segunda-feira, 14 de abril de 2014

Owls- Two [2014]



Depois de tantos anos, você...

As possibilidades imaginadas em minha mente foram tantas depois de ficar sabendo sobre o novo disco do Owls. O que interferiu diretamente na hora de ouvir o álbum. O que influenciou muito, também, é saber sobre todos os projetos que os membros do Owls vêm realizando nesses anos, alguns mais estáveis, outros mais singulares. Como reunir e voltar a lançar algo inédito, sendo que o Mike tem o bem sucedido Owen, o Tim ter feito cada vez mais bizarrices (pro bem e pro mal) no Joan Of Arc, o Victor criar suas marcantes assinaturas na guitarra e batalhar contra seu vicio nas drogas, o Davey ser uma espécie de lenda no The Promise Ring enquanto Sam, mais discreto, seguia os trabalhos do Tim e do Victor? Two marca o retorno do quarteto após treze anos, o que gerou muita, muita ansiedade.

Ainda no primeiro álbum, de 2001, o Owls balanceou a singularidade de cada integrante em prol de um desenvolvimento coletivo. As diretrizes para muitas das bandas que se convencionou chamar “emo revival” estão todas lá- harmonias desvirtuadas, fortes grooves harmônicos, excessivos sons discordantes. No que se refere ao fator “estranho”, normalmente atribuído ao Tim, também existia um senso experimental ao lado de partes mais palatáveis e fáceis. Como prova de que o Owls caminhava nessa linha tênue, o Tim saiu para jornadas cada vez mais aventureiras e inaugurais e Mike encontrou sua zona de conforto em um projeto solo, semiacústico. Aí temos um ponto para o Tim- surge Victor como contrabalanço para o Joan Of Arc, sempre inovando no sonoro que muitas vezes fez a banda não ser compreendida . Seu estilo Hella de tocar guitarra, onde esta ganha atenção devido à sua peculiar infusão de jazz no punk rock.

A opção estética no primeiro álbum cai diretamente no Two. É que onde antes os artistas ainda muito novos buscavam uma individualização em meio um rico contexto enquanto grupo musical, agora são pessoas que já estão em respectivas áreas de aconchego. É um momento onde eles não estão em seu auge de processo criativo, mas é o lançamento em que há um foco e ponto estabelecido, resultando em um som extremamente interessante para quem tem acompanhado minimamente suas carreiras. No que se refere a bateria de Mike, midwest emo anos 90 focada mais no espaçamento post-rock, lembrando Shipping News. Ainda voltando à vida de músico, Victor faz progressões histriônicas muito comuns dentro de seu histórico. A propagação do baixo, no entanto, não existia no lançamento antecessor, e Sam pode mostrar mais seu talento. É um a soma interessantíssima da evolução dos músicos pós- Cap’n Jazz. O vocal do Tim, pela primeira vez em anos, ainda mantendo suas alternâncias, não modifica o humor do disco. É legal vê-los juntos novamente. No retorno, a banda, agora ao lado de várias cuja influência é inegável, não quer “dominar” esse reino que ajudou a construir nem simular o disco uma vez criado. Como toda a carreira desses indivíduos, Two é uma finalidade em si. A união sonora de músicos com uma tremenda contribuição para os rumos da música independente, não puxada aos limites em respectivas individualidades, mas com um epicentro estético único que em breve será destruído assim que eles se separarem.

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