quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Loomer – You Wouldn’t Anyway (2013)

Há uma espécie de abertura  em You Wouldn’t Anyway, algo de convidativo entre o som ao mesmo tempo ruidoso e sedutor, carismático que as guitarras (sempre recomenda-se ouvir no talo!) emitem.

Reconhecemos a pegada oitentista e noventista,  sem sombra de dúvidas. Mas como uma captura de um tipo específico de sonoridade pode soar novo em 2013? E por isso, por nos remeter tanto a uma porção de bandas maravilhosas, e ainda sim se destacar como um dos melhores discos de 2013 (vale lembrar que teve nada mais nada menos que My Bloody Valentine naquele ano) é que há algo de inexplicável no primeiro lançamento do conjunto gaúcho.

Voltamos à abertura que citei no primeiro parágrafo e que talvez seja o terreno mais importante da arte. Oras, obviamente se você gosta de Slowdive, você vai gostar de Loomer. Mas melhor do que isso, nós dialogamos com a banda e vemos que é possível expandir aquele terreno que já pensávamos dominar. Não ficamos saturados e não pensamos “ah, já que é pra ouvir esse tipo de som, vou ficar com o meu velho e bom Ride”. O ouvinte também é exigido encontrar coisas novas e a cada audição o clima “barulho envolvente” exerce um ataque à nossas convenções. Não que seja exatamente experimental (e nem almeja ser!), mas You Wouldn’t Anyway nos oferece uma experiência nova. Foge da uniformidade óbvia apostada por muitas bandas que são meras cópias, ao mesmo tempo em que se diferencia de pelo menos 90% do “indie rock” nacional.

“Reajustar” um som ao cenário que vislumbramos hoje em dia poderia ser difícil não fosse tudo parecer tão natural e fluído ao decorrer do álbum. É como se toda a sonoridade que guardamos em nossa esfera ativa se reavivasse e ganhasse uma nova forma nesse século que vivemos. É como se a existência do disco sinalizasse certa época e ainda assim incentivando criações novas, autorais, próprias. Preenche um vácuo que foi deixado com o desenvolvimento da tão chamada “música contemporânea”. Podemos ouvir hoje literalmente qualquer coisa, mas a entrega do Loomer tem certa vantagem aí.


Vantagem que talvez seja difícil especificar, mas se você é fã das bandas citadas, de shoegaze e dream pop principalmente, dedicar seu tempo ao Loomer é também voltar a um terreno que você adora e perceber que mais coisas podem ser erguidas ali. A música não tem limites. 

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