terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Alexander Hawkins Ensemble- Step Wide, Step Deep (2013)


Uma vez, li que a morte era o momento mais significativo da vida, e é mesmo. A minha foi boa, está sendo, não por muito mais”, Fernanda Torres.

Alex Hawkins lançou em 2013 um álbum solo de piano, e em 2012 um grande álbum com conjunto. O novo conjunto presente nesse álbum apresenta pequenas alterações em relação ao último.  Tom Skinner na bateria, Neil Charles (baixo), o clarinetista Shabaka Hutchin, o violinista Dylan Bates. Otto Fischer continua nas guitarras, que tem uma importância fundamental no desenvolvimento das músicas.

Eu ainda me lembro de a primeira vez que ouvi The Shape Of Jazz To Come, do Ornette Coleman. A química de vanguardismo emanava daquele álbum, com as improvisações, a liberdade criativa. A alma desse álbum me lembra da obra-prima do Coleman, não em questão de versos e temas- Ornette usou bem mais- mas em relação à improvisação misturada com uma linhagem mais palatável. E sentimos isso logo na primeira faixa, a mais próxima da arquitetura de Coleman. A interação entre clarinete, baixo e violino é sublime. Em meio a cadencia do andamento, todos os membros tem a oportunidade de solar- outra referencia à Ornette. Terminando com uma grande reverencia graciosa.

Acredito que em algumas faixas seja livre improviso puro. Legal como os músicos respeitam e atentam para o que os outros tocam, construindo um terreno onde o repentino ataca a organização, e vice-versa. As peças atingem uma pegada muito forte, onde é possível ver a dedicação dos instrumentistas. Como estes barganham com “outros”, celebrando o discurso livre. Esse âmago libertário exige muita dedicação e concentração. As sessões improvisadas reagem muito naturalmente com as partes arquitetadas.

São admiráveis as faixas que compõe o disco, Advice fica muito perto de um blues, um blues de improviso com influência óbvia de Derek Bailey. Ensemble/Melancholy brinca com a parte de improviso e composição, onde o arremesso de cada instrumento torna a coisa toda muito caótica ao mesmo tempo em que ordena uma sincronia de arranjos. Para fechar o disco, uma das faixas mais “gentis”, onde os músicos despencam para o livre improviso, cada instrumento dando seu máximo como a procura de resposta, muito parecido com as curtas sessões de improviso de Robert Fripp. Fantástico!

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