sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Heidegger E o Nazismo

Martin Heidegger (1889-1976) permanece como um dos filósofos mais influentes do século XX,inspirando Jean Paul Sartre e Jacques Derrida, junto com muitos outros. Heidegger também foi membro durante muito tempo do Partido Nazista.

Depois da segunda guerra mundial, Heidegger equiparou o assassinato de seis milhões de Judeus com a crueldade do holocausto que destruiu seres humanos confinados em condições miseráveis.

O filósofo também comparou o Holocausto realizado por humanos com desastres naturais (como os que têm ocorrido constantemente na China que matam milhões), negando o potencial destrutivo antrópico das famosas bombas de gás:

“A agricultura agora é uma indústria de comida motorizada- essencialmente, ocorre o mesmo com a manufatura de cadáveres em câmaras de gás e campos de exterminação, o mesmo com nações miseráveis em que pessoas passam fome...”.

Heidegger foi correto ao citar o sofrimento esquecido dos cidadãos alemães depois de ambas as guerras mundiais. Após a Primeira Guerra Mundial, os aliados vitoriosos e rancorosos bloquearam a Alemanha.

O bloqueio naval causou fome em grande escala e morte até que a nação dos derrotados concordou com os termos humilhantes do Tratado de Versailles (1919) que impôs condições econômicas desastrosas que ajudaram a trazer Adolf Hitler ao poder.

Por três anos consecutivos após a Primeira Guerra Mundial, o povo alemão foi sustentado com rações próximas da miséria pelos aliados Ocidentais. Em 1948 e 1949, a União Soviética tentou destruir a Berlim Ocidental fechando e bloqueando todas as entradas da Alemanha Ocidental.

Não foi preciso que outras pessoas condenassem Heidegger por sua colaboração intelectual no Partido Nazista. Suas próprias palavras revelam que este era muito mais do que um mero "Maria vai com as outras do Nazismo".

Heidegger se juntou ao Partido Nazista em maio de 1933, cinco meses após Hitler ter ascendido ao poder. No livro Hitler's Philosophers (sem tradução para português), Yvonne Sherratt nota que similar ao que história significa para o Reino Unido e a lei para os Estados Unidos, filosofia é para Alemanha, um tópico de debate e interesse popular, não de domínio exclusivo dos acadêmicos.

O Fuehrer patrocinou filósofos eminentes como Heidegger e teóricos raciais como Alfred Rosenberg, quem foi preso em Nuremberg em 1946 por crimes de guerra.

Mas mesmo os filósofos dúbios como Rosenberg acharam os escritos de Heidegger intelectualmente cômicos. Hoje, os filósofos da corrente principal concedem que o trabalho de Heidegger seja "notoriamente difícil", e o filósofo concordaria uma vez que escreveu, "Fazer a si mesmo inteligível é suicídio para a filosofia".

Possivelmente sua afirmação pública menos famosa durante o Terceiro Reich reflete a constatação de seus trabalhos como incompreensível ou cômico- em um sentido que desafia o mais ridículo humor negro.

Durante uma palestra em 1935, na Universidade de Freiburg onde ele serviu como reitor, Heidegger falou do “ser verdadeiro e grandioso" do Nazismo, “nomeando, o confronto da tecnologia planetária e a humanidade moderna". Hein? Durante outra palestra em Freiburg em 1942, ele disse que o Nazismo representava o ápice intelectual da Grécia Antiga, Sócrates, Platão... E Alfred Rosenberg.

O contexto de Heidegger pode explicar porque ele abraçou a ideologia Nazi reacionária. Seu pai, membro severo da Igreja Católica, apoiou a doutrina papal de 1880 que alienou Católicos moderados na Alemanha e mais outros lugares para estender o catolicismo ultraconservador.

Como Hitler, Heidegger se beneficiou do patriarcado e caridade dos Judeus. Pouco antes da Primeira Guerra Mundial, na época que Hitler vivia em Viena como um vagabundo desabrigado, ele frequentemente encontrava abrigo em casas apoiadas por Judeus filantropos. Heidegger deve sua carreira a um colega judeu.


Edmund Husserl, um professor Judeu-Alemão de filosofia em Freiburg, ficou entusiasmado com o trabalho de Heidegger no começo de 1917. Depois que Husserl se aposentou, ele recomendou seu protegido para substituí-lo como reitor em Freiburg.


No começo de Abril de 1933, todos profissionais Judeus, incluindo professores de universidades, foram demitidos. Os acadêmicos Judeus aposentados, incluindo Husserl, perderam suas pensões. Numa mostra sem piedade que se tornaria letal, o Regime Nazista negou o acesso de Husserl à biblioteca na Universidade de Freiburg depois que este se aposentou.

Apesar de tudo, no fim de Abril, Heidegger se tornou reitor de Freiburg. Ele não defendeu seu mentor humilhado, alegando depois da guerra que eles tinham grandes discordâncias a cerca de assuntos filosóficos.

Antes de se tornar um político com expediente, Heidegger não havia dado impressões antissemitas. Duas de suas amantes e estudantes, Hannah Arendt e Elisabeth Blochmann, foram judias. Ele ajudou Bloachmann a escapar da Alemanha Nazista!

Arendt escapou sem a ajuda de Heidegger, mas se tornou uma de suas maiores apologistas, com exceção do veredito sobre o tratamento do seu ex-amante quanto ao professor Husserl.


Ela acreditava que Husserl havia sido assassinado por causa das afirmações de Heidegger embora Husserl morresse de causas naturais em 1938 com 79 anos de idade, miraculosamente evitando ser um dos 500 mil Judeus deportados da Alemanha.

Depois da operação pós-guerra de "denazisificação" de Heidegger, resultou em uma suspensão de seis anos do ensino. Arendt testemunhou sobre o comportamento de Heidegger, argumentando que seus escritos pró-nazismos foram nada mais que "erros pessoais".

Dois de outros estudantes judeus protegidos por Heidegger, Emmanuel Levinas, e Karl Löwith, discordaram de apologistas como Arendt. Eles acreditaram que a teoria da promoção Nazista de seu professor refletiu na falência de sua escrita apocalíptica.

Depois de se encontrarem em 1936, em Roma, Löwith escreveu que Heidegger expressou "sua fé em Hitler" e que a ideologia Nazista e sua própria filosofia eram compatíveis.

Quando não estava salvando uma ex-amante das mãos Gestapo, Heidegger conseguia ser impiedosamente cruel. Durante a mesma reunião em Roma, em 1936, Löwith reportou que seu mentor originário usava uma suástica Nazista na ponta de seu lápis.

Levinas, quem passou a guerra em um campo de concentração Alemão, jamais conseguira perdoar Heidegger. Durante uma palestra pós-guerra sobre a natureza curativa do perdão, Levinas descobriu sem impossível aplicar aquela crença em alguns casos:


"Alguém pode esquecer muitos Alemães, mas há alguns Alemães impossível de se perdoar". Levinas não estava se referindo a monstros óbvios como Hitler e Himmler, mas seu velho professor em Freiburg.

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