terça-feira, 29 de julho de 2014

Agalloch e as pontes com a tradição.



Cada vez que respiramos, afastamos a morte que nos ameaça.”
- Schopenhauer

I



Quantas vezes já não exclamaram que o metal estava morto, trucidado. E talvez não lhes tire a razão, porque com aqueles solos excessivos e a pose valendo mais que qualquer coisa, o gênero pode ser mal interpretado. Mas bandas como Agalloch e o Bloodbath tão ai para provar que as coisas podem ser feitas de outra maneira. Com caráter adiantado, ambas projetam -cada qual a seu modo- inovações em respectivos gêneros. Absorvem a simples base do metal em conjunto com facetas acústicas. O Agalloch aperta isso com componentes derivados de tradições folclóricas revelando tensão, incorporando texturas atmosféricas de sonhos, mais outras diversas influências.

Pale Folklore é um álbum concentrado em vastas paisagens atmosféricas, sendo a principal estratégia afogar o ouvinte nesse ambiente poderoso. Mesmo que contém diversas músicas, algumas separadas por capítulos, a sensação é de uma longa faixa onde os intercâmbios entre riffs e interferências “externas” convergem na experiência. A continuidade entre as canções assegura essa uniformidade que sem dúvidas é a proposta. Um ritmo quase congelado, contemplativo, nos molda ainda mais nessa sensação. “She Painted Fire Across The Skyline” é um épico de quase vinte minutos, dividida em três partes, o inquieto vento abre para uma introdução calma melodias de guitarra. Sem dúvidas, um pouco de audácia da banda em seu primeiro disco cheio, na primeira música, introduzir uma trilogia que dificultaria e afastaria mais ainda um ouvinte não conectado com esses conceitos. As letras são sobre a conexão um tanto quanto austera, sombria, com a natureza, sendo realmente muito profundas e sérias, construindo uma fortaleza sobre lugares e reflexões desolados.

“[...] torna - se cada vez mais comum hoje em dia o descuido com as línguas antigas, cujo aprendizado parcial de nada serve, contribuindo para a decadência geral da cultura humana” (Schopenhauer). Quaisquer que sejam as saídas, para o Agalloch é inevitável uma ponte com a tradição para tratar de qualquer tema possível, o instrumental que realmente não é técnico, encontra na simplicidade essa forma de dialogo. São encaminhamentos que transitam entre a melancolia e a beleza, a contemplação e o desolamento, os vocais limpos e os urros, o passado e a nostalgia convergindo no presente. 

Pale Folklore [1999]


Diante da obra do Agalloch, o que eu penso é “temos aqui um álbum para uma finalidade única”, por isso é necessário ouvi-lo na íntegra, todas as passagens e transições. A transposição de elementos cadencia um estilo intrigantemente único. São músicas cujas melodias agarram-se em nossa carne após vários atravessamentos. Como nos álbuns do Bloodbath, pensamos “o que vem agora, qual a próxima etapa?”. O grande desafio do Agalloch, dali para frente, seria manter esse nível de qualidade sem soar repetitivo, porque Pale Folklore tende tanto para o lado mais contemplativo quanto obscuro de nossas apreensões, onde tantos sussurros quanto barítonos insistem em se manifestar.

II


A mistura que caracteriza o segundo disco do Agalloch na verdade não exata a linha de definição entre os gêneros que a banda liderada pelo guitarrista e vocalista John Haughm: Black metal, acústico folclórico e rock atmosférico se convergem para propulsar uma das sonoridades mais arrasadoras da década passada. Por outro lado, essa mistura podia dar muito errado. O pensamento da banda como um antro em que divergências estéticas se unem reflete um caráter não passivo. São tendências de diversos, vastos movimentos artísticos que confluem para uma personalidade afirmativa enquanto artistas, revelando uma natureza densa, onde todas as espécies erigidas pelo espírito humano habitam. Por isso, o afeto a uma grandiloquência que poucos têm a coragem de se arriscar; a reinvenção da tradição como linguagem contemporânea, a difusão de estilos que pareciam fadados e secretados à pequenos nichos- o mistério da composição musical como criação de um ambiente extremamente autoral.

Para completamente aproveitar o álbum, é necessário “emergir” na atmosfera criada- o que não é muito difícil, pois você vai ser hipnotizado pela catarse. Antes de simplesmente abusar dos sintetizadores por pura virtuose, o Agalloch associa seus simulacros de harmonia para criar um vasto e desolado universo. Por esse motivo, toda a força converge para a real criação de um ambiente precedente à conceitos qualitativos (reconheço que acabei de fazê-lo, mas por puro intento de apontar que há um lugar que não se pode dimensionar). O delírio do Agalloch é que toda essa vastidão criada, uma catarse de solidão, pode-se tornar-se palpável, um abrigo, um conforto. Como uma ameaça que na verdade te liberta, propulsiona às caminhadas ainda não feitas, pela possibilidade de que contradições tão gigantes possam conviver paralelamente e intimamente. O delírio é a experiência, os rios, os sons- tudo um reflexo de coisas que nem sabíamos que existiam em nossos lares.

Um mundo devastado. No sentido de catarse, desolação- a interposição entre elementos acústicos e elétricos, construções que exaltam beleza ao mesmo tempo em que sussurros demoníacos ecoam em todo ambiente. Uma atmosfera que nos encaminha a todo instante para a contemplação do mundo que deixamos para trás, enquanto a noção da mortalidade insiste em nos perseguir. 

The Mantle [2002]


São paradoxos que obviamente coexistem. A perseguição do Agalloch e o fascínio por uma estrutura mais ou menos rígida- que contempla uma vastidão sonora- como a estrutura “instrumental-vocal-instrumental-vocal” no que se refere à sequência das faixas é a medida da paciência e apuro extremamente perfeccionistas que a banda estetiza ao longo de quase setenta minutos. Não há dúvida; a forma cíclica lança um poder de imersão já rígido, mas manter o ouvinte interessado ao longo desse tempo é que caracteriza a transcendência do disco. São frequências distorcidas que arrebatam; cruzamentos com diferentes estilos cantados possibilitam formas revistas de diálogos dentro do mesmo tema- a repetição do instrumental como afirmação do caminho. Talvez a gigante seriedade ainda dificulte o registro como um todo, mas essa percepção vasta do universo assim como o foco em atos relativamente pequenos justifica tal escolha. Mas existe algo além da imposição melancólica e suas ramificações em The Mantle? Por isso é um álbum que exige retorno- alem de sua óbvia beleza acurada, a composição de um quadro prazeroso e dolorido- sua catarse é justamente esse ciclo.

As alternações duram o álbum todo. Das belas passagens pós-rock, simpatizando com elementos externos como vento e natureza, assim como partes mais pesadas com vocais gritados. São variáveis que se interseccionam para estruturar o terreno de travessia, com canções, como “You Were But a Ghost In My Arms” ridiculamente cativantes, apelativas- diversos fragmentos posicionam gerando um estilo coeso, a tão citada unidade sonora, uma expressão genuína. Pensar o Agalloch seria tentar definir uma espécie de terreno místico. Esse pensamento deve ir além do som, mas sim de sua movimentação circular enquanto potência apreensiva. Como na letra que reflete sobre a existência de deus, devemos nos focar no presente como instância absoluta.

Diante da obra-prima que é The Mantle, é impossível permanecer intacto, uma combinação majestosa de gêneros. Uma criação fluída onde a combinação do Agalloch estabelece uma atmosfera única. É uma obra que dialoga com outros clássicos definitivos como o Damnation do Opeth, apresentando fibra própria, sendo reforçada principalmente pelos elementos acústicos. Ainda choca o quão refrescante suas hipnoses soam, em uma linha tênue entre o pós-rock e o rock independente. The Mantle desafia a própria noção de gêneros e caminhos pré-concebidos para uma criação plenamente artística, uma espécie de terreno místico onde questões existenciais, mortalidade, melancolia são dispostos em um vasto território que poucas outras bandas ousaram pisar- o Agalloch fincou sua bandeira lá.

III


Compartilho minha percepção de que o Agalloch seja uma das bandas mais relevantes de metal hoje em dia, seja de qual subgênero estamos falando ou à qual nicho do Black/folk/doom metal a banda faça mais parte, mas sua projeção é de fato destacada, então cada lançamento é cercado de grandes expectativas. Operam num conceito “atmosférico” para estruturar divergentes camadas em diferentes estéticas. A orientação em voltar sempre à natureza como assunto predominante é a ponta que une essas vertentes distintas em prol de uma abordagem bem específica.

Ashes Against the Grain [2006]
 
Se precisasse de uma palavra para definir a música da banda seria “épica”- são ambiências criadas que emergem o ouvinte em cenários contemplativos. Criam longas faixas para que o dialogo entre os elementos constituintes desse ambiente ocorra em seu tempo. Daí, os conceitos extraem-se quase matematicamente, com uma naturalidade notável. E mesmo que essa atmosfera demora uns sete minutos, admiramos o vasto terreno criado, pensamos “que mundo fantástico temos a explorar”. A visualização desse horizonte já nos liberta da realidade demasiada previsível à qual somos confinados. São trilogias criadas para emancipar o ouvinte do tempo deste mundo.

Enquanto The Mantle tinha um clima mais “chill out”, lento, denso, contemplativo e uma sonoridade post-rock, Ashes Against The Grain volta com um Agalloch retornando ao metal extremo, ao caos. O conceito é mais intimidante, grandioso em sua encarnação de maldade, de niilismo- são meditações que criam um cenário de tensão, onde as paisagens sonoras inclinam para o limbo da humanidade. Riffs melódicos que não podem ser evitados, cantos fúnebres divergindo com o típico vocal Black metal, onde a estrutura do álbum pode ser como num livro, e a finalização se dá em uma épica trilogia.

As primeiras seis faixas mantém um nível muito alto. À medida que as canções vão passando, percebemos como o vocal de John Haughm tem preferido mais uma orientação Black metal, deixando as partes limpas para as passagens estritamente necessárias- uma evolução se comparada com The Mantle, cujo único mínimo defeito é uma distribuição dos diferentes estilos de voz não tão bem planejada. Desdobra-se para transições melódicas, onde as guitarras arranham e constroem o clima, revezando o pano de fundo com os vocais às vezes distantes, às vezes mais próximos e angustiados. Considere toda essa profusão sonora, esses múltiplos elementos somados com a imersão atmosférica, envoltos em tristeza e raivas únicas, lamentos sobre nossa condição demasiada humana, uma meditação sobre nossa enorme falta de importância se comparados com a neve, os lagos, as paisagens desoladas. É uma combinação que provoca reflexão e catapulta o Agalloch ao palco onde, gostando ou não, temos que admitir que seja somente deles.

A duração de praticamente uma hora se concentra numa história articulada em fragmentos, nas odes instrumentais ou as referências constantes aos pássaros- como vislumbre de nossa impossibilidade de grandeza. Um foco tão grande nos pássaros bate com o trabalho de arte, ou seja, uma estética que alguns podem achar bizarra, mas que condiz com a visão imputada unicamente nesse disco pelo Agalloch- óbvio que a continuidade sonora entre as faixas e a trilogia final acentua isso. Todo o tema do álbum pode ser encarado como uma ode triste para a natureza, nossa mortalidade e a comunhão de ambos. Todo o problema de nossa mortalidade demasiado registrada como simples evento rotineiro na grande natureza. Em cima dessa espécie de melancolia resignada, a banda tira sua força criativa.


O mais bacana aqui é que cada canção tem sua identidade meticulosamente construída- são exercidos riffs que se intercalam, como nos álbuns anteriores, com passagens acústicas, linhas muito melódicas de guitarras, em contraponto ao vocal mais sombrio e pesado de todos os discos que o Agalloch lançara até então. Não são formas revolucionárias- de maneira alguma!- mas é um perfeccionismo precioso que justifica o intervalo entre os lançamentos dos álbuns, e claramente possuem um conteúdo expressivo. O movimento das guitarras, o andamento lento, a insistência em repetições temáticas, a obsessão com a natureza. São sofrimentos ambientados, um vasto panorama para nos imergir num estado contemplativo e decepção com a humanidade (“god of man is a failure”).

A bateria de pedal duplo também chama muito a atenção, com viradas impressionantes em momentos inesperados. Eles devem ter a consciência de que estavam construindo canções épicas, com quebradas de tempo inesperadas, um clímax, passagens mais quietas. Percebemos dentro os vários tipos de vocais, a emoção com que a letra é encarnada. Como se fosse um acúmulo de múltiplas experiências. Aqui, não temos o cenário do dia-a-dia, mas uma paisagem sonora pretensiosa, mística. Somos arremessados num mundo gelado. Difícil de escapar.

O álbum pode ser dividido em duas partes- as cinco primeiras músicas, que não tem uma conexão tão definida entre si, e a segunda, a trilogia “Our Fortress Is Burning…”, que é basicamente uma mistura de todos os elementos anteriores, mas envolvendo um conceito muito específico, onde a maior parte é voltada ao instrumental, com letras curtas- nessa parte onde o vocal é introduzido, temos o grandioso clímax, antes de tudo se “acalmar” na última e derradeira etapa; um drone de guitarra que não deve nada aos melhores trabalhos de “dark ambient” que vemos por aí. Essa conexão que encerra o disco pode ser concebida como a constatação da morte de deus- pelo menos o deus do homem. Por isso a obscuridade da última faixa, o eu lírico está sem espírito, percebe que é, de fato, nada.

A primeira parte da trilogia funciona mesmo como uma introdução- o lado acústico é mais focado em uma construção calma e clínica, em que as guitarras aos poucos vão entrando e a bateria cada vez mais pesada, tendendo a puxar para o uso forte dos pedais duplos. Como se estivéssemos caminhando exatamente no início de uma tempestade. O ato antes da grande cena. Temos um esboço do porvir, esperamos alcançá-lo antes de morrer e, assim como a repetição das mesmas frases acústicas e de guitarra durante o resto da trilogia, esperamos levar o que ganhamos conosco, esperamos não perder nada. Esse é o desenvolvimento, as pretensões do Agalloch nesse capítulo final.



Na segunda parte da trilogia, temos o que se convencionou chamar de clímax, outra construção instrumental meticulosa do Agalloch, até a voz de John Haughm entrar com ódio, sofrimento e apelo- para ninguém, para o fracasso que é o deus do homem. É como se eles quisessem ir além de toda essa fortaleza sonora criada, almejando uma inauguração das sensações, distante do humano. A música parece sair da relação entre o homem e seus fracassos monumentais- a constatação da derrota do conceito enquanto linguagem, afinal deus é outro conceito.

Esse contexto- apostando ferozmente na capacidade de criar um ambiente denso, melancólico e contemplativo- que nos assalta e nos pega de surpresa ao término do disco. Intensidade visual. Instrumentais variados para a descrição da natureza. Pináculo emotivo, imagético, narrativo e sensorial. Uma espécie de retorno- não a certo tipo de música, mas aos conceitos que nos afastam do primário- à neve, ao lago, aos pássaros. Após a trilogia, sua mente vai continuar queimando, como as certezas que você tinha sobre música antes de ouvir esse álbum. 

IV


Em Marrow of the Spirit, muitos pensaram que teríamos a culminação do Agalloch, um clímax onde os três álbuns lançados anteriormente eclodiriam na obra-prima do conjunto, o problema é que apesar de ainda acertar muito bem, com a injeção de trêmulos e blast-beats ou nas transições post-rock, há uma espécie de perda no sentido de conceito e direção sonora- o que sempre foi uma das principais qualidades da banda.

O Agalloch parece meio indeciso quantos às progressões, às mudanças de tempo, e sem vergonha alguma pegam emprestado (para não dizer “roubar”, ou ter a “preguiça de criar”) modelos que desenvolveram anteriormente, não para trabalhar em cima ou renová-los, mas em função de uma estética já tão utilizada por eles que se mostra obsoleta. São concepções que, vejam bem, continuam com o clima sombrio, melancólico, contemplativo- mas mostram-se como subprodutos, especialmente analisando os discos antecessores da banda.

Os vocais limpos de Haughm, que nos álbuns anteriores surgiam como certas doses de alívio aparecem em alguns pequenos versos, algumas músicas estão claramente deslocadas e são direcionamentos deficientes que não passam sem chamar a atenção, devido às longas durações das faixas- no entanto, o apelo par a música clássica, com variações acústicas e das seções de cordas, é a melhor sacada do disco. A mistura está mais branda; abordando dessa vez, principalmente na segunda faixa, grande dose do que se convencionou chamar “depressive Black metal”. Mas a perseguição ao absoluto parece atrapalhar o Agalloch, como se estivesse esquecendo-se de lembrar a necessidade de injeção emocional- o que eu mais gostei no The Mantle.

Marrow of the Spirit [2010]
 
O baixo parece como em uma das músicas, um fantasma- as tremuladas não são originais nem de grande importância no deslocamento do disco, ao invés da atmosfera que nos emergia, temos uma que, embora mais ambiciosa, é completamente frágil, uma vez que as transições acústicas foram reduzidas, mas o apelo maior a parte elétrica não funcionou, pois a banda claramente se perdeu nesse sentido. Parece que estamos diante do Agalloch de quinze anos atrás- muito pretensiosos, mas sem ideia de como conduzir isso.

Fica esquisito relatar o lançamento de um disco apenas “médio” do Agalloch, deles que esperamos uma coesão envolvente, progressões inesperadas- depois de três discos lançados, o classicismo de Pale Folklore, o post-rock abrangente de The Mantle, a decepção com a mortalidade desenvolvida epicamente em Ashes Against The Grain- mas temos aqui um retrato falho de elementos que a banda já tinha desenvolvido melhor, de novidade apenas os blast-beats.

V


As passagens em The Serpent nos mostram um caminho pouco tangível, talvez até inacreditável para o que o Agalloch vinha construindo, são acessos que podemos chamar de “progressivos”, ativando os blast-beats, mas que não são “vivos”, ideias velhas e já exploradas de forma muito melhor nos antecessores. Essa nova fase representa talvez uma banda procurando novos caminhos depois da discografia sensacional construída nos primeiros discos, mas se realmente é uma busca, eles estão muito, tremendamente perdidos.

Enquanto os instrumentos praticamente clamam por abordagens que não sejam apenas repetitivas, mesmo que os riffs sejam de fato legais, cansa ouvi-los por minutos que parecem horas assistindo televisão domingo a tarde, e essa recorrência não faz parte de plano estético algum, apenas está lá porque descaradamente eles não sabem o que fazer. São concepções que exibem frestas interessantíssimas, mas estas ou são mal aproveitadas ou subaplicadas- às vezes temos escapes dessa demência cíclica, porém estes não equivalem ao tédio maior que passa o disco.

Os interlúdios acústicos soam sufocados e mal desenvolvidos, não chegando nem perto da ambientação criada em álbuns como The Mantle, nem a agressividade soa de fato nociva, é uma porção de especulações e desenvolvimentos anteriores que eram bem melhores, novamente, o Agalloch parece como uma banda perdida em um acervo lírico e sonoro rico que eles mesmos haviam criado. A mistura do que se convencionou chamar “neo-folk”, com a extremidade do metal é muito esparsa, não desperta o interesse de forma completa. A perseguição pelas essas harmonias extremamente próprias pode ter se perdido.

The Serpent and the Sphere [2014]
 

Os momentos “triunfais”, que nos discos antecessores praticamente ocupavam toda a duração, acontecem raramente, devido ao apelo ”técnico” que nunca foi o forte da banda, ao invés disso é apresentado um conjunto cujos esforços em propor alguma espécie de “vanguarda” são quebrados a todo instante, pelas entediantes músicas que ficam apenas remodelando o mesmo tema, com ápices previsíveis.

Parece que o Agalloch se esqueceu de como transformar um conceito em movimentos musicais fluídos, melodias deslumbrantes e planos sonoros ricos em imersão. De alguma forma, a prosperidade ficou em algum ponto perdido do Marrow. A qualificação e o envolvimento em diversas formas agora parece plágio de tudo o que eles fizeram. São belas ideias velhas sendo reavivadas da pior forma possível, resta a esperança de que a antiga semente ainda esteja lá, em algum lugar.


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