quinta-feira, 24 de novembro de 2016

estas noites nostálgicas; pensamentos causados por 16​/​04​/​16, de cavetown

cavetown - 16/04/16

Bem vindo à meia noite; fantasmas que se perpetuam, coincidências que se retraem. Você foi o fruto do acaso e sempre celebrou tentando ser mais do que isso. Você falhou em tentar celebrações e houve uma época em que você entoava, "mesmo fracassando sempre eu não vou desistir jamais". Agora você percebe que o estímulo inicial nunca existiu, que foi tudo um exibicionismo de performance. Eu não lembro se eram meus gritos ou se eram simplesmente olhos abertos que emprestavam à tudo que me circundava algo como um "grito externo que nasce de você". Você se isolou premeditadamente pensando que teria sabe, uma margarida amarela sinalizando algum tipo de falta

" ele não sabe se comunicar. Ele é sempre quieto assim. Ele fica mais maravilhado com o crepitar das folhas do que qualquer outra coisa". E eu queria sabe, ser como o Pessoa e ser o aristocrata-maior do negativo e assumir que é esta distância que me diferenciava. Mas no fim eu era só mais um garoto fodido. Todas vezes que minha mente estava em um lugar diferente, todas vezes que eu fiquei fixado no espelho paralisado com a própria existência. "Ele precisa só de um pouco de espaço"

Eu nunca soube medir espaços

Eu não ligo para esta vida e eu não ligo para os conselhos. Frases de um fedelho. E quando você realmente está inerente à uma situação ou simplesmente empresta teu corpo fatigado à uma cena? Eu não me importo mais. Eu vou me isolar e fazer minhas coisas. A rua chama. A rua chama sempre. Os olhos vidrados numa alucinação extraterrena ou é isso, novamente, que seu olhar empresta. Um caos gritante para todas as coisas que acontecm. Má ideia se automedicar. Má ideia achar que pílulas resolvem. "Elas ajudam a dormir". Dormir resolve. "e aquelas alucinações que você tem quando dorme?", isso não pode ser chamado de sonho ou pesadelo? Eu quero dizer, eu não posso atribuir à tudo que vivencio como a mesma realidade experimentada ao ponto que nossa essência (ou a simulação dela) parece estar inatingível?

(lembra quando você viu o quarto episódio de Evangelion e pensou que o autor já dissera tudo que você pensava da vida? E que estava condicionado a experimentar tudo como uma existência impreenchível e que talvez, quem sabe, era melhor ficar andando nos trens com seus fones de ouvido e uma música que talvez, quem sabe, deixa toda dor assimilável?)

"ter a essência inatingível não é estar alheio a dor?"

Eu tenho uns trocentos fantasmas vagando dentro de mim e tem horas que a gente se diverte. Eu reconheço a unidade e independência deles. Eles saem, voltam, tomam minha mente de assalto. E eu fico como um receptáculo de aparições que se apropriam de mim

Ou vai ver elas nem existem

Se levante; saia dessa. Então você tá triste? Mas e você com isso? O hoje nunca vai sair exatamente como você quer. Mas e você com isso? Eu andei encarando uma linha inalcançável no horizonte (um morro com casinhas em cima, o céu azul protegendo a visão)

Tem sujeira na tua cabeça e você não consegue sair disso. Tem sujeira na tua rua e você nunca vai conseguir limpar tudo isso. Mas você se lembra de quando andava na Av Paulista, com medo de encarar qualquer pessoa ou qualquer coisa que se movesse? A cidade à noite apelava pruma melancolia que, sei lá, era meio chique, considerando tudo. O que todos estes tagareladores doidos estão dizendo?

Eles não dizem o crepitar das folhas e eles não dimensionam o inalcançável em  sua ópera maluca de vozes

Eu lembro de atravessar São Paulo com meu carro. E quando as luzes de mercúrio acariciavam o vidro dianteiro, eu olhava para o lado e tinha alguém dormindo. 4 meses depois eu abri os olhos, e ainda tinha você lá, dormindo. E eu quis tanto escrever o que passava por mim naquele momento que eu peguei os livros que te dei e escrevi umas bobagens, sabe? Então eu abri a porta e fui ver o movimento na rua em que cresci, a rua que já não era mais minha rua pois estava morando em outro estado. Eu saí na reclusão mais extrema para me afastar dum túmulo chamado São Paulo (ou um túmulo chamado eu mesmo?) e nesta distância enorme de tudo o que eu havia vivido eu encontrei um conforto que, eu juro, não sabia da existência. E por conforto entenda todas as reuniões noturnas em que ríamos e nos desconfiávamos e nos maravilhamos

Eu coloquei uma caixa no meu armário cheio de coisas que eu amei. Elas não tinham mais significante para o amor e quando objetos não tem significantes eles não são nada. Reparou? +- como nós. Reparou? Às vezes eu não suporto olhar para todos que passam. Eu acho que não mereço estes rostos; feios, bonitos, estrategicamente debochados, cujos passos no concreto apontavam uma luz bem acima das nuvens

 Todo noite você sacrifica alguém em você para todas estas lavagens idiotas. Você sabe que são idiotas e sabe que não vão te levar a nada. O que você esperava destes espetáculos miméticos? Uma síntese eufórica filtrada por um processo de dor? Você sabe que estes trecos não existem. Não pra você, pelo menos. Você quer manter quem mais te ama por perto dizendo estas coisas? Fazendo estes shows delirantes? Ninguém liga para shows delirantes e toda a pirotecnia telegrafada em atos cotidianos remordidos afasta, inequivocada mente, todos. Nada retorna disso tudo. A linha do horizonte retribuí muito mais. Ela é muito mais. Ninguém mais pode ver isso mas não faz de você um visionário. Te faz um bobalhão. Eu sei lá, eu sinto falta de andar pelas ruas assobiando e dançando, sabe?

(dance e assobie mas saia daqui porra)

Eu pensei precisar de um espaço para eu mesmo mas eu preciso é cavar um outro espaço e compartilhá-lo com quem estiver disposto. Quando você está sozinho que se depara com a Grande Falta De Compartilhamento e precisa que seus berros presos ressoem em algum outro ser, sabe? Para vocês compartilharem a ressonância, coisa e tal. É muito tarde para mudar esta minha mente, para apagar estes meus remorsos e pra conciliar ideias de compartilhamento pois absolutamente tudo já passou. Eu acho que não to raciocinando direito; eu preciso de um doce, sei lá

Eu sinto falta de quando dava tudo certo e eu me sentia imbatível. Eu penso "mas não havia brechas para o Grande Abismo naqueles momentos?" E sinceramente eu não lembro. Eu lembro claramente de pássaros cantando enquanto eu caminhava para o parque, eu lembro dos muros ainda não pintados (e que provavelmente nunca seriam) na minha descida rotineira para uma atividade física. Eu lembro de escrever sinceramente com "c" e rir disso. Eu lembro de nós tomando um refresco enquanto os trens passavam logo à nosso frente e ríamos de toda sujeira que nossa cidade tinha se tornado e voltávamos tão sonolentos que víamos encanto até nos postes quebrados. Eu me sinto mais esperto e ainda sim não alcancei nada, percebes? Eu não poderia ser bom suficiente para viver na distância. Jamais

Todos dizem para eu respirar um pouco e eu prometo que vou tentar


Nenhum comentário:

Postar um comentário