quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Foxing- The Albatross [2013]



Não há possibilidade de existência sem narrativa, sem viver uma outra história.”, Xico Sá.

A trilha sonora das noites solitárias e insignificantes de uma juventude nostálgica.

Assim como eu não consigo conter a tristeza ser inerente a meu ser, os vocais em coro alternando com o vocalista principal, em cantos melancolicamente bonitos, cheios de dor, revelam os enganos comuns que atravessamos durante toda a vida, e como isso parece ser o fim do mundo enquanto jovens.

Quantas vezes eu senti tudo esvaindo pelas minhas mãos, de repente tudo é frio, inóspito. A vida toda parece uma despedida. Coros cantando a ausência, cordas, frases de guitarras e cantos distantes quase sumindo no ar como fumaça de chaminé, quando as transformações parecem improváveis.

Mordido pela melancolia, a noite celebra minha ausência e ampara a solidão. A paisagem sonora vai se ajustando ao ambiente, criando nuances no dialogo entre as guitarras. Tudo é lento, alma velha que não se ajusta ao túmulo, melancolia crescente que agora é “eu”, um canto gentil enquanto a guitarra cria versos avulsos para uma bateria simétrica, quando eu não estive desapontado?

Eu desejo que o meu melhor não fosse tão pouco, eu queria ser amado, o vocal é só garganta e se encontra vulnerável enquanto a guitarra insiste em seus versos matemáticos e simétricos. O piano é um farol, a música é um farol porque há tempos tenho andado cego neste mundo.

Então eu fico calmo, ouvindo piano e vozes estranhas emitindo sons que não são distinguíveis, as pessoas vivem dizendo que as coisas vão melhorar. Olho a forma da noite, uma lição fica evidente quando as cordas crescem fazendo um jogo com os instrumentos acústicos; apesar de todos, só tenho a mim mesmo, e todos são os mesmos sem mim.

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