quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

I Break Horses- Chiaroscuro [2014]

O casamento é o estado civil mais indicado para homens que, como eu, não gostam de conviver com outros”, Fernanda Torres.

Embora não fosse necessariamente um “estouro”, a estreia do I Break Horses, o álbum Hearts, chamou atenção para o duo sueco. Eles conseguiram capturar os elementos eletrônicos e, coisa que é rara, dar a tal da “identidade”.  Essa mistura de vocais “dream pop”, com sintetizadores não é algo novo, todos sabem, mesmo assim a dupla conseguiu certo destaque entre os apreciadores do estilo.

Chiaroscuro tem um desenvolvimento mais lento, contemplativo, sem o peso de ter que causar uma primeira impressão.  A mudança e o novo tom do duo podem ser percebidos logo na primeira música; embora Lindén ainda mantenha sua voz “refém” de suspiros, a base da música é mais espaçada, submersa por baixo da melodia dos sintetizadores. Os resquícios também cessaram da influência do shoegaze no primeiro álbum, se há alguma semelhança com o estilo, é só o vocal lento, cristalino, murmurante.

Aliás, qualquer possível ligação com o rock -e as guitarras- foi cortada. Embora não fosse o centro no disco anterior, aqui elas realmente não aparecem. As batidas não são mais minimalistas. Parece que toda a influência deles para a construção desse disco foram músicas eletrônicas sem vocal, o que faz a voz de Lindén não essencial para a construção estética. Esta continua com letras simples, provando que o apuro sonoro é o que se mais busca. A escolha da dupla em não atribuir grande importância para a letra não deve ser notada por muitas pessoas, o que mais interessa é a maneira da música ser conduzida e formulada.

O resultado é que pode soar meio genérico para quem já tem certa introdução na música eletrônica. Mas não significa que eles não alcançaram êxito, talvez as ideias não fossem tão bem desenvolvidas, mas é sim um mundo denso de formas paradoxais. Essas abstrações, no entanto, soam simplistas, idealizadas. Prolongar músicas é tentador, operar mudanças nestas também, acontece que é o mesmo sintetizador durante sete minutos e meio- nas faixas mais longas- e não há alternâncias significativas que justifiquem a repetição. Mas, como referi há pouco, esse álbum tem algum êxito. Principalmente a interação da voz de Lindén com os sintetizadores, em que o “conceito” do disco é posto de lado- não sabemos se intencionalmente- para a dupla brilhar no seu melhor.

No fim, eu acabo com certo temor de que o I Break Horses transforme-se em um desses pops em que músicos acreditam que apenas uma boa produção- outro ponto positivo desse disco, a criação é cristalina- já os catapulte como forma de arte. A tentativa de alcançar algo muito formulado talvez seja um pouco forçado, o que não tira o prazer de ouvir músicas como a bela Heart To Know.

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