segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Have A Nice Life – The Unnatural World (2014)

Seis anos depois do lançamento do clássico Deathconsciousness, fiquei surpreso quando vi no site da Pitchfork, o novo álbum do HANL para stream; poxa, incontáveis foram as vezes que o primeiro disco, e único até então, da banda atravessaram noites solitárias, melancólicas, contemplativas. Eu ainda, por preguiça pura, não fiz uma lista dos melhores discos que ouvi na vida- provavelmente Deathconsciousness estaria lá.

É capaz de você nunca ter ouvido falar do conjunto, não à toa- é mais um projeto do que algo necessariamente comercial, com agenda, etc. Uma mistura entre Methadrone e Warsaw, e todas as possíveis variações entre os dois. De volta em 2008, Deathconsciousness mudou minha concepção sonora. Sons sutis arranhados por estruturas fúnebres. Uma aceitação completa da melancólica como Lars Von Trier. Os temas como a proximidade da morte, enquanto reverbs ecoam como fantasmas, as linhas distorcidas de guitarra e sintetizadores numa espécie de pop macabro.

The Unnatural World não é tão lo-fi quanto Deathconsciousness, é mais bem produzido, soa mais limpo, embora isso não queira dizer de maneira alguma que as passagens não estão tão “sinistras” quanto o antecessor. Seus vizinhos certamente pensariam que é algum deprimido fazendo um som em casa, criando atmosferas totalmente anticomerciais. Alguns drones vão preencher seu coração, como se você estive sendo tomado pelo espírito decadente e demasiadamente mortal que o álbum imana. Como uma progressão natural, mais próximo da morte está TUW do que Deathconsciousness, consequentemente mais deprimente, melancólico.

Por todos os méritos, Deathconsciousness continua sendo o clássico da banda. Atinge níveis apocalípticos que o TUW certamente não alcança. No entanto, DC me soa como um ensaio, um estudo. The Unnatural World é mais direto, refinado- como disse anteriormente, uma progressão natural- transformando o que era esboçado no antecessor em estilo superior. Pode ser muito cedo, só o tempo dirá, mas a priori esse novo álbum é meu favorito. Talvez, aparecendo em 2014, não compartilha da mesma importância que DC; aquele álbum foi um divisor de águas. Não vejo como eles poderiam ter realizado um álbum melhor que TYW. Incrível, não tem falhas!

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