domingo, 8 de setembro de 2013

Kaoru Abe- Solo 1972, 1.21

Uma performance solo, ao vivo, no começo de 1972, esse disco captura toda a paixão e frenesi de uma das maiores figuras trágicas do jazz avant-garde japonês. Os aplausos esparsos da audiência dão alguma indicação do quão pouco ele foi apreciado durante sua breve vida (ele morreu de overdose em 1978), mas a música criada levanta-se muito bem contra a experimentação contemporânea entre a vanguarda europeia e norte americana. Embora frequentemente comparado com Albert Ayler e Anthony Braxton, ele abandona a super-saturação no sentido blues e o desejo investigativo hiper intelectual posterior. Ao invés disso, ele combina a mesma amargura, ferocidade, e até lirismo de instrumentistas como Peter Brötzmann. Cada improvisação é como um salto de cabeça nas chamas, toda a cautela posta de lado, todas emoções canalizadas na expressão do momento. Quase necessariamente, ele cria música de qualidade variável, de forma emocionante em alguns pontos, desvendando um borrão caótico em outros, mas isso é parte de fascinação para o ouvinte! Trabalhando escuras melodias, esse é um forte disco de um talento explodindo. Recomendado.

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