pequeno EP Past Mistakes. Eu tenho gravado e trabalhado com engenharia de som desde os 16 anos, eu trabalhava em um estúdio em Seattle chamado Mirror sound Studios, Washignton, foi onde eu aprendi principalmente como gravar. Tudo que gravávamos normalmente fica na primeira tomada, raramente voltamos atrás e consertamos. Nós queremos que seja tão cru e real quanto possível. Nós queremos fazer soar quase tão perto quanto soa quando estamos ao vivo. Nós podemos escorregar aqui ou ali, mas é isso mesmo. Eu tenho um grando problema inconsciente com bandas que são polidas nos álbuns, e quando tocam não soam nada como nas gravações.

Vocês se apresentam com alguma frequência? Nesse exato momento, qual o melhor lugar dos EUA para se estar com uma banda independente?

Rich: Eu queria me apresentar mais, tristemente as bandas na nossa área fazem parte da cena que copiam o Killers, country, ou metalcore, então é muito difícil fazer apresentações. Há algumas cidades de distância há uma cena punk mais movimentada então nós estamos tentando entrar em contato com ela. Mas eu acho que para uma banda com nosso estilo, a Filadélfia é o local para estar, isso ou o Reino Unido. Muito talento e bandas fantásticas que eu amo são dessas áreas e parecem que estão indo muito bem e que há uma cena que aceitou e se adaptou a esse tipo de música.

Trey: Nós não nos apresentamos em merda nenhuma. Não por falta de tentativas, assim como o Rich disse, ou você tem uma merda de banda de reggae, banda de country, uma cópia do The killers.Nossa área, Costa Central, está tão morta, que só podemos tocar em bares, ou locais que te cobram pra tocar.Eu diria que Los Angeles é o melhor lugar para música, mas não é, ao menos que você seja o Bieber ou o estúpido skrillex. A maior parte das bandas que nós ouvimos e o estilo que tocamos se encontra na Costa Leste, e no Reino Unido está a nata da cena? É o que me falaram.

O que vocês têm ouvido ultimamente?

Rich: Bomb the Music Industry, The Whoopass GIrls, Flowers Taped to Pens, e Head .

Trey: Into it, Over it, Brave bird, This Town Needs guns, The World Is A Beautiful Place & I Am No Longer Afraid To Die, I Kill Giants.

Quais são suas maiores influências?
Rich: As minhas são Bruce Springsteen, Old Gray, Taking Back Sunday, Dads, Into It. Over It., e Dad Punchers.

Trey: Há muita coisa pra listar, mas eu diria que primeiramente meus pais e minha avó, eles sempre apoiaram que eu tocasse música. No tocante à bateria, John bradley do Dads, o baterista original do  "Norma jean" Daniel Davison e uma bagunça completa de bateristas, e musicalmente eu diria The Beatles, Bruce Springsteen, Daft punk, Snowing, johnny Cash, Norma Jean, At The Gates, Mewithoutyou, The Misfits.

Se vocês pudessem escolher qualquer música para fazer um cover (por aspectos afetivos), qual seria?

Rich: Provavelmente canções populares, eu costumava tocá-las muito e é muito divertido.

Trey: Eu diria que qualquer canção popular, ou hit das rádios dos anos 90, eu sou uma criança dos anos 90 então eu amo música de baixa qualidade dos anos 90. Talvez um cover punk de uma canção do Roy Orbison, ou cover de uma canção de um gangsta rapper batendo em alguém?

As letras como as de Bridges são muito tristes. A tristeza é a força matiz para criá-las?

Rich: Eu creio que sim, especialmente com Bridges. Eu acho que devo começar dizendo que as letras em todo EP (excluindo Free Big D porque Mark escreveu a letra) são todas sobre tentar seguir em frente com sua vida. Mas com Bridges especialmente. Eu acho que se pode dizer que a canção é mais ou menos o que eu sinto sobre o lugar que eu cresci, há muitos velhos amigos que eu me sinto alienado por não vê-los mais, e quando nos vemos é sempre muito embaraçoso por nós todos nos tornamos pessoas diferentes, metade isso e metade sobre como é difícil encontrar alguém no sentido romântico; especialmente as poucas mulheres por quem eu tive algum sentimento são realmente grandes amigas e nada, além disso, daria certo, então é essa a parte onde “morrer aqui, morrer sozinho aqui” se encaixa. A segunda canção pessoal baseada em tristeza completa é “Empty Houses”, porque essa canção diz muito sobre a relação com meus pais e como isso me afetou, e como seguir em frente com a minha vida quando todos já tinham feito isso.

Qual é a sua canção favorita da sua própria banda?

Rich: Merda, essa é difícil, eu realmente amo tocar nossas novas canções; especialmente “Our Past, My Life”, mas eu acho que minha favorita absoluta é “Empty Houses” que é a porra de uma explosão quando tocada e toda vez que a gente toca, as letras significam muito mais para mim. É realmente uma canção muito pessoal sobre meus amigos, meus pais e meu futuro.

Trey: “"Driving all night"”, porque Rich odeia tocar essa. “Empty Houses” também é foda.

Digam qualquer coisa, é a última questão. Façam piadas, salvem o mundo, etc. Realmente agradecido.

Rich: Lana Del Rey está com tudo, Breakin Bad está acabando em breve então isso é um saco, mas é incrível. Vinho e cerveja são bons, mas o rei de tudo é do Uisque. Ser triste não é apenas uma mania tumblr e apoiem sua cena local.

Trey: Emo é uma família, garotas são um saco, no entanto me arrumem uma namorada. Coma quanto queijo puder; bata nos atletas da escola; fiquem espertos para algum possível LP do American Memories, e também há um split que virá em breve com outras bandas. Também urinem nas calças, todas as crianças legais fazem isso.

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