quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Wilco- Being There [1996]



Wilco não fez nada de errado na obra-prima que é esse disco duplo.

Uncle Tupelo era uma baita banda, mas na época que o Wilco fez o Being There, a nova banda de Jeff Tweedy realmente não tinha muita coisa em comum com a velha. Comparado com Being There, uma obra-prima de 77 minutos que persiste em segurar a coroa como o melhor trabalho do Wilco até hoje, o simples alt-country do Uncle Tupelo parece uma mistura muito velha. Poxa, até o trabalho anterior do Wilco, o leve A.M, parece entediante quando comparado a isso; é seguro dizer que Being There marca a completa transição do Wilco para os compositores de primeira linha. Misturando elementos psicodélicos e adicionando uma ligeira inclinação experimental nas canções, Being There é um épico vasto que vale a pena sua mais de uma hora de duração.

Being There é sempre excelente de ouvir, certamente não se submete a um gênero musical específico: músicas variam de épico turbulento barulhento para country agradável ou rock otimista. E é tudo bom! Alguns opositores diriam que tanta variedade resultaria em uma bagunça confusa, mas não acontece com Being There; a sensação de tudo estar compacto e a justaposição da localização de algumas canções fazem Being There mais interessante e imprevisível.

Entretanto, considere “imprevisível” levemente: você não vai encontrar ruídos de 17 minutos ou Jeff Tweedy cantando rap em Being There. Mas esse álbum aponta o Wilco tentando verdadeiramente coisas novas pela primeira vez. As canções transitam entre a introdução chocante bêbada e triste em um piano aos fins barulhentos quase psicodélicos, onde Tweedy canta/grita “Eu gostaria de agradecer a vocês todos/ Por nada/ Realmente nada”; lutando para ser ouvido acima do barulho; acredite, nesse momento seu cabelo vai ficar de pé.

Algumas canções, com refrão irresistível, evitam a harmonia com finais dinamicamente monstruosos. De novo, entretanto, considere “monstruoso” levemente; o que não implica em afirmar que Being There é melhor que 99% das músicas que entopem as rádios. O comprimento e alcance de Being There são positivos; há tanta coisa boa aqui que ouvidas repetidas ficam encorajadas e possivelmente essenciais para desfrutar plenamente de tal monstruosidade! Cada vez que você ouvir Being There encontrará algo de novo para mastigar; desenterrando um novo momento favorito.

Wilco sempre esteve em seu melhor quando puxa as cordas do seu coração e enfatiza seus problemas, e isto é verdade em Being There ! A voz de Tweedy racha em emoção quando o coro do refrão entra.
Felizmente, Being There não é só coração partido e tempos lentos. Essas canções são para cantar junto e são melhores apreciadas quando se está completamente embriagado, e as guitarras desleixadas tocando e o vocal irreverente sugere que os músicos ficaram bêbados para gravar toda a festa! Com riffs que caberia tranquilamente em Exile on Main Street, e as letras de Tweedy, se preocupando com vagabundos petrificados e perdedores cansados, poderiam facilmente ter saído da caneta do Jagger.

Não é roqueiro no sentido tradicional, principalmente devido à ausência de riffs massivos ou qualquer instrumento elétrico. Com certeza você vai sentir alguma fadiga fantasma quando os 77 minutos de Being There finalmente passarem, principalmente devido à alta qualidade do material e a forma rápida que você é atingindo com ele, em uma cadeira de balanço despreocupado (fumando charuto e tomando uísque), algo para você relaxar, a maneira perfeita de aliviar a tensão fatigada!

Yankee Hotel Foxtrot é frequentemente (e erroneamente) citado como o principal trabalho do Wilco, uma obra-prima experimental de alturas tão grandes que nunca poderá ser refeita. Being There não é nem de perto tão inovador quanto aquele álbum, na verdade, não é de forma alguma inovador; pode-se até se dizer que o álbum com marca experimental de country alternativo é banalmente comparado com as coisas posteriores da banda, o que pode vir a ser totalmente verdade. No entanto, deixando pra lá o quão “inovador” Being There é ou deixa de ser, não há como negar que as canções são malditas de boas. Por 77 minutos, Wilco apenas bota para fora ótima canção após canção, fazendo absolutamente nada de errado em 19 faixas; se são canções perfeitas que fazem de um álbum perfeito, Being There está cheio delas. Esteja preparado para se apaixonar pelo rock and roll novamente!

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