quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Entrevista com Eric Fourman

Os lançamentos de Eric acontecem com uma velocidade assustadora. Lógico, é uma tendência entre quem cria música de livre improviso ser tão prolífico em relação às novidades. Imerso em um ambiente de sintetizadores, repetições e ruídos, sua influências vão desde minimalistas, Debussy aos mais interessantes na cena contemporânea, como Tim Hecker. Então fiquei muito feliz quando ele aceitou responder minhas perguntas, até porque Regeneration foi um dos meus lançamentos favoritos em 2013.

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1. Você realiza apresentações ao vivo? Se sim, como elas são?

Eu toco ao vivo, embora não seja algo muito frequente (muito em função de estar ocupado devido ao trabalho), a maioria dos meus álbuns de estúdio é baseada no MIDI, mas quando eu toco ao vivo, eu uso quase exclusivamente sintetizadores analógicos. 




Normalmente eu levo 3-4 sintetizadores comigo e eu programo sons que se encaixam alguns dias antes. Junto como minha obsessão por sintetizadores analógicos, eu tenho alguns pedais de efeitos e um pedal de loop para cada sintetizador. Então basicamente eu apenas toco uma longa linha (5-6 minutos normalmente), uso o loop, começo a usar o próximo sintetizador e repito; até eu criar essa massiva parede sonora e vagarosamente construir tudo. Tudo é feito no estilo do improviso livre. A maioria das peças tem quinze minutos, então normalmente toco 15 minutos por set. Na verdade, eu tenho alguns álbuns que são criados dessa maneira. Nomeados "No Refills" e "Transparent", ambos dão uma ideia do meu som ao vivo.

2. Se não fosse a internet, eu não encontraria sua música (honestamente, eu posso caminhar durante horas com fones ouvindo música ambiente). Você coloca seus lançamentos para download grátis, você pode, por favor, comentar sobre como vê a influência da internet na música?

A internet fez com que a música parasse de ser uma comodidade unilateral, é algo muito bom. Não há mais barreiras para lançar sua própria música do seu próprio jeito. Não estamos mais presos ouvindo o que imediatamente nos cerca, minhas influências não estão mais presas ao que meus amigos estão ouvindo e o que um selo impõe.
Alguns argumentariam que barateou a música, a tornou mais descartável, mas isso é mentira. Com certeza o mundo musical está mais fraturado agora, mas tornou mais fácil encontrar seu nicho musical (para ouvir e criar). Eu tenho conseguido manter uma decente base de fãs sem muita promoção, sem um único lançamento físico, graças à internet. Nunca aconteceria há 15 anos atrás.

3. Você conhece alguma música brasileira?
A única música brasileira que fiquei familiar foi através de compilações. Se você contar pessoas do Brasil (que residem nos EUA agora), eu sou grande fã do Ricardo Donoso. Um artista progressivo eletrônico/ambiente muito bom. Por favor, sinta-se livre para recomendar artistas brasileiros para checar.

4.Com quais músicos (vivos ou mortos) você gostaria de tocar?

Mark Hollis do Talk Talk é meu herói. Eu amaria fazer música com ele. Sua música, solo e com o Talk Talk, é completamente linda e soa como nada desse mundo. Outros além desse, Jason Molina (Canções: Ohia), quem recentemente faleceu, a emoção que ele podia criar apenas com a voz e guitarra, é algo que eu luto para fazer com minha música todos os dias. Seria incrível improvisar com o Emeralds. Esses rapazes são deuses dos sintentizadores.

5. Regeneration é uma mistura realmente linda de diferentes texturas. Como você equilibra suas influências?

As influências óbvias são coisas como Esmeralds e Tim Hecker. Eu luto para criar textura como às deles, lindas, mas não óbvias. Quase fronteirando nos ruídos, mas nunca perder a “melodia” ou o “tom”. Eu uso citações porque eu não fico muito certo de como descrever sobre o que estou passando.
Minhas influências menos óbvias são ótimos minimalistas, como Charlemagne Palestine e Gavin Bryars. Embora muitas das minhas peças não soem minimalistas (o que soa como muitas camadas, geralmente duas ou três). Repetição para fazer cada variação soar mais importante é meu mantra. Embora eu também realmente considere o que me inspira ser influência, coisas fora do reino “ambiente”. Enfim, há muitas influências e eu só consigo listar essas.

6. Feedback foi lançado em novembro e Regeneration em Dezembro. Seu processo de composição é assim tão rápido ou leva um longo tempo no processo criativo antes de lançar algo no bandcamp?

Toda minha música é improvisada, então eu crio álbuns quando a inspiração vem. Eu passo meses sem pegar um instrumento, e depois faço três álbuns em um mês. No entanto, para cada álbum que lanço, eu não recheio com 10-15 canções. Eu faço música unicamente para um lançamento, então eu realmente não filtro e espero meus álbuns mais “comerciais” para colocar no bandcamp. Quase todos meus álbuns são feitos rapidamente porque eu quero capturar como estou me sentindo no momento e criar álbuns baseados nesses sentimentos.

7. Como é o público de música ambiente em Nashville?

Honestamente, eu estou bem remoto da cena musical de Nashville. Com meu horário de trabalho, eu não tenho mais muito tempo para ir a shows. Eu conheço algumas pessoas como Sparkling Wide Pressur e meu amigo Joe Volmer (Clearing (ambient), Party Trash, Police Academy 6). Fora disso, eu acho que não há uma cena musical “ambiente” aqui. A maioria se parece com roque garagem e cópia do Jack White (White Stripes, ele é dono de uma gravadora aqui em Nashville).

8. Filter será lançado fisicamente, certo? Como anda o processo?

Bem, tudo que eu crio/lanço não está produzido nesse ponto, então eu produzi Filter. Um dos meus melhores amigos, Paul Kintzing (German Error Message), produziu para mim (obscurecendo o volume, aquecendo um pouco). Exatamente agora eu estou esperando a arte ficar pronta. Meu amigo Nic Magee está trabalhando nisso agora e tem um rascunho, mas esperançosamente ficará pronto em breve. Eu já tenho os CDrs queimados e prontos. Nós vamos decorar manualmente cada um e lançar “Filter” em uma edição de 35 CDrs. Eu planejo vender a custo e se alguém que lê sua revista estiver interessado eu poderia simplesmente enviar para o Brasil.

9. Quais foram os álbuns que você mais gostou em 2013?

Eu realmente amei Field of Reeds do New Puritans (flutuante pós-rock na veia da última fase do Talk Talk), Gunnar Haslam- Mimesiak (e a maioria das coisas na gravadora "L.I.E.S (Long Island Electrical Systems)"), Lubomyr Melnyk - "Corollaries" (primeiro lançamento em anos do deus do piano minimalista, folk e piano minimalista misturados perfeitamente). Eu amei muitos mais, mas esses são os meus tops do último ano.

10. Obrigado! Por favor, deixa uma mensagem para nossos leitores. Realmente agradecido.

Obrigado por ouvir e (esperançosamente) apreciar minha música. Se você tem qualquer dúvida/comentário, sinta-se livre para me contatar através do bandcamp.
http://ericfourman.bandcamp.com Obrigado pela entrevista!

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