quinta-feira, 9 de abril de 2015

Warhorse - As Heaven Turns To Ash [2001/ Re-issue - Southern Lord - 2015]

Muitas e muitas bandas morrem e isso com certeza não é nenhuma novidade. Esse foi o caso do WarHorse, que tinha seu principal lançamento há muito fora de catálogo. Coube a Southern Lord recuperar esse clássico esquecido. Não bastasse isso, em conjunto eles também colocaram as músicas do último EP da banda, I Am Dying. Como expoente do metal lisérgico e decididamente pesado, a abordagem do WarHorse tem em seu diferencial uma espécie de apropriação. Eles não tentam propriamente estimular algo, aqui tudo se trata da contribuição para uma suposta atmosfera.

Dusk” começa as coisas sem indicar nada. Uma ambientação baseada em instrumentos acústicos e sons difíceis de serem identificados instauram uma áurea de mistério, situando-se como mero esboço do que está por vir. “Doom’s Bride” é forçosamente lenta, se arrastando entre solos e riffs brutalmente distorcidos. A batida da bateria se esconde atrás da distorção e só ouvimos as principais viradas, enquanto o vocal anuncia sua maldição, em grunhidos. Chama atenção esses elementos conjurados num arrastamento. Já estamos no tempo evocado pelo Warhorse. “Black Acid Prophecy” nos leva de volta aos anos 70 e tudo o que mais pesado acontecia naquela época, certa unidade dos riffs bem altos que deixam tudo mil vezes mais “intragável”, distorções que tomam a música para riffs alavancaram uma sequencia derradeira que arrebata fácil qualquer fã de Black Sabbath. Mas são canções como “Amber Vial” que caracterizam esse disco como um clássico; sua estética lo-fi, totalmente voltada a elementos psicodélicos, assim, enquanto mantém o clima de “morte” do disco, entrega a esse tema uma abordagem completamente diferente, com certeza mais “sonhadora”. Como em um caos marcado, “Every Flower Dies No Matter The Thorns” surge sem comprometer a evocação da música antecessora e ela vai, numa medida hipnótica e sem pressa, nos devolvendo as angústias que as primeiras músicas disseminavam. Como um morto que retorna, esse é o Warhorse nos dizendo “nós somos assim e você não vai conseguir fugir disso, jamais”.

“Lysergic Communion” é um acesso de distúrbio. Claustrofóbica por causa de sua lentidão, seu preenchimento é basicamente as distorções estendidas. “Dawn” segue a linha de “Amber Vial”, e decididamente subproduzida, é outra escapada “mística” do ambiente arrastado e aprisionado do disco. Os riffs que pareciam um pouco esquecidos voltam a tona com “Scrape”, criando pontos praticamente indivisíveis, as baterias ganham propulsão e aquela unidade arrastada adquire mais corpo do que nunca no disco, onde tudo fica tão incomodo e alto que dá vontade de socar a própria cabeça porque, com certeza, a importunação será menor. Esse ciclo é outra vez quebrado com o piano repetitivo da instrumental e curta “And The Angels Begin To Weep”. O disco acabaria ai em seu lançamento original,  cumprindo sua função e construindo um terreno onde morte e misticismo são abordados. Porém, nesse relançamento, temos uma espécie de conclusão, que é onde entra “I Am Dying”. Percussões tribais e as distorções bem baixas funcionam como uma espécie de batizado da morte. “Horizons Burn Red” encerra com guitarras poderosas como serras dividindo os corpos, com certeza umas das mais poderosas no metal extremo. O vocal pela primeira vez (e última) opta pelo gutural, como se fosse para estabelecer o sepultamento.


Sepultando não só o disco e suas propostas, mas também o breve período de duração do Warhorse. Os membros seguiram para outras bandas, mas é inegável que As Heaven Turns To Ash merecia mais atenção dos fãs de música extrema, porque tem todas as características que nos aprisionam em estéticas tão radicais, adicionando certa dose de fascínio em temas totalmente pessimistas, ainda assim descobrindo encantamento nessas questões. Encantamento indicado nas faixas de menor duração, que indicam que o Warhorse não é só “morte”, mas também que também há escapismos. E o processo que o paraíso se transforma em cinzas é maravilhoso.

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