quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Modern Baseball- You’re Gonna Miss It All [2014]




Por “x” motivos, sabemos que o segundo álbum de uma banda é sempre uma incógnita. E não podemos esquecer que o Modern Baseball é, ao todo, uma banda realmente universitária; leem bons livros, querem sair do senso comum, introspectivos cautelosamente ao ponto de evitar não ser convidado para as festas alternativas mais legais. Talvez pelo medo de se expor, as letras de Brendan Lukens ganharam mais um caráter de história.

O vocalista já deixa claro: “tudo o que eu quero é me preocupar com todos, exceto eu”, em temas que tratam sobre distância, interferência do passado no presente, recordações. Acompanhado do outro compositor da banda, Jacob Ewald, Brendan elabora um audacioso jogo narrativo onde o eu lírico está imerso em situações pretéritas e atuais. Talvez seja mesmo um retrato da primeira pessoa que está em demasia na música contemporânea, porém no Modern Baseball as situações são tão reais que não consigo me ver fora destas. Relaciono-me completamente com letras tão sinceras. Daí o álbum arraigar em mim raízes tão discursivas, porra, esses meninos vivem as mesmas coisas que eu! Fica fácil ter empatia e se identificar com a abordagem introspectivo-irônica.

As composições contam casos escancarados, onde não há muito autoestima. As letras não estão preocupadas com serem afáveis, cortês, amáveis; não! Brendan encara com refinada ironia términos de relacionamento. Por isso o garoto não hesita em oscilar entre gentilezas- “Mas você é a brasa do meu coração/ Quer você goste ou não” - e xingamentos simples e diretos – “vai se foder”. O álbum é uma montanha-russa em tudo que varia entre esses extremos, coisas tão comuns da juventude, essa tal de bipolaridade. O menino é bom em alegorias e situações visualmente muito fortes, com grande estrutura de “cenas”.

A constituição sonora do conjunto tem seus créditos em bandas contemporâneas de rock independente como Born Ruffians e Johnny Foreigner. Isto claramente “livra” a banda de rótulos simplistas, por exemplo, “pop punk”.  É um álbum muito curto e o Modern Baseball não está interessado em longas sessões, a mensagem tem que ser mais direta possível. A estética de “garotos universitários e inteligentes que também sabem se divertir” se embasa no lo-fi festivo do Titus Andronicus até músicas acústicas como o The Extra Glenns. Tudo isso fica mais evidente na faixa "Going To Bed Now", onde é notável todas essas influências, do folk ao punk, e essas associações na letra que referem a temáticas completamente atuais com grande ironia.

Eu já falei sobre isso na resenha do You Blew It!  , como é no mínimo estranho que as bandas baseadas em simples rock, no conceito tradicional, e discursa sobre problemas pessoais e de relacionamentos, como o Ozma , imediatamente são descritas como emo. O que realmente acontece aqui. Instrumentalmente, é um meio termo entre o folk punk e o pop punk. Músicas estruturadas em torno de repetição de palavras, poderosas, variando na velocidade. O que chama a atenção para a banda é o mesmo que tem acontecido com outras consideradas – e mais justamente- emo, uma rápida evolução em três anos e pouco de Modern Baseball. Isso fica claro nas composições: mais esperançadas, ambiciosas, variadas. A pós-produção de áudio fica por conta de Will Yip (que recentemente trabalhou com grandes nomes como Pity Sex, Man Overboard, Daylight). Obviamente, soa muito mais competente que Sports (o primeiro álbum da banda).

É quase categórico que bandas assim têm potencial para maior público, ainda que abordem questões tão peculiares entre a transição da segurança da rede adolescente e um mundo que invariavelmente não vai te poupar. Mesmo dialogando sobre términos de amizades e escapes fúteis em relação a isso. É tudo uma montanha russa bipolar de emoções. O efeito da causa que foi o Introverted Romance in Our Troubled Minds, da banda P.S. Eliot. Isso porque todos os contos são assombrados por problemas. Em suma, aquele tipo de disfunções que sofremos muito na hora, e que depois vão abrandando com o tempo, e que parecem que não existiram um ou dois anos depois, enquanto voltamos sozinhos para casa, com leveza, pensando sobre tudo aquilo que sentimos falta.

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