segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

The Arms of Sleep - Chinese Houses [2014]

Acredito que, para muitos de vocês, a maior dificuldade hoje em dia é, “onde catalogar música boa e daí descobrir algo que realmente valha à pena”? Eu mesmo já segui e fui atrás de vários sites para “acompanhar”, até que dei um chega- pelo menos pra mim, que conheço uma quantidade relativa de gente cujo gosto eu considero “próprio”, as informações tem simplesmente chegado. Deste modo, surgem diferentes ritmos- um mais dissonante e maluco que o anterior- que caem no meu colo e descubro uma grata surpresa. Note-se que, obviamente, o primeiro lançamento do The Arms Of Sleep é um desses registros que surgem quando todas as listas de melhores discos já foram feitas e abala sua própria noção de música. Fico muito, muito contente com a capacidade sistêmica de a música me surpreender.

A integração dos sons compõe sistemas de conceitos que não sabíamos que habitavam em nós- calma, tranqüilidade, relaxamento e paz. Mesmo nos seus instantes mais tensos e fragmentados, Chinese Houses se estabelece como uma proposta fixa de que, no fim, há uma espécie inflexível de calma. Mais do que isso, todos os sons “paralelos” às melodias principais intensificam essa sensação. Tudo isso se envolve numa obra que, quando visitada de uma só vez, corporifica em seu fim tudo o que esperávamos desde seus primeiros versos. Não é como simples “fim, inicio e começo”, não! Mas uma continuidade que vai resistir mesmo quando o disco acabar. As melodias são eficientes ao ponto do instrumental resistir ao mundo externo. Cole Weiche (que é o The Arms Of Sleep) influência nossa percepção sensorial a esse ponto.

O contexto em que vivemos- um amontoado urbano cacofônico, trágico, perturbardor- necessita de pausas tão serenas e meditativas como The Arms Of Sleep. Para nossas perspectivas não persistirem tão depressivas e amparadas em um estado inerte de melancolia. Outras perspectivas merecem serem erguidas e construídas como “esperanças”- porque ao existir uma esperança, existe um momento de espera. O momento de espera é sagrado à medida que este providencia transcendências apesar da realidade.


Embora tenha lá seus clímaces, Chinese Houses é construído sobre um sistema de pensamento decididamente sereno. Um sistema de pensamento que planeja rotas de fuga da velocidade opressiva do mundo. Um período para fechar os olhos e respirar fundo. Não tem uma finalidade porque vamos precisar de instantes assim a todo o momento. Chinese Houses é o presente que merece ser desfrutado, esquecido por preocupações mundanas e temporais. No entanto, há vários “cortes” que desconstroem a música- como para lembrar o fim da efemeridade. Chinese Houses se torna ele próprio um paradigma de suas esperanças. Se repararmos bem, seu interior está cheio de “desconstruções”. Isso porque Cole sabe bem que música não é utopia. Na falta de construções objetivas- temos a esperança. É um disco que clama por nossa relação com ele. É um disco que, de certa forma, nos compreende. Um ponto para fugir. Um ponto no meio do caos.

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