quarta-feira, 9 de julho de 2014

Entrevista com Coti ( Costantino Kiriakos)

O último trabalho de Costantino Kiriakos, como Coti, é praticamente indispensável, vale a pena conferir  cada segundo. Ele está envolvido com o experimentalismo eletrônico desde os anos 80 e tem outros projetos que também merecem uma checada. Fiquei muito feliz quando ele concordou em responder a algumas perguntas:
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[Anthem Albums] Como você se envolveu com a cena musical de Atenas?

[Coti] Eu nasci em Milão, na Itália, mas eu me mudei com minha família para Atenas quando eu tinha cinco anos. Comecei a me interessar por música muito tarde para uma criança, por volta dos quinze anos, e eu comecei imediatamente a fazer a minha própria música. A partir daí, foi uma simples questão de tocar e tocar e conhecer outros músicos no processo.

[A.A] O que você mais aprecia em você como músico?

[C] Acho que o que eu mais valorizo é a minha abertura para o que é música.

[A.A] Você é muito produtivo, muitos lançamentos nos últimos anos. Você às vezes tem bloqueios criativos?

[C] Sim, eu tenho bloqueios criativos, minha maneira de evitá-los é deixar o projeto que eu estava trabalhando e passar para algum outro que poderia ser mais inspirador no momento.

[A.A] Você pode descrever a cena musical de Atenas?

[C] Atenas no momento é um lugar muito interessante para estar por causa de toda a crise acontecendo aqui. Há um número muito grande de bandas e outros projetos musicais acontecendo. São tempos muito difíceis, mas interessantes ao mesmo tempo.

[A.A] Como é que Atenas influencia a sua música, a maneira de escrever, criar?

[C] Eu tenho que dizer que meu lugar musical não é Atenas, provavelmente muito barulhento para mim me concentrar, eu escrevo principalmente na ilha de Tinos, onde tenho uma casinha.

[A.A] Como rolou a gravação de Solesulsuolo?

[C] Solesulsuolo foi composto e gravado em Estocolmo. Eu fiquei na Suécia por alguns meses, verificando se eu gostaria de viver lá (eu não). Um bom amigo me deu acesso ao seu local de ensaio e então eu fui lá para tocar com o meu novo instrumento que eu tinha acabado de construir, o Oniscus Harmonicus. Os tempos eram muito difíceis em um nível pessoal, mas escondido no estúdio só gravando e tocando foi ótimo, também ao lado havia a melhor pastelaria em Estocolmo.



[A.A] Como são suas apresentações ao vivo?

[C] Eu não me apresento sozinho muitas vezes, eu toco ao vivo na maior parte com Mohammad (um trio que temos com Nikos Veliotis e ILIOS). Ultimamente eu comecei a tocar com o meu projeto musical, The Man from Managra.

[A.A] Quais músicos são seus remédios?

[C] Compositores como Lee Hazlewood, L.Cohen e Eno.

[A.A] Você ainda ouve os músicos que você estava ouvindo quando você começou na música?

[C] Às vezes eu ouço, eu estava ouvindo Go Betweens semana passada.

[A.A] Quais são as principais mudanças de “Onda” para “Solesulsuolo”?

[C] “Onda” é gravado apenas com um contrabaixo, e o Solesulsuolo com o Oniscus. Onda foi escrito em uma ilha do Mediterrâneo, no verão, enquanto Solesulsuolo foi escrito no norte da Europa, desejando estar na ilha. Então Solesulsuolo é muito mais obscuro para mim.

[A.A] Como artista, você acha que a crítica ainda é relevante? Você lê críticas?

[C] Sim, eu leio, todos os músicos se preocupam com o que as outras pessoas pensam de sua música, alguns simplesmente não vão admitir isso. Claro que uma má crítica pode estragar o seu dia, mas é um risco que você tem que tomar.



[A.A] Como outras formas de artes influenciam a sua música?

[C] Eu sempre penso na música de uma maneira visual. No momento que ouço a música eu imagino linhas, pontos, etc.

[A.A] Quais outros projetos você está envolvido agora?

[C] Acabamos de lançar Zo Rél Do, quarto lançamento do Mohammad (confiram aqui www.mohammad.gr) e estamos organizando uma pequena turnê europeia para outubro.
Com o The Man From Managra (www.themanfrommmanagra.com) estamos tocando em algumas casas de show aqui em Atenas, e eu também estou tentando ver se consigo alguma forma de promovê-lo fora da Grécia.
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