terça-feira, 27 de agosto de 2013

Propagandhi- Potemkin City Limits [2005]

Com um vácuo de quatro anos entre Potemkin City Limits e seu predecessor Today’s Empires, Tomorrow’s Ashes, a maioria dos fãs de Propagandhi, como eu, está acostumada a esperar longo período entre os lançamentos dos álbuns. Mas como qualquer fã também sabe, o Propagandhi é uma daquelas bandas que é qualidade instantânea em qualquer lançamento. Muitas poucas bandas conseguem se reinventar durante suas carreiras; Propagandhi faz isso a cada álbum!  Do punk melódico dos álbuns de 1993 e 1996 para a obra-prima thrash/punk Todays Empires, e em 2005 com Potemkin City Limits, Propagandhi continua a impressionar com seu som diverso, técnica fantástica, e letras puramente geniais.

Se você não tem consciência disso, Propagandhi é claramente uma banda de esquerda, anarquista, anticapitalista, pro-gay, pro-vegan,pró feminista,pró direito dos animais, etc... Acho que deu pra ver a figura. Se você é sensível quando o assunto é política, ou acredita por um segundo nas histórias que a mídia nos fornece, ou acredita no Presidente, ou é patriota, você vai achar o Propagandhi a banda mais ofensiva que já ouviu. É uma coisa muito mais profunda do que as boas intenções de um RATM ou System Of A Down, para propósitos comparativos. Esses loucos têm suas opiniões bem claras, e não tem medo de musicá-las com o som mais único que existe por aí.

Potemkin combina as quebradas thrash/progressivas e as estruturas abstratas das canções do TETA com um som hardcore punk mais franco que é reminiscente do trabalho da banda em meados da década de 90. Embora não seja tão furioso e direto e a guitarra menos pesada do que em TETA, as canções do PCL são longas (em termos punks), envolventes, e complexas, combinando tempos de quebrar a nuca com jams livres, trabalho de guitarra, incríveis linhas de baixo, bateria inspiradora, e, em geral, musicalidade sublime. Eu sei que pode soar exagero, mas você provavelmente não vai ouvir bandas thrash/punk que tocam tão bem como o Propagandhi. O fato de que Chris toca inversões/progressões rítmicas tão difíceis ENQUANTO canta suas polêmicas com uma voz triste e nervosa com longas notas é realmente uma façanha!

No álbum, Potemkin apresenta seu negócio logo na primeira faixa, furiosa, tão intensa quanto o inferno, completada com riffs de revolta que não devem nada para um Tom Morello, riffs que dirigem a um curto-circuito! A banda não perde a mão em alinhar estruturas gramaticais carregadas e complexas enquanto abusam de xingamentos dedicados à meio mundo com vários “fuck”.

Outra faixa interessante de tirar o chapéu para o caminho típico do Propagandhi é a orientada por groove, progressiva, cantada por Todd (cantada e não berrada como ele fazia até então) é Cut Into The Earth. Quase falada às vezes, Todd prova ser um cantor tão capaz quanto Chris, e com muito mais frequência do que no TETA, se intensifica como frontman em outras faixas como Bringer Of Greater Things, um punk meio tempo com riffs extremamente cativantes e ritmo sublime, assim como Life At Disconnect. Suas linhas de baixo melhoraram tremendamente, que já eram ótimas em Empires. As faixas que seguem o mesmo rumo do Empires- “Impending Halfhead" e"Superbowl Patriot XXXVI"- permanecem aqui, e é o que mais lembra o obra-prima de 2001 do Propagandhi. A maioria do álbum em geral é mais lenta e experimental- o que é um testamento de sua versatilidade, como as canções meio tempo são excepcionalmente criadas!

Dissecando todo o movimento PunkVoter/Rock Against Bush assim como a  Vans Warped Tour e suas práticas de negócios, Chris habilmente chama atenção ao aperto de mãos entre Fat Mike com John Kerry (retratado acima da letra no livreto que acompanha o lançamento físico em LP ou CD) como um ponto vocal para bater contra o sua vontade de eleger o “menor dos dois males” substituindo Bush por um democrata que na realidade não era muito diferente, se não igual, ao Bush assassino exterminador do Oriente Médio e da América Central!

A linha hipócrita de Fat Mike “When Did Punk Rock Become so Safe?” do The War On Errorism, fica emprestada aqui com um comentário pungente e fulminante diretamente no seu chefe (a gravadora do Fat Mike lançou os três primeiros discos do Propagandhi): “Bem, você vai me desculpar se eu rir na sua face enquanto eu relaciono suas receitas/ e faço uma planilha dos seus balanços”. E que a verdade seja dita, é muito difícil não aceitar a influência do NOFX tanto em produção de bandas que viriam a se tornar grandes hits quanto sua participação em festivais como o asqueroso Warped Tour.

As guitarras caem quase inaudíveis sobre a batida punk, levando a um riff/verso de som épico! Cheio de movimentos diferentes e seções de “ponte”, bem como uma sonoridade verdadeiramente grandiosa (compara-se com o solo obrigatório de Purina Hall Of Fame) que inaugura um novo clássico para bandas do tipo.

Resumindo, Potemkin City Limits expande o som já diverso do Propagandhi com faixas mais meio tempo e experimentais. Todd realmente intensificou sua presença na banda, atingindo a importância do Chris e do Jordan para realmente completar o derradeiro time de vocais/composição no punk rock. Propagandhi obteve êxito onde o TETA vacilou ligeiramente- no ano de lançamento, se caracterizou como álbum mais forte do Propagandhi em termos de musicalidade, juntando o som da velha escola com as novas tendências metais progressivas do Propa. A cada cinco anos, uma obra-prima. Coisa pra poucos.

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