quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Há um ano eu falei no ano que vem vou ser um homem melhor

Eu ainda me lembro do ano passado e de nossas promessas. E você colocou um chapéu em mim, a banda passava lá trás. Dizia:

- Assim você fica bem melhor.

E roubou o meu celular e tirou uma foto.

Aquele celular que eu perdi um tempo depois. Naquele mesmo celular que eu disse “eu te amo” pela primeira vez, tantas vezes, com o álcool na minha garganta e eu me perguntava, “será que um dia vou gostar tanto de alguém a ponto que tudo o que eu diga não me soe como fingimento”?

Lembra que há um ano eu estava melhor, e larguei o emprego e tentei voltar a escrever? Lembra que você me dizia “eu nunca namorei” e meus olhos só procuravam o canto dos bares, algum ponto fixo para eu evitar te olhar.

Eu me lembro de nós dois girando e um mundo engraçado atrás, e das cervejas geladas e dos meus goles escondidos de cachaça.

Eu lembro quando você acabou comigo e eu não senti nada. Até achei engraçado na verdade e segui rapidamente em frente (eu que demoro tanto para me desapegar). E tem sido assim, com meus pais, com as pessoas que me cerco, eu digo um monte de merda, encho minha boca de palavras e no fundo eu sei que é só fingimento.

Eu só preciso matar o tempo. Tanto faz. Sei que vou voltar a caminhar sozinho pelas Avenidas. Em noites de calor, e vou olhar o movimento das nuvens e vou me lembrar daquelas raras histórias.
Dos raros momentos que vivi e das abstrações que eu reservei pra mim. Um dia desses, eu largo meu emprego e escrevo meu Grande Gatsby, um dia desses, eu paro de pensar se você foi importante pra mim. Eu até tentei voltar, tentei falar contigo

- Sinto sua falta

Mas essas coisas sempre me soam bobas e nós não temos nos visto. Daqui um tempo, meros amigos. Daqui um tempo, apenas o gosto pelos mesmos discos. Algum dia talvez eu veja sua banda tocar e a gente até divida uma cerveja. Mas a gente sabe que é impossível voltar a sentir o mesmo.

Eu estou tão cansado de tentar recomeçar sempre. Precisava duma mão garantindo que “tudo isso vai passar”.

Ou quem sabe o destino para de troçar. Enfim, ano passado a vida estava bem melhor. Hoje estou sufocado. E juro que não é pela tua ausência.


Mas como eu sou alguém que precisa entender o significado real de ausência.

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