quinta-feira, 11 de setembro de 2014

God Demise - S/T [2013]

A demo do God Demise começa com uma guitarra suja distorcida que anuncia um pouco do que teremos em formas mais violentas. São sonoridades impregnadas das demonstrações mais agressivas da sensação de niilismo e desesperança. É nessa fonte de mundo desolado que vamos emergir nos próximos dez minutos.

Embora o som percorra mais os lados “sujos”- combinando tempo lento e atmosferas obscuras, na ampla variação entre o doom e o hardcore- não podemos deixar de falar da pequena influência do noise rock, com suas guitarras distorcidas, microfonias, etc. A proposta dessa dinâmica declaradamente mais desregrada estimula os sentimentos descritos nas letras. A bateria cobre essa variação de velocidade. Mas não se enganem por essas impressões de apenas degradação, a música que o God Demise faz é decididamente séria e densa, com temas espinhosos e uma surpreendente capacidade de mudanças, contando que a demo não tem nem dez minutos.

Com certeza coisas boas virão desses mineiros, visto que em uma gravação caseira eles já conseguem deixar claras as influências de metal, variando até as velocidades mais extremas. São relatos de experiências como se estivéssemos em um pesadelo onde o amor estivesse extinto: por isso chiados, os ruídos prolongados, estamos num mundo sem redenção e o God Demise deseja deixar isso bem claro. Uma construção que varia entre os diversos elementos citados em função da estética da perdição. Engraçado que mesmo hoje com os “gêneros” sendo cada vez menos identificáveis na música, essa banda consegue fazer desse entrecruzamento de referências algo que não vise apenas um catado aqui e outro ali. Não, a comunhão do God Demise é integrar como um caminho bem, extremamente difícil.


Confesso que só fui pegar pra ouvir a banda porque eles vão abrir pro Touche Amore e, caralho, que surpresa! Agora estou ansioso para vê-los ao vivo. Intuo uma apresentação tão visceral quanto essa pequena demonstração. Onde vemos nossas fraquezas e talvez tenhamos que nos contentar com esse mundo de ódio, sem amor.

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