segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Kovtun- Sleepwalking Land [2014]

Sleepwalking Land parece, ao mesmo tempo em que devemos ouvi-lo seqüencialmente, uma fragmentação de idéias. Sonoridades. Evidentemente, há um mantra que guia todas as faixas, algo onipotente e onipresente. Essa obscura ambientação criada por Raphael, porém, é um terreno inquieto, construído sobre paradoxos, causando um movimento “atrativo-repulsivo”.

Incorporamos essa terra desolada e nos agarramos nos momentos mais “belos” que o álbum estimula, para sermos silenciados e arremessados novamente de volta à trincheira pelo clima soturno. Sem dúvidas, uma viagem em que a melancolia parece ser o sentimento mais vigente, enquanto o teclado, os sintetizadores e as vozes do fundo parecem nos chamar. Mas para onde?

Álbuns assim dialogam diretamente com nosso esboço de subjetividade. Não há “bloqueios” e entram direto em nossa mente. Capaz de sacudir da alienação constante em que nos encontramos, Sleepwalking Land é um estranho abrigo para quando nos sentimos alheios demais. Seu ambiente não deseja totalidade, mas suas faixas compõem retratos e que espero que você reconheça e se amigue desse estranhamento tanto quanto eu.


Raphael Mandra retorna com sua música decididamente não comercial. E aqui ele parece não querer revelar tanto os “fatos” como no seu outro projeto, Rádio Morto. Aqui, ele parece dar mais espaço para o ouvinte impor suas dúvidas. Estas são micro movimentações que rumam a um todo invisível. Uma viagem sempre de volta a si. Sem qualquer tipo de clichê, Sleepwalking Land nos trás aquele tipo de reflexão mais importante; um diálogo com si mesmo sem “estratagemas”, optando pela ambientação e um respeito enorme pela inteligência de quem está ouvindo.

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