quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Kid Millions – The Sanguine Cadaver (2015)

Kid Millions é membro da corajosa banda Oneida que consiste em criar um ambiente enorme, urbano e repetitivo- como se caminhássemos no mesmo túnel infinitamente. É uma ambientação poderosa, com drones épicos e grooves bem colocados. O conceito de The Sanguine Cadaver é extremamente pautado nessa repetição; é um andamento lento e introspectivo em uma atmosfera que as diferenças são apenas insinuadas. Mas aqui Kid se mostra como compositor máximo e não apenas um exímio baterista, e percebe-se que as dissonâncias que o lavaram a criar um trabalho tão denso como The Sanguine Cadaver não seriam tão bem aproveitadas no Oneida. Porque enquanto a banda constrói esse ambiente enorme, as repetições de Kid são de enclausuramento.


Pegue os imprevistos “controlados” do Swans e os insiram em um ambiente diário e nada megalomaníaco. Kid reconhece nas variações que “surgem” a validação para se expressar; ele é um artista das brechas que, mesmo assim, consegue moldar uma massa sonora gigantesca com isso (a forma como ele usa as baterias eu nunca tinha ouvido). Não há um grande marco divisor em The Sanguine Cadaver, mas chega a ser constrangedor (para outros compositores) a maneira que Kid transita facilmente para uma explosão contida e abafada, uma interiorização de observações externas. As gravações de campo criam uma atmosfera, esse disco é uma afirmação do que quer que seja essa atmosfera íntima. Tudo isso é destruído na segunda parte. Temos uma intimidade mais objetiva, com Millions fazendo o que faz de melhor; improvisar na bateria. Pode-se enxergar toda a construção da primeira parte como uma pergunta. Felizmente, Millions tem uma resposta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário