quinta-feira, 6 de março de 2014

Nadja- Queller [2014]




O Nadja misturou ruídos e shoegaze concebidos de bandas como Slowdive, Retribution Gospel Choir, My Bloody Valentine, The Psychic Paramount, This Mortal Coil, Rise, Lou Reed e Sebadoh adicionado às bandas tão caracterizadas como doom metal e drone em seu novo álbum. Entrando no reino da música imaterial, experimental, cheia de chiados, enfim, inclassificável; fazendo jus à forte e coerente carreira do duo. Assim como as primeiras bandas citadas, as influências de Earth, Æthenor, Oneohtrix Point Never, AUN e Kevin Drumm catapultam o Nadja para um som que simplesmente transcende a mera realidade, característica tão comum no drone, onde o tempo é disperso e inserido em outro contexto, os organismos criados no imaginário vão muito além de simples concepções extraídas do tão dito real.

O alicerce, apesar de todos os barulhos dispersos (e acreditem, existe muito!) é a guitarra. Por exemplo, no começo de Quelerl, temos riffs bem tradicionais, obviamente que estamos tratando de Nadja, então tudo vai evolver para a densidade dilacerada em imersões sonoras. Nenhum elemento fica cintilante, claro, mas são movimentações que a rigor escondem uma beleza obscura em que só é possível chegar se ouvidas com muita atenção. São quatro faixas valsando entre elementos misturados, revelando tensão, desespero. Gigantescas ondas de guitarra, sintetizadores e uma bateria que vai cada vez mais sucumbindo à poderosa parede de ruídos que ainda mantém o riff originário morrendo aos poucos. Isso é uma valia para um álbum que começa tão calmo, contemplativo, como uma caminhada que inicia tranquila e ao decorrer do caminho somos tomados de surpresa por uma tempestade. Toda a coisa fica descomunal, não podemos respirar, esse é o mundo de Aidan e Leah. Uma espécie de fascínio- que é tão belamente passado através das frases de guitarra- com o mundo obsoleto e devastado, como se encontrassem nesses elementos uma brigada. Em toda essa dissonância, Barker clama em voz fúnebre, apoiado na espetacular construção instrumental.

Os elementos nesse álbum colaboram para criar um  mundo carregado, devastado, pelo qual trafega o Nadja: situações extremamente complexas e até paradoxais, onde uma grande beleza reside sob todo o deserto desolado que a construção sonora sugere. O doom metal e o shoegaze difundem-se para a maluqueira animal que é Queller. Uma equação que realmente não é de fácil digestão, e num mundo onde a criação resume-se a tantas obviedades, é claro, uma feliz exceção.

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